CHEGA quer reforçar meios para apreender bens de origem criminosa

O CHEGA, o maior partido da oposição, apresentou na Assembleia da República um projeto de lei que visa reforçar significativamente o regime de perda de bens, instrumentos e vantagens resultantes de atividade criminosa, defendendo que o Estado deve ser mais eficaz a retirar ao crime organizado os meios financeiros que o sustentam.

© Folha Nacional

A iniciativa propõe alterações ao Código Penal, ao Código de Processo Penal e a legislação complementar, com o objetivo de acelerar e tornar mais eficaz a apreensão, administração e perda definitiva de bens de origem criminosa, mesmo em situações em que o processo criminal seja extinto por prescrição, morte do arguido ou outras causas legais.

Na exposição de motivos, o partido sustenta que fenómenos como a criminalidade organizada, o tráfico de droga, a corrupção, o branqueamento de capitais e o tráfico de seres humanos têm vindo a fragilizar a confiança dos cidadãos no sistema de justiça, permitindo que organizações criminosas acumulem património ilícito que o Estado nem sempre consegue recuperar.

Entre as principais medidas propostas está o reforço do regime de perda alargada de bens, permitindo ao tribunal declarar perdidos bens manifestamente desproporcionados face aos rendimentos lícitos conhecidos, bem como o alargamento dos prazos de prescrição da perda patrimonial, que podem atingir 25 anos em casos de criminalidade organizada, corrupção ou terrorismo.

O projeto prevê ainda o reforço do papel do Gabinete de Recuperação de Ativos, facilitando a identificação, congelamento e apreensão de património ilícito, incluindo bens localizados em jurisdições consideradas de risco pela União Europeia ou pelo Grupo de Ação Financeira Internacional.

Segundo o CHEGA, a proposta procura alinhar a legislação nacional com as orientações europeias e afirmar o princípio de que “o crime não pode compensar”, garantindo que os recursos obtidos de forma ilícita sejam recuperados pelo Estado e, sempre que possível, afetos a fins de interesse público, como o reforço dos meios das forças de segurança e da investigação criminal.

O projeto será discutido no plenário nas próximas semanas.

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