40% dos adultos em Portugal só compreende textos simples e matemática básica

Cerca de 40% dos adultos que vivem em Portugal só conseguem compreender textos simples e resolver aritmética básica, segundo um estudo da OCDE em que os portugueses apenas são melhores do que os chilenos.

© D.R.

Pela primeira vez, Portugal participou no ‘Inquérito às Competências dos Adultos de 2023’, que avalia as competências da população em literacia, numeracia e resolução adaptativa de problemas e, numa comparação entre 31 países, aparece entre os últimos da tabela.

Apenas os chilenos têm mais dificuldades do que os portugueses a interpretar textos ou a realizar operações matemáticas necessárias no seu dia-a-dia, segundo os resultados hoje divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Numa escala de zero a 500, os mais de três mil participantes portugueses obtiveram 235 pontos em literacia, muito abaixo da média dos países da OCDE e pouco acima dos chilenos.

O estudo mostra que 15% dos inquiridos portugueses conseguem, no máximo, compreender frases curtas e simples e que outros 27% compreendem textos curtos e listas organizadas.

Assim, em Portugal, 42% da população tem um nível muito baixo de literacia, segundo os resultados dos inquiridos que representam 6,6 milhões de pessoas entre os 16 e os 65 anos que vivem no país.

Por outro lado, apenas 4% dos adultos demonstraram um elevado desempenho nesta matéria, sendo “capazes de compreender e avaliar textos longos e densos de várias páginas, entender significados complexos ou ocultos e utilizar conhecimentos prévios para compreender textos e realizar tarefas”.

Numa comparação entre os 31 países participantes, Portugal ficou apenas à frente do Chile. O mesmo se passa com a capacidade de raciocinar e de aplicar conceitos numéricos simples (numeracia), em que apenas os chilenos foram piores que os portugueses (214 pontos vs 238 pontos).

Quatro em cada dez adultos portugueses só conseguem fazer cálculos básicos com números inteiros ou dinheiro. Podem compreender o significado das casas decimais e encontrar algumas informações em tabelas ou gráficos, mas têm dificuldades em tarefas que exijam várias etapas, como por exemplo, calcular uma proporção.

Entre os adultos, 16% consegue apenas adicionar e subtrair números pequenos, por oposição aos 7% de adultos que conseguem calcular e compreender taxas e rácios, interpretar gráficos complexos e avaliar criticamente argumentos baseados em informação estatística.

Outra das áreas analisadas foi a resolução de problemas, em que 42% dos residentes em Portugal obtiveram resultados muito baixos, porque só conseguem resolver problemas simples com poucas variáveis e pouca informação acessória.

Apenas 2% dos adultos obtiveram alto desempenho, mostrando ter uma compreensão mais profunda dos problemas e conseguir adaptar-se a mudanças inesperadas.

Portugal obteve 233 pontos na resolução de problemas, com melhor desempenho apenas que outros quatro países: Itália (230), Lituânia (230), Polónia (226) e Chile (217).

“Quando se consideram os três domínios em conjunto, 30% dos adultos em Portugal obtiveram pontuações nos dois níveis mais baixos das escalas de proficiência”, lê-se no relatório hoje divulgado.

Para este inquérito, os inquiridos realizaram tarefas, algumas das quais envolvendo ambientes digitais complexos e com grande volume de dados, que são cada vez mais comuns nos locais de trabalho e na vida quotidiana das sociedades modernas.

Os investigadores salientam que os adultos com competências numéricas mais elevadas, por exemplo, têm mais probabilidades de estar empregados, auferir salários mais elevados e serem mais felizes do que os que têm competências numéricas mais baixas.

No entanto, “apesar dos esforços significativos dos governos e dos parceiros sociais para reforçar os sistemas de educação e formação de adultos, o inquérito revela um panorama de competências muito desigual, com um número crescente de pessoas mal preparadas para o futuro”, alertam Ardreas Schleicher, diretor para a Educação e Competências da OCDE, e Stefano Scarpetta, diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, no prefácio do relatório.

Na última década, apenas a Finlândia e a Dinamarca registaram melhorias significativas na literacia dos adultos, enquanto outros países e economias participantes registaram uma estagnação ou declínio.

Este inquérito realizou-se entre 2022 e 2023, contando com a participação de 160 mil adultos de 31 países e economias, que representam 673 milhões de pessoas.

Últimas do País

Cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações, três meses depois de a depressão Kristin ter atingido o país, revelou à agência Lusa a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
Portugal, Espanha e outros países do sul da Europa consolidaram-se como destinos preferidos dos europeus para viajar na primavera e no verão deste ano, com um aumento conjunto de 17% na procura face a 2025.
O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País disse à agência Lusa que a reposição total dos serviços de comunicações fixos, afetados na sequência do mau tempo, pode ocorrer até ao verão.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou esta sexta-feira ter detido, no concelho de Porto de Mós, dois jovens suspeitos de tráfico de droga, tendo apreendido, além de produto estupefaciente, armas.
Quase três meses depois da depressão Kristin, cerca de 20% da população do município de Figueiró dos Vinhos, no norte do distrito de Leiria, continua sem acesso à internet e a televisão, segundo o presidente da Câmara.
Dois autarcas do concelho de Leiria manifestaram à agência Lusa preocupação pela existência de idosos impossibilitados de pedir socorro em caso de necessidade devido ao atraso na reposição das comunicações fixas na sequência do mau tempo.
As comunidades intermunicipais (CIM) da Região de Leiria, Região de Coimbra e Médio Tejo pediram ao Governo o prolongamento das medidas de apoio lançadas para compensar os estragos provocados pela depressão Kristin.
O técnico de sangue detido na quarta-feira por suspeitas de crimes de peculato, corrupção de substâncias e/ou propagação de doença foi hoje proibido pelo tribunal de entrar em Coimbra e suspenso de funções, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia Judiciária (PJ) de Braga apreendeu uma tonelada de cocaína que entrou em Portugal por via marítima, dissimulada em contentores entre centenas de sacos de açúcar de 50 quilos, foi esta sexta-feira anunciado.
A PSP deteve este ano quase 2.000 condutores com excesso de álcool e multou outros 1.320 pelo mesmo motivo, anunciou hoje a polícia, alertando para os riscos acrescidos da condução sob a influência do álcool.