Programa dos 700 anos da morte de D. Dinis abre com exibição do rosto do rei em 3D

O programa evocativo dos 700 anos da morte do rei Dinis vai abrir na terça-feira, no Mosteiro de Odivelas, com uma cerimónia de apresentação da reconstituição científica do rosto do monarca, anunciou hoje o instituto Património Cultural.

FILIPE AMORIM/LUSA

Na celebração, marcada para as 16:00, será apresentada uma reconstrução facial do rei Dinis (1261-1325) realizada através de impressão 3D baseada nos estudos arqueológicos e antropológicos desenvolvidos nos últimos anos, em contexto tumular e laboratorial, segundo o comunicado do Património Cultural – Instituto Público (PC-IP) hoje divulgado.

“Trata-se da primeira imagem cientificamente fundamentada de um monarca português da primeira dinastia, retratado no final de vida, resultando de um extenso e profícuo trabalho de investigação levado a cabo no Mosteiro de Odivelas, onde D. Dinis escolheu ser sepultado”, recorda este organismo do Ministério da Cultura.

O Projeto de Conservação e Restauro do Túmulo do chamado rei lavrador e trovador, iniciado em 2016 por iniciativa da extinta Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas (CMO), distrito de Lisboa, constitui o eixo condutor temático do programa alusivo ao sétimo centenário da morte do rei, que será anunciado na mesma cerimónia, indica o comunicado.

Para o efeito será celebrado um protocolo de colaboração entre a CMO, o PC-IP e a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP) centrado na divulgação dos resultados científicos deste projeto.

A investigação decorreu com uma abordagem interdisciplinar que envolveu peritos em arqueologia, antropologia biológica, conservação e restauro, História e História da Arte, assinala ainda.

Partindo do Mosteiro de Odivelas com um conjunto de atividades a desenvolver no município, o programa evocativo vai prolongar-se até ao final de 2025 e terá expressão nacional, com iniciativas a desenvolver pelo PC-IP, pela MMP, e outras entidades interessadas em associar-se.

Na terça-feira, a sessão no Mosteiro de Odivelas terminará com uma conferência sobre Dinis, o rei, pelo professor José Augusto de Sotto Maior Pizarro, da Universidade do Porto.

O rosto do rei português foi reconstruído através de impressão 3D na Liverpool John Moores University FaceLab, sob coordenação científica da antropóloga Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra, que fez parte da equipa multidisciplinar encarregada do Projeto de Conservação e Restauro do Túmulo de D. Dinis.

Além dos responsáveis das três entidades envolvidas – CMO, PC-IP e MMP – a sessão contará com a presença de técnicos e investigadores que participaram na investigação.

O túmulo do rei Dinis foi aberto em 2019 e encerrado a 28 de junho de 2023, numa operação especial em que os restos mortais do monarca foram envoltos num tecido de linho e posicionados de modo a respeitar o esqueleto humano.

Por cima foi colocada uma cápsula em acrílico e ao lado uma caixa com pequenos fragmentos ósseos, para que eventuais futuras investigações possam ocorrer sem descerramento da arca tumular, recorda o PC-IP.

Este estudo forense, pioneiro em Portugal, incidiu sobre o monarca e o seu espólio, incluindo o manto real e a espada medieval descoberta em 2022.

Em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, os trabalhos envolveram o Laboratório José de Figueiredo, da MMP e o Laboratório de Arqueociências (LARC) do PC-IP.

No sábado, pelas 15:00, a Câmara Municipal de Odivelas irá, por seu turno, associar-se à Casa Real Portuguesa na realização de uma cerimónia de exéquias fúnebres do rei Dinis, na Igreja do Mosteiro de Odivelas, anunciou também a autarquia em comunicado.

Promovida no âmbito das comemorações dos 700 anos da morte do rei, a cerimónia contará com guarda de honra junto ao túmulo e celebração de missa solene, presidida pelo Patriarca de Lisboa, Rui Valério.

O momento contará ainda com bênção dos despojos reais, exéquias e ritos fúnebres em honra do rei Dinis, seguida da veneração de relíquias da rainha Santa Isabel, e da atuação do coro da Imaculada Conceição, de Almeirim.

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