CHEGA acusa Governo de “desleixo” na saúde e pede solução até março

O presidente do CHEGA acusou hoje o Governo de desleixo na área da saúde e desafiou-o a encontrar uma solução até março, defendendo uma "conjugação de esforços" entre os setores público, privado e social.

© Folha Nacional

“Eu acho que mostra bem o desleixo que o Governo português está a dar à saúde neste momento”, afirmou, criticando o primeiro-ministro por não ter referido este tema na mensagem de Natal.

André Ventura considerou que “o país vive uma das maiores crises da sua história no acesso” ao SNS e apontou “uma situação de grande constrangimento no funcionamento da saúde em Portugal, com vários hospitais a funcionar com limitações”.

“Eu aconselharia o Governo, em vez de querer andar rápido com negócios de obras e adjudicações, quer no TGV, quer nos contratos públicos, eu diria que era importante, até março, até ao dia das eleições, dar pelo menos uma solução à saúde”, desafiou.

O líder do CHEGA afirmou existir uma “completa ausência de respostas nesta matéria, com o Governo a justificar-se e a defender-se com o facto de que está num período já de finalização do mandato, como se isso já não fosse com ele”.

“Até ao dia 10 de março, e provavelmente até ao fim de março, este é um tema do Governo e é um tema que o Governo tem que fazer alguma coisa”, insistiu, afirmando, no entanto, não ter “grande esperança na resolução deste problema”.

O presidente do CHEGA falava aos jornalistas antes de uma visita ao Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis), seguido de um breve contacto com a população em Moscavide, no concelho de Loures (distrito de Lisboa).

André Ventura apontou como soluções uma “conjugação de esforços” com os setores social e privado, “para quando o setor público não conseguir dar essas respostas, que sejam esses setores, as misericórdias, o setor social, o setor privado, a dar essas respostas”.

“Pode afetar mais recursos humanos e pode fazer sobretudo protocolos, que era o que nós faríamos numa situação de emergência, para garantir que as pessoas são atendidas e que o Estado comparticipa esse custo para as pessoas”, acrescentou.

Outra proposta do líder do CHEGA passa pela não entrada em vigor do novo modelo de organização, com a criação de 31 novas unidades locais de saúde.

“Faz sentido nomear 300 pessoas para unidades locais de saúde novas quando o governo vai deixar estar em funções a 10 de março?”, perguntou André Ventura, dirigindo-se ao ministro da Saúde, voltando a questionar: “faz sentido testar um novo modelo quando estamos num pico de crise de urgências e de acessos à saúde”?

E deu a resposta: “Não, em nenhum dos casos faz sentido”.

Ventura defendeu também que o Governo deve “sentar-se à mesa com os diferentes setores e chegarem a uma conclusão de que é preciso puxar por todas as energias para resolver o problema”.

“O Governo passou anos hostilizar os médicos, a hostilizar o setor social ou a hostilizar o setor privado, é normal que estes agora virem as costas também. O que eu peço a todos é que ponham a população em primeiro lugar e que não entremos aqui numa guerra”, apelou.

No final da visita ao Cometlis, o presidente do CHEGA falou novamente aos jornalistas e defendeu que também a PSP e a GNR devem receber o suplemento de missão aprovado para a Polícia Judiciária, indicando que essa será “uma das prioridades, se houver uma maioria de direita no parlamento” depois das eleições legislativas de março.

“É uma das nossas grandes exigências para a formação de qualquer alternativa é que este que esta dignificação da PSP e da GNR aconteça”, adiantou.

André Ventura indicou também que o Governo questionou o Governo sobre o pagamento dos serviços efetuados durante a Jornada Mundial da Juventude, que decorreu em agosto.

Na ocasião, o presidente do CHEGA fez ainda questão de comentar uma recente entrevista do presidente da Assembleia da República, na qual Augusto Santos Silva acusou a procuradora-geral da República de ter uma “cultura pouco democrática”.

André Ventura acusou a segunda figura do Estado de ter feito um “ataque desavergonhado” a Lucília Gago e “ao Ministério Público enquanto instituição”.

“Quando não gostam, quando lhes toca a eles, começam um ataque velado, baixo, soez, às instituições”, acusou, afirmando que “o PS é um partido muito pouco democrático quando toca a ele, [mas] quando toca aos outros é o partido mais democrático do mundo”.

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