O Tribunal de São João Novo, no Porto, foi evacuado esta quinta-feira na sequência de um alerta de bomba, ocorrido durante o julgamento de um grupo de estivadores do porto de Leixões acusados de integrar uma rede de tráfico internacional de droga com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa brasileira.
Segundo apurou o Jornal de Notícias (JN), o tribunal recebeu três chamadas telefónicas com ameaças de bomba a poucas horas da leitura do acórdão. Face à gravidade da situação, foi ordenada a evacuação imediata do edifício e acionada a Brigada de Minas e Armadilhas da PSP, que realizou buscas minuciosas em todas as instalações.
O processo envolve 13 arguidos, acusados de associação criminosa, tráfico de estupefacientes, branqueamento de capitais e posse ilegal de arma, conta o JN. Sete dos suspeitos eram estivadores em Leixões e terão recebido até 40 mil euros para retirar cocaína escondida em contentores marítimos provenientes da América do Sul.
A investigação aponta para uma estrutura criminosa com ligações ao extinto gangue de Valbom, que atuaria em articulação com um elemento do PCC responsável pela coordenação das operações no Porto. O esquema permitia a entrada de centenas de quilos de cocaína em território nacional, explorando falhas nos controlos portuários e o acesso privilegiado dos trabalhadores às cargas.
O alerta de bomba surgiu num momento crítico do processo judicial e levanta suspeitas de uma tentativa de intimidação da justiça, num caso que expõe a penetração do crime organizado internacional em infraestruturas estratégicas do país.
As autoridades continuam a investigar a origem das ameaças. O julgamento será retomado assim que estejam reunidas todas as condições de segurança.