Acompanhamento ao estudo em centros de explicação não é despesa de educação no IRS

O alargamento da isenção do IVA às explicações ministradas em centros de estudos inclui as lições sobre matérias dos ensinos escolar ou superior, mas deixa de fora os serviços que se resumem ao acompanhamento ao estudo ou vigilância.

© Folha Nacional

Este entendimento sobre uma medida criada pelo Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) consta de uma orientação agora divulgada pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) que vem esclarecer o que é considerado no âmbito desta isenção do IVA e, consequentemente, pode ou não ser usado como despesa de educação dedutível ao IRS.

Na origem deste esclarecimento está uma medida que veio fazer com que a isenção do IVA deixasse de estar limitada às explicações dadas por professores, a título pessoal, alargando-a também às ministradas em centros de estudos.

A questão do IVA aplicável a estes serviços tem implicação ao nível do IRS, uma vez que, desde meados da década passada, apenas são consideradas despesas de educação as que estão isentas de IVA ou sujeitas à taxa reduzida (que no continente é de 6%), sendo aplicada a taxa normal (23%) aos gastos com os centros de estudos.

O ofício circulado da AT, agora divulgado, vem esclarecer o que cabe no âmbito daquele isenção, numa altura em que os contribuintes se preparam para fazer a declaração anual de rendimentos de 2024 e vão, pela primeira vez, deduzir alguns daqueles gastos como sendo de educação.

Segundo a AT, a isenção do IVA em causa restringe-se às prestações de serviços “que se qualifiquem objetivamente como lições ministradas sobre matérias do ensino escolar ou superior”, devendo, por isso, estas lições “encontrar-se estabelecidas de acordo com os planos curriculares e os conteúdos programáticos do sistema educativo nacional”.

“A isenção abrange, assim, a totalidade do valor tributável das prestações de serviços que consistam em lições ministradas sobre matérias do ensino escolar ou superior, nomeadamente as mensalidades ou aulas isoladas e, ainda, as taxas de inscrição e similares, ou montantes relativos a seguros, desde que, concorram exclusivamente para a prestação de serviços de lições ministradas sobre matérias do ensino escolar ou superior”, especifica a mesma informação, acrescentando que estão abrangidas as lições ministradas por explicadores, professores e centros de explicações

Contudo, refere a AT, a medida deixa de fora “as prestações de serviços que tenham como objetivo o ensino de quaisquer matérias que não se incluam no conceito de lições ministradas sobre matérias do ensino escolar ou superior estabelecidas de acordo com os planos curriculares e os conteúdos programáticos do sistema educativo nacional”.

Estão neste caso os serviços que consistem no mero acompanhamento ao estudo/vigilância do aluno (não incluindo uma componente de ensino/explicação sobre as matérias escolares), ou os serviços que consistam na guarda de crianças e ocupação de tempos livres, bem como os relativos à prática de atividades lúdicas ou desportivas, o ensino de línguas, música ou outras matérias, que não seja efetuado seguindo os planos curriculares e os conteúdos programáticos do sistema educativo nacional.

O fornecimento de materiais também não beneficia de isenção, bem como as prestações de serviços que consistam na ministração de aulas ou ações de formação por formadores.

Últimas de Economia

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, voltou a subir esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada, atingindo o valor mais elevado desde 2022.
Em cada conta da luz e do gás, há uma parte que já não aquece, não ilumina e não alimenta, serve apenas para engordar a carga fiscal. Portugal continua entre os países que mais taxam a energia na Europa.
Os consumidores contrataram em março 944 milhões de euros em crédito ao consumo, valor mais alto de sempre e mais 24,1% que há um ano, enquanto o número de contratos subiu 11,3% para 161.983, divulgou hoje o BdP.
A inflação homóloga da OCDE subiu para 4,0% em março, contra 3,4% em fevereiro, impulsionada por um aumento de 8,6 pontos percentuais da inflação da energia, foi hoje anunciado.
Comprar casa em Portugal exige hoje muito mais do que trabalhar: exige rendimentos que a maioria já não tem. Um novo estudo da CBRE mostra que o fosso entre salários e preço da habitação continua a aumentar e está a afastar milhares de famílias do mercado.
Portugal registou, no segundo semestre de 2025, o segundo maior valor da União Europeia (UE) dos preços do gás doméstico (17,04 euros por 100 kwh), expresso em paridade de poder de compra (PPC), divulga hoje o Eurostat.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou para 91,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, mais 1,3 pontos percentuais face ao final de 2025, divulgou hoje o BdP.
Portugal é o quinto país da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, só ultrapassado pela Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária, indica uma análise da Pordata.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão voltar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar em média 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a encarecer 6,5 cêntimos.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juro inalteradas em 2%, pela sétima vez consecutiva, considerando que continua “bem posicionado para navegar a actual incerteza” devido à guerra no Médio Oriente.