Dois milhões de cheques-dentista para crianças e jovens nunca foram usados

Mais de dois milhões de cheques-dentista destinados a crianças e jovens nunca foram utilizados, em muitos casos porque as famílias desconheciam o programa ou não sabiam como usar o programa que desde 2008 oferece consultas gratuitas.

© D.R.

O alerta é da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), que critica os médicos e as escolas que não conseguem promover devidamente o programa que oferece consultas e tratamentos dentários gratuitos.

Desde 2008, foram emitidos mais de 7,5 milhões de vales para crianças e jovens até aos 18 anos, mas só foram usados 5,1 milhões, segundo o mais recente relatório da OMD, que recolheu dados até julho de 2025.

Mais de dois milhões de consultas gratuitas nunca saíram do papel.

O número preocupa o bastonário da OMD que aponta vários motivos para a “baixa utilização” deste benefício, num país onde 22% dos portugueses não vai ao dentista por questões económicas.

“O grande problema dos cheques dentista é que são emitidos mas a população não acede a eles, em grande parte por displicência e desconhecimento dos médicos de família e das escolas que não têm mecanismos verdadeiramente ativos para promover o programa”, lamentou o bastonário Miguel Pavão em declarações à Lusa.

Sofia Branco é mãe de um rapaz de 10 anos e a sua história corrobora este alerta.

No final do ano passado contactou o centro de saúde para marcar ‘check-up’ médico. A higienista oral confirmou que o Pedro tinha direito a uma consulta gratuita, mas teria de esperar pelo documento entregue pela escola.

Em janeiro, Sofia Branco iniciou uma troca de e-mails com a escola, que lhe disse desconhecer quando chegariam os vales. Já em meados de fevereiro, a mãe voltou a questionar a escola, explicando que tinha urgência uma vez que o filho tinha já uma consulta marcada e gostaria “de poder usar aquilo a que tem direito”.

Como o agrupamento de escolas Luís de Camões admitiu não ter “nenhuma indicação sobre o assunto”, perguntou a quem poderia então recorrer.

Os e-mails terminaram com a escola a informá-la de que, por ser “um programa nacional, não existe nenhuma entidade a que possa recorrer. O cheque dentista é enviado para a escola e esta faz a distribuição do mesmo”. Sofia Branco continua à espera do cheque-dentista.

O estudo da OMD confirma que o caso desta família não é uma exceção: 11,5% dos utentes disse não saber como obter ou usar o cheque dentista.

No norte, há historias parecidas, de famílias preocupadas por ainda não terem recebido os cheques.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), Filinto Lima, algumas escolas já distribuíram os vales enquanto outras não, “porque ainda não os receberam, mas os pais ficam preocupados e ligam a perguntar o que se passa”.

“Os pais começam a ficar aflitos porque sabem que há um prazo para usar o cheque e depois têm pouco tempo para o utilizar”, acrescentou Filinto Lima.

Uma das principais razões da não-utilização dos vales é precisamente o facto de perderem a validade. Foi pelo menos essa a resposta de 23,1% das pessoas que não beneficiaram deste direito, segundo o relatório da OMD.

Para o bastonário, a emissão dos cheques dentista já devia ter sido desmaterializada, mas “esta é uma promessa que ainda não passou do papel”.

Miguel Pavão critica também a inação do Governo, lembrando que o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral terminou em dezembro de 2025 e ainda não foi apresentado um novo.

O bastonário critica o Governo por continuar sem fazer um estudo nacional das prevalências das doenças orais, lembrando que o último tem mais de uma década: “Como vão desenhar uma nova política se o estudo que deveria consubstanciar as necessidades e orientar o programa não é feito?”, questiona.

“Este ministério da Saúde vai lidando com os assuntos numa estratégia mediática. Não é um Governo com uma visão reformista. Já deveria ter sido lançado outro programa nacional, era suposto acontecer dia 19, mas acabei de saber que a secretária de estado não o vai lançar”, lamentou.

A Lusa questionou a Direção-Geral da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde e o Ministério da Saúde, mas nenhuma das entidades respondeu às perguntas.

Últimas do País

O Instituto da Segurança Social alertou hoje para uma tentativa de fraude por SMS ou e-mail sobre uma suposta ativação da autenticação de dois fatores, instando os cidadãos a não clicarem em nenhum 'link' e apagarem a mensagem.
Mais de dois milhões de cheques-dentista destinados a crianças e jovens nunca foram utilizados, em muitos casos porque as famílias desconheciam o programa ou não sabiam como usar o programa que desde 2008 oferece consultas gratuitas.
A Região de Leiria perdeu cerca de 30% da sua riqueza regional em pouco mais de duas horas, na madrugada de 28 de janeiro, revelou hoje o secretário executivo daquela Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os distritos de Leiria e Lisboa viram hoje serem agravados os avisos meteorológicos de vento e agitação marítima para sexta-feira, que passaram a laranja numa atualização do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal Constitucional rejeitou o recurso apresentado pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da Spinumviva no seu registo de interesses, mas a decisão não é definitiva porque que foi pedida a sua anulação.
Três homens foram detidos e nove pessoas constituídas arguidas numa operação da Polícia Judiciária que desmantelou uma rede suspeita de introduzir substâncias proibidas no meio prisional. A investigação levou a buscas em várias cidades e resultou na apreensão de armas, dinheiro e criptoativos avaliados em cerca de 150 mil euros.
Um grupo de cientistas, coordenados pela Universidade de Coimbra (UC) e pela Universidade de Lund (Suécia), reprogramou pela primeira vez em laboratório um tipo de célula do sistema imunitário que atua na primeira linha da defesa tumoral.
O Infarmed alertou para a indisponibilidade do fármaco Mononitrato de Isossorbido Mylan 60, para o tratamento da angina de peito, até 30 de junho, recomendando alternativas terapêuticas e a dispensa limitada nas farmácias para garantir 'stock'.
Um homem, de 46 anos, foi detido na quarta-feira por suspeita de incêndio florestal, em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, originado por uma queimada, indicou hoje a GNR.
Um professor de 65 anos foi hoje condenado pelo Tribunal Judicial de Leiria a três anos de prisão, pena suspensa por igual período, pela prática de sete crimes de abuso sexual de crianças.