Operação Marquês: Sócrates teve três empréstimos simultâneos na Caixa para cobrir despesas

O antigo primeiro-ministro José Sócrates chegou a ter, em 2014, três empréstimos em simultâneo na Caixa Geral de Depósitos (CGD) para cobrir despesas que admitiu que eram "absolutamente exageradas", testemunhou hoje a sua gestora de conta à data.

© LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

No julgamento da Operação Marquês, em Lisboa, Dina Alexandre explicou, num depoimento em que foram reproduzidas várias interceções telefónicas para reavivar a memória da bancária, que José Sócrates começou por pedir, no início de 2014, um empréstimo total de 75 mil euros para suportar as suas “despesas de instalação” para estudar em Paris e do filho, então já a residir na capital francesa com a mãe, sua ex-mulher.

Em agosto, quando o financiamento baixara para 52 mil euros, o antigo primeiro-ministro (2005-2011) obteve um novo empréstimo de 40 mil euros e, no final de outubro, um terceiro de 30 mil euros, destinado a pagar parcialmente cerca de 40 mil euros que devia de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS).

Numa conversa com Dina Alexandre em 2014 ouvida hoje em tribunal a propósito deste último financiamento, José Sócrates mostrou-se surpreendido ao ser alertado pela gestora de conta que tinha despesas fixas de cerca de 15 mil euros, reagindo que “a ganhar tanto dinheiro”, estava “com as despesas absolutamente exageradas”.

À data, o ex-governante socialista tinha um salário de pelo menos 12.500 euros, por trabalhos com empresas farmacêuticas, e as despesas fixas incluíam a amortização mensal no valor de mais de 5.500 euros dos empréstimos contraídos, um pagamento mensal de outros cinco mil euros à ex-mulher e o ‘leasing’ de um automóvel Mercedes.

“Eu muitas vezes tive de lhe fazer alguma sistematização das despesas que [José Sócrates] tinha, para ele perceber que dali não passava”, sublinhou hoje Dina Alexandre, acrescentando que era por telefone que o antigo primeiro-ministro ia perguntando pelos movimentos da sua conta bancária, na qual era depositado o seu ordenado.

A bancária salientou ainda que o antigo primeiro-ministro era considerado um “cliente credível”, e que não houve qualquer tratamento especial na concessão dos empréstimos, aprovados pela direção comercial em função do “padrão de rendimentos” que havia.

Os empréstimos foram todos pagos mais tarde, depois de José Sócrates ter ficado em prisão preventiva, em novembro de 2014, com recurso ao dinheiro da venda da casa do ex-governante em Lisboa, tendo Dina Alexandre admitido hoje, a perguntas de defesa, que, caso este tivesse continuado a receber o ordenado, o financiamento teria sido devolvido no prazo estipulado de dois anos, uma vez que as prestações seriam descontadas automaticamente com a entrada dos salários.

José Sócrates, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhe são imputados.

O julgamento decorre desde 03 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

Últimas de Política Nacional

Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.