Ministra do Ambiente diz que não há garantia que o apagão não volte a acontecer

A ministra do Ambiente e Energia considerou hoje que há lições a tirar do apagão elétrico e, apesar de não haver garantia que se consegue evitar um fenómeno do género, há passos a dar para mitigar os efeitos.

©️ LUSA/ ANTÓNIO PEDRO SANTOS

“Honestamente, ninguém pode afirmar que não voltaremos a viver um apagão como o de dia 28 de abril, não há essa garantia. Mas podemos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para prevenir um evento dessa natureza e, sobretudo, mitigar drasticamente os seus efeitos caso este aconteça”, disse hoje Maria da Graça Carvalho, na abertura da conferência “Estratégia e Segurança Elétrica para Portugal”, promovida pela Ordem dos Engenheiros (OE), em Lisboa.

O reforço do investimento nas redes, armazenamento e serviços de sistema foram alguns dos pontos destacados pela ministra para prevenir um corte generalizado de energia semelhante, ou, pelo menos, os seus impactos.

“Seguramente que há aspetos em que poderíamos ter sido melhores, lições a retirar. Esta ocorrência deve levar-nos a melhorar o nosso sistema energético”, comentou a ministra, lembrando que ainda não há um diagnóstico do que realmente aconteceu. “Sabemos que a causa foi externa a Portugal”, acrescentou.

Para evitar fenómenos semelhantes, a responsável defende que o que se deve “garantir a evolução e adequação do sistema elétrico a um novo paradigma, assente na produção renovável e na descentralização e que gera naturalmente desafios”, assegurando que já estão a trabalhar nesse sentido.

Para trilhar este caminho, destaca dois pontos: “O desafio associado à recolha e gestão de dados, cujo volume e complexidade exigem soluções mais avançadas e digitais. E o desafio de garantir a capacidade de o sistema elétrico se opor às mudanças de frequência – a chamada inércia – , bem como a flexibilidade necessária à gestão da rede para assegurar a sua fiabilidade e resiliência”, acrescentou.

No que toca à direção a seguir, defende que o país já tem um rumo e “ações claras”.

“Aprovámos um Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030), que reforça a aposta nas renováveis e tem também o reforço da segurança de abastecimento nos seus objetivos estratégicos, e em fevereiro, publicámos o Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico Nacional 2025-2040, o que mostra a nossa atenção a este assunto”, destacou.

A ministra lembrou ainda que decidiram prorrogar o serviço de ‘blackstart’ (arranque autónomo) da central da Tapada do Outeiro até 31 de março de 2026.

“Estávamos já a trabalhar na decisão, que sai agora reforçada, de duplicar a capacidade de ‘blackstart’, mantendo esta valência na Tapada do Outeiro e em Castelo de Bode, enquanto será ativado pela REN o serviço de ‘blackstart’ com as centrais hídricas de Baixo Sabor e Alqueva por um período de cinco anos”, reforçou.

A Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) anunciou a criação de um comité para investigar as causas deste apagão, que classificou como “excecional e grave”, e que deixou Portugal e Espanha às escuras.

Este painel de peritos terá de elaborar um relatório factual que constituirá a base do relatório final até o prazo máximo de 28 de outubro deste ano. Já o relatório final sobre a investigação do incidente deverá ser publicado, o mais tardar, até 30 de setembro de 2026.

Últimas de Política Nacional

Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.