Portugal falha prazo europeu para redução de exposição ao amianto dos trabalhadores

A SOS Amianto - Associação Portuguesa de Proteção Contra o Amianto alertou hoje que Portugal falhou o prazo para a transposição da diretiva europeia que obriga à redução do limite de exposição dos trabalhadores ao amianto.

© D.R.

Segundo a SOS Amianto, os dois anos concedidos pela União Europeia a Portugal, com prazo que termina hoje, para a transposição da Diretiva (UE) 2023/2668, relativa à proteção dos trabalhadores contra os riscos de exposição ao amianto durante o trabalho “não foram suficientes”.

Portugal “não publicou o decreto-lei e o país entra hoje em incumprimento formal, permitindo que os trabalhadores portugueses continuem expostos a um risco dez vezes superior ao de outros estados-membros”, refere a associação em comunicado.

A SOS Amianto sublinha que a diretiva obriga à redução do limite de exposição para 0,01 fibras por centímetro cúbico (cm³). “Sem a transposição, os trabalhadores portugueses continuam legalmente expostos a uma concentração de fibras dez vezes superior à que a Europa considera o patamar máximo de segurança”, acrescenta a SOS Amianto.

A Comissão Europeia reforçou esta semana, num comunicado divulgado na quinta-feira, que a exposição ao amianto é responsável por 75% dos cancros profissionais na União Europeia.

No documento, a Comissão Europeia, refere que “assenta a sua informação nos dados médicos e científicos mais recentes” e que “promoverá o reconhecimento coerente destas doenças em todos os estados-membros e o apoio e a compensação necessários para os trabalhadores afetados”.

Como doenças que podem ser causadas pela exposição ao amianto durante o trabalho, a Comissão Europeia inclui os cancros da laringe, dos ovários, placas pleurais com insuficiência pulmonar e derrame pleural não maligno.

“A Comissão insta os estados-membros a tomarem medidas para garantir que os trabalhadores diagnosticados com cancro do cólon, do reto ou do estômago possam receber uma compensação quando for comprovada uma ligação à exposição ao amianto no trabalho”, refere a nota de imprensa da Comissão Europeia.

A SOS Amianto acrescenta que a nova diretiva “exige a transição da microscopia ótica para a microscopia eletrónica, a única capaz de detetar as fibras mais finas e letais de amianto”.

“Portugal continuará a utilizar métodos desaconselhados, o que resultará em falsas garantias de segurança sobre a presença de amianto em edifícios e locais de trabalho”, critica a associação.

Para a SOS Amianto, sem a lei atualizada em Portugal, as remodelações nos edifícios no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência “decorrem sem a fiscalização e os padrões de segurança atualizados”.

A associação sublinha que ao não transpor a diretiva europeia, Portugal mantém o “risco de saúde pública agravado”.

“Tal como a SOS Amianto alertou na Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República, Portugal parece preferir o risco da sanção europeia e das multas pesadas à urgência de proteger a vida daqueles que lidam diariamente com este carcinogénico. O silêncio legislativo (…) é um desrespeito pelos trabalhadores e pelas vítimas do amianto, que continuam “invisíveis” para o Estado português”, afirma a associação na nota de imprensa.

Últimas do País

A greve nacional de hoje dos enfermeiros teve uma adesão de 71,5%, estando asseguradas pelos profissionais apenas situações urgentes, segundo os dados avançados às 12:30 pelo Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP).
A PSP preparou um plano de contingência para os aeroportos de Lisboa e Faro para lidar com o aumento de passageiros durante a Páscoa, reforçando estas estruturas com mais polícias e postos de atendimento, revelou hoje aquela polícia.
Algumas das vítimas de abuso sexual na Igreja Católica já foram informadas por telefone da rejeição do seu pedido de compensação financeira, confirmou hoje fonte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
O Projeto de Lei n.º 465/XVII/1.ª do CHEGA, de alteração ao regime jurídico da atividade de TVDE, foi esta sexta-feira rejeitado com votos contra do PS, Bloco e Iniciativa Liberal e a abstenção do PSD, CDS-PP e PCP.
A greve nacional de hoje dos enfermeiros registou níveis elevados de adesão em vários hospitais do país, levando ao encerramento de blocos operatórios e de partos, segundo um primeiro balanço do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
O CHEGA viu aprovado na Assembleia da República um projeto de lei que pretende impedir cirurgias de mudança de sexo em menores de idade.
Os produtores de leite afirmam estar a enfrentar um agravamento das condições económicas marcado pela descida do preço pago à produção, pelo aumento dos custos e pela rejeição de apoios ao investimento, revelou hoje um comunicado divulgado pela APROLEP.
O Tribunal Central Criminal de Lisboa agendou para 03 de junho deste ano o início do julgamento do processo Tempestade Perfeita, relacionado com suspeitas de corrupção em obras em edifícios do setor da Defesa.
O suspeito de crimes de pornografia de menores e abuso sexual de crianças detido pela Polícia Judiciária, na quarta-feira, em Castelo Branco, ficou em prisão preventiva, disse fonte judicial à agência Lusa.
Era para ser uma obra estruturante, mas já começou a falhar antes de sair do papel: o Governo deixou escapar mais de 100 milhões de euros da “bazuca” europeia no Hospital de Todos os Santos: um projeto com mais de 40 anos, custos a disparar e um preço final que continua por esclarecer.