Bruxelas pede diálogo significativo com EUA sobre tarifas à UE perante incertezas mundiais

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu hoje ao Presidente norte-americano, Donald Trump, um “diálogo significativo” entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) sobre as novas tarifas perante “incertezas mundiais”.

© commission.europa.eu

“Manter-nos-emos sempre abertos a negociações. Estamos firmemente convictos de que, num mundo repleto de incertezas geoeconómicas e políticas, não é do nosso interesse comum sobrecarregar as nossas economias com tais direitos aduaneiros”, declarou Ursula von der Leyen, falando num ponto de imprensa sem perguntas à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo.

“Estamos prontos para encetar um diálogo significativo. Encarreguei o comissário responsável pelo Comércio, Maros Šefčovič, de retomar as suas conversações para explorar melhores soluções com os Estados Unidos”, adiantou a líder do executivo comunitário.

A posição surge depois de esta manhã a Comissão Europeia (que detém a competência da política comercial na UE) ter anunciado contramedidas, a partir de 01 de abril, às tarifas alfandegárias de 25% impostas pelos Estados Unidos às importações de aço e alumínio.

“Como os Estados Unidos estão a aplicar tarifas no valor de 28 mil milhões de dólares [26 mil milhões de euros], estamos a responder com contramedidas no valor de 26 mil milhões de euros”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num comunicado também assinado com o comissário do Comércio, Maros Šefčovič.

De acordo com Bruxelas, isto corresponde ao âmbito económico das tarifas dos Estados Unidos.

As contramedidas europeias serão introduzidas em duas fases, a partir de 01 de abril, e estarão plenamente em vigor a partir de 13 de abril.

As taxas de 25% impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, ao aço e ao alumínio entraram hoje em vigor às 00:01 (04:01 em Lisboa), marcando uma nova etapa na guerra comercial entre os Estados Unidos e os principais parceiros comerciais.

As regiões abrangidas incluem, além da UE, Canadá, China, Japão e Austrália, e o objetivo declarado de Trump passa por proteger a indústria siderúrgica dos EUA, que tem visto a produção diminuir de ano para ano face a uma concorrência cada vez mais forte, particularmente da Ásia.

Os Estados Unidos importam cerca de metade do aço e do alumínio utilizados no país, para setores tão variados como as indústrias automóvel e aeronáutica, a petroquímica e os produtos de consumo básicos, como os enlatados.

Desde a entrada em funções, Donald Trump tem recorrido às tarifas, utilizando-as como instrumento de negociação com os parceiros comerciais dos Estados Unidos, como incentivo à instalação de empresas no país e como fonte de receitas para as finanças federais.

Na terça-feira, o Eurostat anunciou que a UE registou um excedente de 198,2 mil milhões de euros na balança comercial com os Estados Unidos, em 2024, acima do de 155,8 mil milhões de euros de 2023.

De acordo com o serviço estatístico da UE, em 2024, as exportações do bloco para os Estados Unidos tiveram um aumento homólogo de 5,5%, para os 531,6 mil milhões de euros, e as importações recuaram 4,0%, para os 333,4 mil milhões de euros.

Em 2024, os cinco produtos mais exportados da UE para os Estados Unidos foram os medicinais e farmacêuticos (22,5%), seguindo-se os veículos rodoviários (9,6%), máquinas e equipamentos industriais gerais (6,4%), as máquinas elétricas, os aparelhos e peças elétricas (6,0%) e máquinas especializadas para indústrias específicas (5,0%).

Últimas de Economia

O ‘stock’ de empréstimos para habitação atingiu, em julho, 118.021 milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 11%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu um novo máximo histórico de 2.240 euros por metro quadrado em julho, mais 12 euros do que no mês anterior e 15,2% acima do mês homólogo de 2025, divulgou hoje o INE.
Presidente do CHEGA quer saber quantas pessoas acumulam salários e pensões, quantas reformas ultrapassam os 5000, 8000 e 15 mil euros e quanto foi pago em suplementos. Ventura rejeita qualquer caminho para cortes nas pensões e anunciou um projeto de resolução para uma auditoria à Segurança Social.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta segunda-feira o Governo de roubar os portugueses nos combustíveis ao cobrar “um imposto ilegal”, a contribuição rodoviária, e revelou que o partido vai chamar o ministro das Finanças ao Parlamento.
O preço eficiente dos combustíveis sobe esta semana para 2.021 euros na gasolina 95 simples e 2.115 euros no gasóleo simples, adiantou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
Um trabalhador com salário médio custa 27.953 euros por ano à empresa, mas leva para casa apenas 16.184 euros. Pelo caminho, ficam 11.769 euros em impostos e contribuições.
Quase dois milhões de euros por dia chegaram à Infraestruturas de Portugal em 2025 através do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos. A verba corresponde à antiga Contribuição de Serviço Rodoviário, considerada incompatível com o direito europeu em 2022.
O presidente do CHEGA contesta as conclusões do relatório sobre a Segurança Social e expõe o Governo de estar a preparar o debate para reduzir pensões ou travar futuros aumentos. Partido mantém a proposta de baixar a idade da reforma.
O preço dos combustíveis para transporte privado subiu 16,9% na União Europeia em julho, face ao mesmo mês de 2025, com Portugal a registar uma subida na ordem dos 16,7%, segundo dados do Eurostat.
Quem entra agora no mercado de trabalho poderá chegar a 2065 com uma pensão equivalente a apenas 70,3% do salário de referência. Especialistas antecipam “perdas significativas” em todos os níveis salariais.