Governo de Costa envolvido na investigação ao irmão de Sánchez

O governo de António Costa foi “fundamental” para o irmão do primeiro-ministro espanhol se candidatar a fundos do programa europeu para projetos culturais transfronteiriços de 300 milhões, o POCTEP 2021-2027, para financiar um programa de ópera itinerante.

©Facebook/antoniolscosta

Segundo a imprensa espanhola, citada pela Sapo, David Sánchez, que está a ser investigado por fuga ao fisco e tráfico de influências, contactou diretamente o gabinete do primeiro-ministro português, resultando na assinatura de um memorando de entendimento entre os países, numa cerimónia que contou com a presença dos respetivos chefes de governo, António Costa e Pedro Sánchez, em março de 2023.

Em causa está um plano orçado em 3,3 milhões para criar um festival e um “laboratório” de ópera entre Badajoz e Elvas, no âmbito do Operegrina, com 49 iniciativas a realizar na raia e cujo valor total ascendia a seis milhões.

As comunicações foram intercetadas pela Unidad Central Operativa de la Guardia Civil (UCO), conhecidas no âmbito do processo que aponta ainda ao irmão do chefe do governo espanhol os crimes de peculato, prevaricação e enriquecimento ilícito.
“Caro Vítor [Escária]. Obrigada pela tua amável ajuda. Junto ficha do nosso projeto porque, para podermos apresentar a candidatura, precisamos de um sócio português de peso com recursos e competência na gestão de atividades culturais invulgares”, lê-se no e-mail revelado pelo OK Diario.

“Poderíamos realizar [o projeto] com os meios próprios, mas sendo a ópera um projeto muito transversal, solicitamos ajuda na busca de parcerias”, viabiliza Sánchez, sublinhando que “a Fundação Gulbenkian poderia estar interessada em participar”, mas está “aberto a sugestões”.

Em resposta, Escária apontou a entidade pública que gere o Teatro Nacional e a Companhia Nacional de Bailado (OPART), como “o melhor” encaixe para a parceria, adiantando ainda que a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional estaria em campo para “procurar possíveis parceiros”, escreve a Sapo.

A parceria acabaria por ganhar força com a assinatura do memorando de entendimento pelos ministros da Cultura de Portugal, Pedro Adão e Silva, e de Espanha, Miquel Iceta.

David Sánchez está há um ano sob investigação por suspeitas de corrupção, nomeadamente por suspeita de desviar e branquear capitais em Portugal, onde fixou residência fiscal, deixando de pagar impostos em Espanha.

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