Presidentes de quatro Juntas de Lisboa acusados de mercadejar o cargo

O Ministério Público (MP) acusou os presidentes das Juntas da Estrela, de Santo António, do Areeiro e da Penha de França, todas em Lisboa, de mercadejar o cargo em troca de contrapartidas financeiras e de apoio político.

© D.R.

O MP pede na acusação da operação Tutti-Frutti a perda de mandato de Luís Newton (PSD), Vasco Morgado (PSD), Fernando Braamcamp (PSD) e Ana Sofia Oliveira Dias (PS), acusados de corrupção, por agirem em favor dos negócios e dos interesses pessoais do deputado do PSD Carlos Eduardo Reis, do ex-deputado Sérgio Azevedo e do antigo vice-presidente da concelhia de Lisboa do PSD Paulo Quadrado.

Quanto a Luís Newton, a acusação do MP, a que a Lusa teve acesso, refere que o presidente da Junta da Estrela “desencadeou, conduziu e concluiu” procedimentos ilegais que culminaram na aquisição de serviços prestados por sociedades geridas por Carlos Eduardo Reis e na contratação de pessoas amigas e próximas de Sérgio Azevedo, como a mãe do antigo deputado na Assembleia da República (AR).

Em 2013, Sérgio Azevedo solicitou a Luís Newton, atual deputado na AR, que contratasse a sua mãe “como prestadora de serviços da Junta com a categoria de técnica superior e a abonasse com uma retribuição que lhe permitisse manter o respetivo estilo de vida”.

Entre final de 2013 e 2018, a mãe do ex-deputado, contratada para o atendimento, auferiu mais de 114 mil euros (perto de 1.600 euros mensais).

O MP diz que só em 2018 é que foi publicada uma versão do contrato em minuta e não assinada no Portal Base, acrescentando que a contratação “não visou a satisfação de uma necessidade” da Junta nem a retribuição paga “era compatível com as funções exercidas, correspondendo a mais do triplo da retribuição das funcionárias da Junta de Freguesia de Estrela que exerciam as mesmas funções”.

A acusação descreve outros negócios acordados entre estes dois arguidos, como a contratação pela Junta da Estrela de ‘workshops’ nas áreas das artes e do desporto ou na aquisição de dezenas de portáteis, de software informático ou de televisões, recebendo Luís Newton e Sérgio Azevedo “contrapartidas patrimoniais” das empresas contratadas.

Na Junta de Freguesia de Santo António, o MP salienta que Vasco Morgado também “acedeu a mercadejar” o cargo “a troco do apoio político e partidário que recebia e esperava continuar a receber de Sérgio Azevedo e de Nuno Firmo” que, desde junho de 2015, era o presidente do Núcleo Ocidental de Lisboa do PSD, sendo Vasco Morgado vice-presidente.

“Vasco Morgado agiu ainda conforme acordado com Sérgio Azevedo, com o propósito concretizado de beneficiar a [sociedade] NTW e, em última instância Nuno Firmo e Sérgio Azevedo, desencadeando, conduzindo e adjudicando procedimento de contratação pública, em nome da Freguesia de Santo António, pela prestação de serviços de consultoria que não seriam, como não foram, prestados”, indica a acusação.

Vasco Morgado “desencadeou, conduziu e concluiu procedimentos” em violação das regras, que culminaram com a contratação de outras sociedades.

No âmbito de “um esquema delineado” pelo arguido Paulo Quadrado no início do mandato autárquico 2013-2017, prolongando-se nos mandatos seguintes, Fernando Braamcamp, Ameetkumar Subhaschandra e Patrícia Leitão, presidente, tesoureiro e vogal na Junta do Areeiro, contratualizaram empresas do ex-vice da concelhia lisboeta do PSD para a prestação de serviços na área Social.

Em troca, diz o MP, os três autarcas arguidos receberiam “apoio político presente e futuro, por via do exercício da influência de Paulo Quadrado no seio da Comissão Política da Secção de Lisboa do PSD”.

Quanto à presidente da Junta da Penha de França, o MP diz que, em 2015, Sofia Oliveira Dias se encontrou com Sérgio Azevedo, o qual lhe transmitiu que o arguido Nuno Firmo era gerente de uma empresa de serviços tecnológicos, acrescentando que se a mesma “viesse a ser a escolhida, ambos ganhariam quantias monetárias a troco dessa adjudicação”, o que viria a acontecer.

Últimas do País

Partido liderado por André Ventura foi impedido de divulgar uma mensagem política junto à Assembleia da República e avança com uma queixa-crime.
Homem de 63 anos entrou nas urgências do Hospital de Portalegre com dores no peito, recebeu pulseira verde e morreu enquanto aguardava para ser observado. Ministério Público abriu um inquérito.
A GNR de Vila Real identificou 47 pessoas na zona do Gerês, em Montalegre, e uma em Sabrosa por permanecerem em espaço florestal que é proibido durante o período de situação de alerta, disse hoje fonte policial.
Os três suspeitos detidos na quarta-feira por alegada ligação a uma rede organizada de roubos violentos contra idosos e pessoas vulneráveis, nos concelhos de Olhão e Faro, vão ficar em prisão preventiva, informou hoje a GNR.
Tribunal foi informado de que o suspeito desrespeitava a ordem de afastamento, mas nada aconteceu. Homem só acabou preso após voltar a atacar.
Empresa com apenas 14 trabalhadores desenvolveu a plataforma digital dos exames nacionais. Ministério da Educação continua sem esclarecer qual foi o seu papel nas falhas que continuam a afetar mais de 160 mil alunos.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) teve cerca de 60 pedidos de intervenção após uma centena de reclamações de clientes na sequência do mau tempo no início do ano, segundo dados enviados à agência Lusa.
Cerca de 50 municípios do interior Norte e Centro e um concelho do distrito de Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Provedoria de Justiça está a analisar a situação da falta de abastecimento de água em Almada, no distrito de Setúbal, na sequência de queixas apresentadas por moradores no concelho.
Os cortes noturnos de água no concelho de Almada, no âmbito das medidas para se restabelecerem reservas, vão realizar-se esta noite nas localidades de Trafaria, Raposeira, Corvina, Fonte Santa, Banática e Porto Brandão, anunciou a autarquia.