Alto-comissario da ONU exige investigação a assassinatos nos protestos pós-eleitorais na Venezuela

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, exigiu hoje uma “investigação rápida e eficaz” a pelo menos 28 assassinatos nos protestos organizados na Venezuela após as eleições presidenciais de julho.

O apelo foi feito a propósito de uma atualização sobre a situação na Venezuela apresentada ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, na qual Türk também pediu que continue a libertação dos detidos arbitrariamente.

“Isto inclui os casos de defensores dos direitos humanos [detidos arbitrariamente] como Rocío San Miguel e Javier Tarazona, bem como de trabalhadores humanitários”, referiu.

Segundo o alto-comissário, as autoridades venezuelanas confirmaram a detenção de cerca de 2.000 pessoas no contexto dos protestos pós-eleitorais, das quais cerca de uma centena foram libertadas condicionalmente.

“Preocupa-me que muitos dos detidos tenham sido detidos arbitrariamente, incluindo adolescentes e jovens, membros da oposição, defensores dos direitos humanos, jornalistas, advogados” ou pessoas que simplesmente se encontravam no local onde decorriam os protestos, disse Türk.

O responsável do gabinete das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou ainda preocupação com a utilização pela Venezuela de legislação antiterrorista contra os manifestantes e com relatos de possíveis desaparecimentos forçados e maus-tratos.

“Exorto as autoridades a cumprirem as suas obrigações para garantir que as condições de detenção correspondem às leis internacionais. Devem fornecer alimentação adequada, água e cuidados médicos aos detidos, muitos dos quais estão presos em celas sobrelotadas e com necessidade urgente de cuidados de saúde”, assegurou.

Türk indicou ainda que defensores dos direitos humanos, dirigentes sindicais, responsáveis da imprensa, membros da oposição e outros atores sociais são vítimas de ameaças e assédio.

“Muitos deixaram a Venezuela, pelo que encorajo os Estados da região a garantirem a sua proteção e a adotarem uma atitude flexível em relação a documentos de identidade expirados”, apelou.

O alto-comissário denunciou também a cessação das operações de várias organizações não-governamentais face a pressões como detenções, vigilância e cancelamento de passaportes, o que, nas suas palavras, “contribui para um clima de medo e tensão social que impede as organizações da sociedade civil de realizarem o seu importante trabalho”.

“Visitei a Venezuela há quase dois anos, sinto que a população do país viveu tempos muito difíceis e vejo que a sociedade precisa curar-se, superar as divisões e a polarização e iniciar um diálogo inclusivo”, disse o alto-comissário.

Türk reiterou ainda que o Alto Comissariado da ONU na Venezuela retomou parcialmente as suas atividades nas últimas semanas, depois de terem sido suspensas em fevereiro por ordem das autoridades, e está a fazer todos os esforços para garantir que o regresso seja completo.

“O meu gabinete pode desempenhar um papel importante na construção de pontes entre as instituições do Estado e o povo da Venezuela”, sublinhou.

A exposição de Türk foi, no entanto, rejeitada pelo embaixador venezuelano na ONU em Genebra, Alexander Yánez, que garantiu que “posições como a que tinha sido pronunciada pelo alto-comissário afetam a credibilidade do sistema das Nações Unidas e, em particular, do sistema de direitos humanos”.

“Exigimos que respeitem as instituições venezuelanas e convidamo-los, mais uma vez, a refletir sobre o vosso papel de imparcialidade e objetividade na promoção e proteção dos direitos humanos”, acrescentou o chefe da missão.

“Não é com medidas coercivas, nem com mandatos impostos, nem com maior pressão contra a Venezuela e muito menos com diplomacias do engano, que vocês, senhores imperialistas, vão alcançar os vossos objetivos na Venezuela”, proclamou Yánez.

Últimas do Mundo

Um esquema que terá durado 20 anos está agora em tribunal em Valladolid. A acusação diz que uma funerária retirava os caixões antes da cremação e voltava a vendê-los a outras famílias.
Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.
O calor extremo aumentou cerca de 10 vezes na maioria das regiões da Europa central e do sul entre 2010 e 2024, em comparação com o período 1961/1990, indica um estudo divulgado hoje.
Um homem de nacionalidade sueca, procurado pela Interpol e que detinha passaporte diplomático como conselheiro especial do Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, foi detido pela Polícia Judiciária são-tomense, na ilha do Príncipe, disse hoje à Lusa fonte judiciária.