Rácios da dívida pública na OCDE cresceram em 2024

Os rácios da dívida pública voltaram a crescer em vários países da OCDE em 2024 e a projeção é que se mantenha a trajetória de subida este ano, antecipa a organização num relatório divulgado hoje.

© D.R

“Após um efeito temporário de amortecimento da inflação no rácio da dívida face ao PIB, essas proporções começaram a crescer novamente em vários países da OCDE” no ano passado, lê-se no relatório sobre a dívida global.

No agregado da OCDE, o rácio médio da dívida pública aumentou de 82% em 2023 para 84% em 2024, número que “está projetado para crescer ainda mais para 85% em 2025, mais de 10 pontos percentuais acima do verificado em 2019 e quase o dobro do nível de 2007”.

Segundo a organização, a emissão de títulos soberanos em países da OCDE continuou a aumentar em 2024, ainda que num ritmo mais lento em comparação a 2023, sendo que “o aumento das necessidades de financiamento e os altos custos da dívida levaram os pagamentos de juros a uma parcela maior do PIB em 2024”.

“Esses dois fatores, combinados com a desaceleração do crescimento nominal do PIB contribuíram para o primeiro aumento no rácio da dívida” do conjunto dos países da OCDE desde 2020.

Esta evolução marcou um “ponto de viragem nas tendências dos rácios da dívida, que estavam amplamente estáveis ou cresciam lentamente nos cinco anos anteriores à pandemia e estáveis ou em declínio nos anos imediatamente posteriores, entre 2021 e 2023.

A OCDE considera que “o mundo já mudou para um novo paradigma em termos de níveis de dívida, com governos e empresas a financiarem-se aproximadamente 10 biliões de dólares a mais nos mercados a cada ano em comparação com o período pré-covid (2015-19) — maior do que o PIB combinado da Alemanha e do Japão”.

Além disso, os bancos centrais continuaram a reduzir as participações, o que levou a uma “maior dependência de uma base de investidores mais sensível ao preço”.

Os dados mostram que investidores estrangeiros e famílias “assumiram uma fatia maior da dívida pública à medida que as participações do banco central diminuíram”, numa altura em que as participações dos bancos centrais em títulos soberanos nacionais caíram de 29% em 2021 para 19% em 2024 no conjunto dos 25 países com mais dívida da OCDE.

A OCDE alerta ainda que os rácios de pagamento de juros em relação ao PIB continuaram a aumentar em 2024 e “aumentarão ainda mais se os custos dos empréstimos permanecerem elevados”.

Últimas de Economia

A inflação deverá acelerar este ano para 3,2%, num contexto de subida de preços dos combustíveis impulsionado pela guerra no Médio Oriente, estima o Conselho das Finanças Públicas (CFP).
O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a inflação da energia atinja um pico no final de 2026 e diminua significativamente em 2027, foi hoje anunciado.
O valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu um novo máximo histórico de 2.254 euros por metro quadrado em agosto, mais 14 euros do que no mês anterior e 14,7% acima do mês homólogo de 2025, divulgou hoje o INE.
Os preços do gasóleo na União Europeia (UE) atingiram um novo máximo de 2,23 euros por litro, contra 2,16 euros na semana anterior, segundo uma análise da agência de notícias AFP aos dados nacionais publicados hoje pela Comissão Europeia.
A carga fiscal aumentou para 35,3% em 2025, face aos 35% registados no ano anterior, de acordo com a segunda notificação de 2026 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos divulgada hoje pelo INE.
A taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível no segundo trimestre de 2026, face a 12,4% no trimestre anterior, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os preços aumentaram 16,5% no segundo trimestre, enquanto o número de negócios caiu 6,4%. Endividamento dos particulares regista o maior crescimento anual desde 2008.
A economia da zona euro deverá crescer 1% em 2026 e em 2027, segundo as previsões da OCDE, que está mais otimista para este ano mas mais pessimista em relação ao desempenho da economia no próximo.
O Presidente do CHEGA alerta para o peso dos combustíveis no setor agrícola e acusa PS e PSD de incoerência na discussão sobre a redução dos impostos.
O preço dos combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia (UE) aumentou, em agosto, 23,8% na comparação homóloga, após as subidas de 13,7% em junho e de 16,9% em julho, segundo o Eurostat.