É a primeira vez na história da democracia portuguesa que há um inquérito-crime por declarações de Deputados no Parlamento

O Ministério Público instaurou um inquérito-crime a André Ventura e Rita Matias por declarações feitas no Parlamento. Trata-se de algo inédito na democracia portuguesa, uma vez que, de acordo com o jornal Público, não há registo de investigações criminais motivadas por intervenções realizadas em plenário.

© Folha Nacional

A Procuradoria-Geral da República confirmou esta quarta-feira a abertura do inquérito, na sequência da menção de nomes de crianças imigrantes matriculadas numa escola de Lisboa por parte de André Ventura, durante o debate parlamentar sobre as alterações à Lei da Nacionalidade, no início de julho.

Posteriormente, Rita Matias voltou a referir os nomes num vídeo partilhado nas redes sociais.

O caso está a gerar preocupação entre antigos parlamentares e constitucionalistas, que temem a criação de um precedente no que diz respeito à liberdade de expressão e à imunidade parlamentar.

É a primeira vez que um inquérito incide diretamente sobre declarações proferidas no plenário da Assembleia da República.

Em conferência de imprensa na sede nacional do CHEGA, em Lisboa, André Ventura reagiu classificando o caso como “uma questão de liberdade política, de acção política e de discurso político”.

O processo levanta agora questões sobre os limites da liberdade de expressão no exercício de funções parlamentares. Trata-se de um cenário sem precedentes em Portugal, embora mais comum em países com regimes autoritários.

Últimas de Política Nacional

Referências às FP-25 e acusações sobre a Constituinte levam antigos deputados da extrema-esquerda e da esquerda a sair do hemiciclo em protesto. "Essa é a verdade! Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma", diz o presidente do CHEGA quando começam a abandonar a sala.
André Ventura defende a abertura de um debate e a revisão da Constituição, no ano em que se assinalam os seus 50 anos, criticando referências à extrema-esquerda e recordando vítimas de violência política.
O CHEGA apresentou um projeto de resolução no Parlamento onde defende um reforço das medidas de proteção para os cidadãos portugueses e lusodescendentes que vivem na Venezuela, face à instabilidade política e social que continua a marcar o país.
Portugal passa a ter uma nova lei da nacionalidade, com o CHEGA a garantir a introdução da perda de nacionalidade para condenados por crimes graves.
O presidente do CHEGA propõe a criação de uma pena acessória de perda de nacionalidade para condenados e rejeita a atribuição meramente formal da cidadania, defendendo uma ligação efetiva a Portugal.
A nova empresa do ex-ministro do Ambiente do PS Duarte Cordeiro, a consultora Shiftify, concentra figuras com ligações ao Partido Socialista na sua estrutura.
O CHEGA garantiu a aprovação de um conjunto de alterações profundas ao modelo de mobilidade aérea para as Regiões Autónomas, numa decisão que o partido considera essencial para pôr fim às falhas que têm marcado o acesso às ligações entre o continente, a Madeira e os Açores.
O presidente do CHEGA revelou hoje que não foi possível chegar a acordo sobre a lei da nacionalidade e vai avançar com “propostas próprias e autónomas”, acusando o PSD de não conseguir “ser menos socialista do que os socialistas”.
O CHEGA quer que os profissionais da Força Especial de Proteção Civil passem a ser reconhecidos como profissão de desgaste rápido, defendendo que as funções que exercem justificam regras específicas no acesso à aposentação.
A carga fiscal em Portugal manteve-se em níveis elevados em 2025, fixando-se nos 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ligeiramente acima dos 35,2% registados no ano anterior.