Unidade da Voz alerta para casos de HPV em crianças e risco de traqueostomia

A coordenadora da Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz alertou hoje para o aumento de casos do Vírus do Papiloma Humano (HPV) na laringe, incluindo em crianças, algumas das quais chegam a necessitar de traqueostomia para conseguir respirar.

© D.R.

“Há crianças que já nasceram com o HPV”, afirmou Clara Capucho à agência Lusa, explicando que o problema está ligado à transmissão do vírus durante o parto.

A cirurgiã otorrinolaringologista, pioneira no estudo da voz em Portugal, sublinhou que o HPV na gravidez “é um foco de preocupação”, porque o bebé pode aspirar o vírus ao passar pelo canal de parto.

Muitos desses casos ocorrem em mulheres imigrantes que não estão vacinadas contra o HPV e, principalmente, quando o parto é realizado por via vaginal.

Segundo o especialista, muitas dessas crianças desenvolvem HPV na laringe nos primeiros anos de vida, o que pode levar “a situações dramáticas”, em que é necessária a realização de uma traqueostomia (abertura no pescoço) para poderem respirar, ficando também com a voz alterada.

“Felizmente, há algumas crianças que, ao longo da vida e com a imunidade, acabam por debelar e suprimir a manifestação do HPV, mas é muito preocupante”, afirmou, explicando que, nas situações mais graves, as crianças enfrentam um “longo caminho” de cirurgias e acompanhamento.

O especialista contou que na Unidade da Voz da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, que funciona no Hospital Egas Moniz, acompanha atualmente crianças que chegaram com quatro anos e hoje têm 12 e 13 anos.

“Já não temos traqueostomia e já temos uma voz normal, mas temos que fazer uma vigilância apertada, porque é um vírus, e como tal é curado pela própria pessoa. Nós só temos que debelar [o vírus] e evitar que avance quando estiver na laringe, para não obstruir a parte respiratória e para que a voz se mantenha o melhor possível”, explicou.

Segundo Clara Capucho, já foram registados “muitos casos” em Portugal, sobretudo de crianças oriundas da América Latina, Cabo Verde e Angola.

A par desta realidade pediátrica, a Unidade da Voz também identificou um aumento significativo de HPV na laringe em adultos nos rastreios que realizam.

“Das patologias benignas, o que ultimamente temos vindo a deparar é com muito HPV na laringe. Isto tem a ver com os hábitos sexuais” e também com a globalização, com maior circulação de pessoas e contacto com populações onde estas patologias existem com algum predomínio.

Neste momento, afirmou, “o HPV é uma situação que preocupa muito, porque não é 100% benigno”: “Embora seja uma infecção viral que apanha as cordas vocais, que desenvolve um papiloma com aspecto couve-flor que vai obstruir a respiração”, não pode ser curada, tem que ser o próprio organismo a fazê-lo.

Por outro lado, a multiplicação deste vírus pode levar a um tumor maligno, sendo muito associada ao cancro da laringe, disse Clara Capucho, que conversou com a agência Lusa a propósito do Dia Mundial da Voz, realizado a 16 de abril.

O especialista destacou a importância da vacinação contra o HPV constante do Programa Nacional de Vacinação para rapazes e raparigas, mas alertou que “há uma população mais tardia” que ficou de fora.

Defendeu ser necessário compensar estratégias de proteção ao longo da vida, uma vez que é um “vírus que é predominante”, e alertou que, “desde as últimas epidemias e pandemias”, o organismo das pessoas “ficou muito mais sensível à parte viral” e “muito mais à prova”.

No rastreio realizado no ano passado pela Unidade da Voz, foi identificado o HPV em 21% das 120 pessoas avaliadas e foram detectadas leucoplasias em 7% dos casos, uma lesão branca da mucosa potencialmente maligna. Foram ainda detectadas cerca de 60% de situações de refluxo, uma patologia que também preocupa por ser “cáustica” e poder alterar as células da laringe, podendo contribuir, em conjunto com outros fatores, para o desenvolvimento do carcinoma da laringe.

Fundada em 2005, a Unidade de Voz realiza campanhas de rastreio, com avaliação da voz, dos hábitos e dos sintomas dos usuários, bem como observação direta das cordas vocais.

“A finalidade do rastreio é o diagnóstico precoce da patologia que pode ser revertido e curado ou, quando não é curado, causar a menor mutilação possível”, explicou o fundador do serviço.

Para assinalar o Dia Mundial da Voz, serão realizados rastreios gratuitos, entre 14 e 17 de abril, na Unidade da Voz do Hospital Egas Moniz, com o apoio da Fundação GDA.

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