Associação TVDE apela à fiscalização urgente do setor pela Segurança Social e Autoridade Tributária

A Associação Nacional Movimento (ANM) TVDE apelou hoje à fiscalização urgente por parte da Segurança Social (SS) e Autoridade Tributária (AT) às plataformas de mobilidade, tendo em conta o relatório da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.

© LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Em comunicado hoje divulgado, a ANM-TVDE pede “urgentemente às autoridades” (SS e AT) que “fiscalizem as plataformas de mobilidade” pedindo que os organismos “exijam às plataformas o relatório dos rendimentos dos motoristas pagos aos parceiros e que identifiquem os motoristas”.

Para a ANM-TVDE, é fundamental “cruzar dados” entre as plataformas, a Autoridade Tributária e a Segurança Social “para garantir que todos os motoristas cumpram com os impostos e contribuições corretamente”.

“As plataformas devem solicitar comprovativos de não divida dos motoristas à Segurança Social e à Autoridade Tributária”, pode ler-se na nota.

Segundo a associação, o problema prende-se com o facto de que muitos motoristas “não declararam o que ganham, alguns recebendo até apoios sociais ilegalmente”.

Desta forma, a ANM-TVDE considera que há empresas do setor, especialmente as pequenas e médias, que estão a ser prejudicadas “por terem custos mais altos e pela concorrência desleal de motoristas informais, o que ameaça a sobrevivência”.

A ANM TVDE considera que “sem fiscalização e transparência, o setor TVDE vai continuar a piorar”.

Numa publicação na sua página de Facebook, a ANM-TVDE explica que após a publicação dos dados do IMT, a associação recebeu “múltiplas queixas” dos associados.

Durante 2023 e 2024, a ANM-TVDE refere ter alertado, repetidamente, “para as irregularidades de um número significativo de motoristas portugueses que, enquanto trabalham como motoristas TVDE, recebem indevidamente apoios sociais como o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção”.

Tal situação cria um sistema desequilibrado e desleal, considera a associação, lembrando que muitos desses motoristas “não reclamam dos baixos valores das viagens — porque têm o seu rendimento garantido através do apoio do Estado”.

“E as plataformas, convenientemente, mantêm-nos ativos, sem o estado ter qualquer controlo sobre os rendimentos semanais gerados. A maioria destes motoristas não emite recibos, não declara rendimentos, e opera à margem de qualquer regra ou transparência”, acusa a associação.

Portugal tinha mais de 37 mil motoristas de TVDE em março, a grande maioria do sexo masculino, que eram oriundos de 98 nacionalidades, de acordo com os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Os dados, recolhidos no âmbito da plataforma desenvolvida pelo IMT, pela Uber e pela Bolt para partilha de dados sobre os TVDE em Portugal, revelou que, em março, o setor tinha em Portugal 37.495 motoristas ativos, dos quais 90,1% eram homens e apenas 9,8% mulheres.

Os dados da plataforma indicam uma grande diversidade quanto ao país de origem dos motoristas ativos, com um total de 98 nacionalidades representadas: a maior parte era de Portugal (52,8% do total), seguindo-se o Brasil (20,6%) e a Índia (10,4%).

Últimas de Economia

O déficit comercial de bens entre a zona euro e o mundo aumentou para 1,9 mil milhões de euros, em janeiro, face aos 1,4 mil milhões de euros do mesmo mês de 2025, segundo o Eurostat.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar cerca de 15 cêntimos por litro, e a superar os dois euros, e a gasolina 95 a encarecer nove cêntimos.
Mais de metade das habitações familiares anteriores a 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas construídas antes de 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou hoje o INE.
O relatório final dos peritos europeus confirma que o apagão ibérico foi provocado por falhas em cascata e recomenda reforçar tanto os quadros regulatórios como a coordenação entre operadores da rede e grandes produtores, de forma a prevenir eventos semelhantes.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação diminuiu para 3,079% em fevereiro, ficando abaixo dos 3,111% de janeiro de 2026 e dos 3,830% de fevereiro de 2025, indicam dados divulgados hoje pelo INE.
O preço do gás na Europa disparou hoje 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.
O primeiro-ministro admitiu hoje que Portugal pode ter défice em 2026 devido à “excecionalidade” relacionada com os impactos das tempestades e da crise energética e rejeitou “uma obsessão” para ter excedente orçamental que impeça apoios ao país.
O índice de preços na produção industrial (IPPI) caiu 3,5% em fevereiro, face ao mesmo mês de 2025, devido à redução dos preços da energia, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados hoje.
O Banco Central Europeu recebeu 416 denúncias de infrações em 2025, um número semelhante às 421 de 2024, mas superior às 355 de 2023, indica um relatório da instituição divulgado hoje.
As energias renováveis garantiram 79,0% da eletricidade produzida em Portugal continental nos dois primeiros meses do ano, o terceiro melhor registo da Europa em termos de incorporação renovável, informou hoje a Apren.