Portugal e França fecham acordo para acelerar produção de biometano

A Floene e a GRDF, as maiores operadoras da rede de distribuição de gás em Portugal e França, vão reforçar a parceria estratégica para o desenvolvimento de gases renováveis, um passo que pode acelerar a produção de biometano em Portugal.

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Esta parceria, que será formalizada na sexta-feira, insere-se no conjunto de acordos bilaterais que assinados durante a visita ao Porto do Presidente francês, Emmanuel Macron, reforçando a cooperação entre Portugal e França no domínio da transição energética.

Como explicou à Lusa o presidente executivo da Floene, Gabriel Sousa, o acordo prevê a continuação da “partilha de experiências legislativas e regulatórias”, bem como de soluções para a adaptação das infraestruturas para integrar gases renováveis na rede de distribuição de gás natural, acrescentou o responsável da antiga Galp Gás Natural Distribuição.

A França tem sido apontada como um dos mercados com melhores resultados na implementação do biometano, com a Gaz Réseau Distribution France (GRDF) a ligar cerca de três novas unidades de biometano por semana à sua rede de distribuição.

O responsável da Floene considera que na base destes resultados não está apenas a “tecnologia” implementada pela congénere. “O sucesso passa muito pelas soluções regulatórias que acabam por ser favoráveis a este tipo de projetos”, acrescenta, lamentando que em Portugal não aconteça o mesmo.

“Tivemos o Plano de Ação para o Biometano, que foi aprovado há um ano, e está agora a haver a nomeação dos grupos de coordenação para que as medidas sejam estudadas, desenvolvidas e implementadas. Temos de fazer isto mais depressa. A roda está inventada, deveríamos ser capazes de aproveitar e fazer em pouco tempo aquilo que outros países demoraram sete a oito anos”, alertou.

Para Laurence Poirier-Dietz, presidente executiva da GRDF, este acordo é “uma forma de partilha de experiências e conhecimentos para ajudar os parceiros a desenvolver o que foi feito há anos no mercado francês”.

Apesar de admitirem que França acaba por assumir mais o papel de professor e Portugal o de aluno, os responsáveis das duas empresas defendem que o grupo francês também acaba por vir beber conhecimento das experiências que estão a ser desenvolvidas em território nacional, nomeadamente na área do hidrogénio.

Questionada sobre que medidas poderiam ser replicadas em Portugal para acelerar a transição para o gás verde, Laurence Poirier-Dietz diz não ter qualquer dúvida que o sucesso de França passou pela introdução de tarifas garantidas (‘feed in tariff’), que “permitiu reduzir custos de investimento para o produtor de biometano e trouxe benefícios em termos de previsibilidade de receitas”.

O Plano de Ação para o Biometano estabelece o objetivo de substituir quase 10% do gás natural por biometano até 2030 em Potugal, uma meta que o CEO da Floene diz “não ser impossível de alcançar”.

Aliás, segundo Gabriel Sousa, o país “tem um potencial que pode ir para além de 60% do consumo de gás ser substituído por biometano”.

O responsável da empresa que gere nove das onze empresas de distribuição de gás em Portugal sublinha ainda que o que está em causa são projetos de “economia circular” que transformam resíduos do setor agropecuário ou do segmento de sólidos urbanos em energia limpa.

Como o biometano é uma molécula igual à do gás natural, a atual rede está apta para este gás renovável, e o mesmo se aplica ao hidrogénio se for consumido em mistura e não a 100%, explicou, dando como exemplo o projeto-piloto que estão a desenvolver no Seixal com uma mistura de cerca de 15%.

Para atingir as metas estabelecidas Portugal vai “precisar de todos os setores”, advertiu, destacando o potencial de produção deste gás ‘verde’ no setor agropecuário e no segmento dos resíduos sólidos.

Atualmente, Portugal tem uma unidade piloto de produção de biometano em Mirandela. Já a GRDF tem mais de 600 centrais a injetar na rede.

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