Governo espanhol transfere mais de 180 imigrantes ilegais para Madrid, apesar da tragédia ferroviária

Mesmo com Espanha mergulhada no luto após a tragédia ferroviária que matou 39 pessoas em Adamuz, o Governo manteve esta segunda-feira a redistribuição aérea de imigrantes ilegais a partir das Canárias, transferindo mais de 180 pessoas para Madrid.

© Facebook de Pedro Sánchez Pérez-Castejón

Apesar de Espanha ainda estar de luto pela tragédia ferroviária de Adamuz, em Córdoba, que provocou 39 mortos e dezenas de feridos, o Governo manteve esta segunda-feira a política de redistribuição aérea de imigrantes ilegais a partir das Canárias. Segundo avança o jornal espanhol La Gaceta, cerca das 7h00 da manhã mais de 180 pessoas foram encaminhadas para o aeroporto de Tenerife Norte, onde embarcaram num voo com destino a Madrid-Barajas.

A operação, realizada por uma companhia aérea comercial em articulação com uma organização não-governamental e sob coordenação da Secretaria de Estado das Migrações, prevê a chegada à capital espanhola por volta do meio-dia. Após a aterragem, os imigrantes serão encaminhados para hotéis e centros de acolhimento distribuídos pela Península.

Longe de se tratar de um episódio pontual, este transporte insere-se numa estratégia que se tem repetido desde o início do ano, refere o mesmo jornal. Só em 2026 terão sido realizados pelo menos cinco voos semelhantes a partir de Tenerife e da Gran Canária, transferindo para Madrid cerca de mil imigrantes ilegais.

Entretanto, o fluxo de entradas irregulares nas Canárias continua elevado. Em apenas 20 dias, foram registadas quase 900 chegadas, maioritariamente através de embarcações precárias provenientes da região do Sahel. Apesar de ligeiramente abaixo dos números verificados no início de 2025, estes valores duplicam os de há três anos e confirmam uma pressão migratória persistente, depois de 2024 ter encerrado com quase 40 mil entradas ilegais no arquipélago.

As previsões das forças de segurança espanholas não são animadoras e apontam para um agravamento da rota canária ao longo de 2026, impulsionado pela concentração crescente de migrantes em países como a Mauritânia, o Senegal e a Gâmbia.

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