MP pede 25 anos para homem acusado de matar a mãe com 19 facadas “à traição”

O Ministério Público pediu hoje 25 anos de prisão para o homem acusado de matar a mãe, no Porto, em janeiro de 2024, com 19 facadas "à traição", salientando o "comportamento bárbaro" e a falta de arrependimento do arguido.

© D.R.

Nas alegações finais, que decorreram esta tarde no Tribunal de São João Novo, o Ministério Público (MP) realçou que o arguido, a ser julgado por um crime de homicídio qualificado e por um crime de violência doméstica, pese embora tivesse um histórico de consumo de drogas e álcool, tinha “capacidade de se autodeterminar” quando cometeu os factos, consoante determinou a perícia feita ao arguido.

A acusação relata que no dia 22 de janeiro de 2024, o arguido “munido de uma faca de cozinha, com 18,1 centímetros de comprimento total, sendo 8,2 centímetros de lâmina” aproximou-se da vitima, com 88 anos, e “com o propósito de lhe tirar a vida, apanhando-a desprevenida, abordou-a pelas costas e, sem qualquer motivo, desferiu-lhe vários golpes incisos e profundos no corpo”.

Ao Tribunal, a testemunhar, também na sessão de hoje, o arguido admitiu que matou a mãe, mas não soube explicar o porquê: “Não faço a mínima ideia. Aconteceu. Não houve razão, a não ser sentir uma certa provocação por causa de um telefonema”.

E continuou: “Eu não pensei que isso fosse possível, é completamente estranho à minha vontade. Eu acredito que fiz um raciocínio louco, foi uma loucura”, disse.

Para o MP, e para as advogados dos quatro netos da vítima, que se constituiram assistentes no processo e deduziram pedidos de indemnização ao pai, o arguido agiu com “especial censurabilidade, fez sofrer a vítima mais do que necessário, agiu de forma barbara”.

Por isso, o MP pediu a condenação do arguido pelos dois crimes de que estava acusado, pedindo uma pena de 25 anos de prisão: “Que se faça efetivamente justiça e se aplique a pena adequada que deve ser pelo máximo legal”.

As advogadas dos assistentes lembraram os efeitos que a conduta do arguido teve na vida dos filhos, salientando o trauma e a perda de “quem lhes garantia o sustento”, que, apontaram, era a avó.

“Era ele [arguido] que lucrava com a morte da mãe e eu não vejo maior perversidade do que isso acontecer neste tipo de crime”, arguiu a advogada de uma das netas da vítima, pedindo que fosse estabelecida uma “indemnização exemplar”.

Quanto ao advogado do arguido, sobre os crimes reconheceu que o arguido os confessou, pedindo apenas ao tribunal que, na medida da pena, “e da forma que melhor entender”, considere “o histórico do arguido em termos de consumos de drogas e álcool”

A defesa concentrou-se na determinação das indemnizações pedidas pelos quatro netos da vítima, considerando que os pedidos, entre os 40 e os 60 mil euros, são exagerados.

Para o advogado do arguido deve ser tido em conta que a vítima tinha já 87 anos, “extravasando a idade média de vida em Portugal”, pelo que a perda da avó “estaria iminente, ainda que noutras circunstâncias” e que uma indemnização por danos não patrimoniais “não pode ser vista como uma forma de enriquecer” .

Já depois das alegações finais, questionado pelo Tribunal se queria dizer mais alguma coisa, o arguido pediu desculpas: “Eu posso ser entendido como arrogante mas não posso entender que eu não esteja arrependido de uma coisa tão horrível”.

“Eu confio na justiça”, disse.

Últimas do País

Uma criança de apenas cinco anos viveu momentos de terror na noite de domingo, na Cova da Moura, depois de um homem ter invadido a sua casa, raptado a menor e barricando-se com ela numa divisão. A rápida intervenção da PSP evitou o pior.
Mais de metade das pessoas recorrem à automedicação, segundo um estudo hoje divulgado, que mostra uma prática mais disseminada do que se pensa e também usada na saúde mental, sendo que a maioria não diz ao médico.
A PSP identificou, ao longo de 2025, nos concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP), 56 alojamentos ilegais ocupados por cerca de 900 cidadãos estrangeiros, indicou esta terça-feira a direção nacional desta polícia.
As dificuldades de acesso aos cuidados de saúde estão a reduzir as probabilidades de uma pessoa recorrer exclusivamente ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, depois de optar pelo privado, quem tem mais recursos dificilmente regressa ao sistema público.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve esta segunda-feira, em Lisboa, um homem de 37 anos suspeito da prática de crimes de abuso sexual de crianças, alegadamente cometidos contra dois menores, de sete e 11 anos, em dezembro de 2025.
O Sistema de Entradas e de Saídas (EES) sofreu alterações técnicas e 24 militares da GNR reforçaram o controlo de passageiros. Teste servirá para fazer avaliação, voltando depois o EES a ser suspenso.
Dois idosos foram hoje transportados ao hospital depois de, juntamente com mais quatro pessoas, terem sido retiradas de um prédio, na rua da Picaria, no Porto, onde deflagrou um incêndio disse à Lusa fonte municipal.
Dois médicos foram condenados a pagar uma multa de seis mil euros, cada um, pela morte de um recém-nascido cerca de cinco horas após o parto no Centro Materno Infantil do Norte, segundo uma sentença consultada hoje pela Lusa.
Os cinemas portugueses registaram no ano passado 10,9 milhões de espectadores, uma quebra de 8,2% face a 2024, revelou hoje o Instituto do Cinema e Audiovisual, que é o pior número desde 1996, sem contar com a pandemia.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) apreendeu nos últimos seis anos 19.005 armas, destacando-se as pistolas (8.086), em operações especiais de prevenção criminal, informou hoje aquela força de segurança.