ONG marinhas defendem mais apoios a pesca tradicional e de baixo impacto

A pesca artesanal e de pequena escala, nomeadamente em Portugal, deve ser prioritária na atribuição de apoios da União Europeia (UE) dado o seu baixo impacto ambiental, defende um estudo de organizações não-governamentais publicado na segunda-feira.

© D.R.

O estudo – publicado pela Seas At Risk e pelos seus membros BUND, Ecologistas en Acción e Sciaena, e em cooperação com Only One – indica que a atual utilização das regras beneficia a pesca de grande escala em detrimento dos pescadores da pesca de pequena escala e das práticas de baixo impacto.

Os subsídios ao setor das pescas na UE favorecem as frotas da pesca de grande escala “devido à complexidade da burocracia, ao baixo nível de fluxo de caixa e às exigências de tempo, sustentando frequentemente grandes empresas dependentes de subsídios e práticas de pesca destrutivas”, lê-se no relatório, que sustenta ser “inconsistente” a aplicação da legislação a apoiar e proteger a pesca tradicional.

Uma das razões para a falta de subsídios para a pesca de pequena escala é a falta de candidaturas, pela falta de informação sobre os fundos disponíveis, processos de candidatura demasiado complexos e falta de capital e atrasos nos reembolsos.

A frota pesqueira de pequena escala e baixo impacto portuguesa é a sexta maior na UE, depois da Grécia, Itália, Croácia, Espanha e França.

O setor enfrenta ainda a pressão da pesca industrial e da aquicultura, é ainda apontado no estudo que indica que os sistemas de atribuição de quotas “continuam a basear-se fortemente em critérios relativamente simples, como os antecedentes históricos e a dimensão dos navios – critérios considerados ultrapassados e insuficientes para apoiar eficazmente a pequena pesca costeira e as práticas de baixo impacto”.

Segundo dados do estudo, a frota de pesca de Portugal – contava com 3.496 embarcações ativas em 2021, uma redução de 13% desde 2013, enquanto a potência e a tonelagem total das embarcações diminuíram 8% e 13%, respetivamente.

Em 2021, a frota portuguesa contribuiu com cerca de 5% do peso de desembarque a nível da UE.

As embarcações operam predominantemente nas zonas do Atlântico Nordeste, Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO) e Svalbard/Irminger (arrastões demersais), Atlântico Sul, oceanos Índico e Pacífico (palangreiros de superfície) e nas águas costeiras da Madeira.

As ONG indicam ainda que, com exceção da sua frota do Atlântico Norte, a maior parte da frota portuguesa caracteriza-se por uma fraca rentabilidade e salários das tripulações, tendo o emprego global no setor das pescas diminuído de 9.751 pescadores a tempo inteiro em 2013 para 7.905 em 2021, e o segmento da transformação emprega mais 8.000 funcionários em 157 empresas, maioritariamente mulheres no setor das conservas.

Por outro lado, lê-se ainda no estudo, apesar da frota de pequena escala representar, em 2021, 85% da frota (2.760 embarcações) e 95% das mais de 4.000 embarcações inativas em Portugal, contribuiu apenas com 11% do peso total de desembarque da frota portuguesa, enquanto as de grande escala representaram 83% e as de águas longínquas 6%.

O facto de a quota e valor dos desembarques das pescas de pequena escala e baixo impacto ser de 27% sugere um preço comparativamente elevado por peso das suas capturas, nomeadamente polvo, choco e espécies pelágicas, como a cavala e o atum bonito, que representaram cerca de 40% do peso dos desembarques em 2021.

“A boa notícia é que não é demasiado tarde e que a atual Política Comum das Pescas fornece ferramentas e orientações para que comecem a fazer o que têm a fazer e não apenas a falar. Isto é particularmente evidente e importante para Portugal, um país onde a pesca local, de pequena escala e de baixo impacto ainda é muito relevante e pode desempenhar um papel crucial no futuro das zonas costeiras e do país como um todo”, referiu o coordenador das Pescas e da Biodiversidade na Sciaena, Nicolas Blanc.

Últimas de Economia

Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes totalizavam 325.700 milhões de euros no final de fevereiro, mais 3.900 milhões de euros do que no mês anterior, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
Vários agricultores do Vale da Vilariça, no concelho de Vila Flor, ficaram sem gasóleo agrícola para trabalhar, durante alguns dias, por ter esgotado nas gasolineiras da região, estando apenas, hoje, a ser reabastecidos.
O preço eficiente do gasóleo simples em Portugal ultrapassa os dois euros por litro esta semana, enquanto o da gasolina simples 95 se aproxima desse valor, segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O investimento em construção aumentou 5,5% em 2025 e totalizou 28.012 milhões de euros, e o valor acrescentado bruto cresceu 1,7%, para 9.940 milhões de euros, ambos face a 2024, segundo a associação AICCOPN.
Metade dos consumidores portugueses apontou o aumento do custo de vida como principal motivo para dívidas, segundo um estudo da Intrum, que apontou ainda o uso do cartão de crédito nos últimos seis meses para pagar contas ou despesas.
A associação de consumidores Deco defende que as famílias adotem uma abordagem de gestão financeira mais estratégica e, assim, estarem melhor preparadas para enfrentar períodos de incerteza económica como o que se vive.
Os juros da dívida portuguesa subiam esta sexta-feira, 13 de março, a cinco e a 10 anos em relação a quinta-feira para máximos desde julho de 2024 e novembro de 2023, respetivamente.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana, com o gasóleo simples a aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a subir 10,3 cêntimos, segundo a ANAREC.
O número de edifícios licenciados diminuiu 14,2% no quarto trimestre de 2025 face ao mesmo período de 2024, ao totalizar 5,8 mil edifícios, um agravamento da redução registada no terceiro trimestre (-2,6%), anunciou hoje o INE.
As exportações de bens recuaram 14,1% em janeiro, enquanto as importações caíram 2,5%, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).