Governo remete para INEM explicações sobre a demora no transporte de doente

O Ministério da Saúde remeteu para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) quaisquer esclarecimentos sobre o caso do paciente que esteve mais de cinco horas para ser transportado do Hospital de Covilhã para Coimbra.

© INEM

“Estes esclarecimentos têm sido prestados pelo INEM”, afirmou o gabinete de comunicação da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que no final do ano passado anunciou que chamava a si a dependência direta do INEM, na sequência das polémicas provocadas pela greve dos trabalhadores.

A resposta enviada à Lusa pelo gabinete do MS deixa por esclarecer o que falhou para que o doente de 49 anos com um traumatismo craniano fosse transportado por um helicóptero da Força Aérea que demorou mais de cinco horas a transferir o paciente do Hospital da Covilhã para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Também o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, remeteu para o INEM a responsabilidade no transporte de doentes, sublinhando que “a transferência hospitalar não é da competência da direção executiva”.

No mesmo sentido, o presidente do sindicato dos técnicos de emergência pré-hospitalar, Rui Lázaro, defendeu que “os responsáveis têm um rosto: é o Governo e o INEM”, sendo que “o INEM não acautelou atempadamente o tempo do concurso” para a contratação do serviço aéreo de emergência médica.

O concurso público para a contratação deste serviço foi adjudicado à empresa Gulf Med Aviation Services Limited apenas no final de março.

“A empresa teve pouco mais de um mês. O Governo e o INEM deveriam ter iniciado este concurso um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde”, acusou Rui Lazaro, reiterando que os helicópteros da Força Aérea deveriam ser deslocalizados para o interior do país, onde entende fazerem mais falta.

Desde o passado dia 01 que a Força Aérea assegura o transporte de emergência médica com quatro helicópteros que deveria funcionar 24 horas por dia, mas apenas um está atualmente apto para voar à noite, numa operação transitória até que a empresa que ganhou o concurso tenha os meios suficientes.

Além destas quatro aeronaves da Força Aérea, a Gulf Med assegura, através de um ajuste direto até o contrato entrar em vigor, dois helicópteros Airbus, que ficam nas bases de Macedo de Cavaleiros e de Loulé, mas que apenas operarão no período durante o dia.

Segundo o ministro da Defesa, a Força Aérea conta com aeronaves ao serviço do INEM que estão localizadas em Beja, Montijo e Ovar.

A Lusa contactou o INEM no domingo e continua a aguardar uma resposta.

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