Venezuela lança operação militar na fronteira com a Colômbia

A Venezuela lançou esta sexta-feira uma operação militar no oeste do país, na região de Catatumbo, fronteiriça com a Colômbia, perto de uma zona onde combates entre grupos armados colombianos fizeram 54 mortos, anunciaram as autoridades venezuelanas.

“A operação ‘Relâmpago de Catatumbo’ começou, no âmbito do exercício popular, militar e policial ‘Escudo Bolivariano 2025’, ao longo da fronteira com o nosso país irmão Colômbia, em coordenação com o Governo do Presidente, Gustavo Petro”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.

O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, declarou à televisão estatal, que transmitiu imagens de soldados posicionados na zona, que “o objetivo” era “impedir que grupos armados tivessem acesso ao território venezuelano”.

Referindo-se aos combates na Colômbia, o ministro descreveu-os como um “conflito territorial nas rotas do tráfico de droga travado entre os grupos armados que lá vivem”.

Os confrontos em Catatumbo, no nordeste da Colômbia, causaram 54 mortos, 11 feridos e 12 desaparecidos desde meados de janeiro e do início da escalada de violência nesta zona fronteiriça com a Venezuela, indicaram na segunda-feira as autoridades colombianas locais, revendo em baixa o balanço anterior, de 80 mortos.

A guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional (ELN) tomou como alvo dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que formaram um grupo armado rival não-signatário do acordo de paz de 2016, bem como civis, 48.000 dos quais foram deslocados.

O Governo colombiano enviou mais de 10.000 membros das forças de segurança para esta região de plantações de coca, o principal ingrediente da cocaína, droga de que a Colômbia é o maior produtor mundial.

Esta crise de segurança é a pior registada na Colômbia desde há uma década e destruiu as esperanças do Governo do Presidente de esquerda, Gustavo Petro, de desarmar o ELN, com quem tinha relançado as conversações de paz em 2022.

Os ataques do ELN também estão a prejudicar as relações entre Petro, o primeiro Presidente de esquerda da Colômbia, e a vizinha Venezuela, que se deterioraram após a contestada reeleição de Nicolás Maduro como Presidente venezuelano, em julho de 2024.

Os serviços secretos colombianos há anos suspeitam de que o território venezuelano está a ser usado como base de retaguarda por grupos armados, mas Caracas nega.

Na Venezuela, parte da região de Catatumbo é uma atração turística, atraindo visitantes para ver a frequência recorde de relâmpagos que cai em torno do Rio Catatumbo e do Lago Maracaibo em determinadas épocas do ano.

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