Calçado português espera ano de consolidação apesar de instabilidade internacional

A indústria do calçado nacional antecipa que este será um ano de consolidação nos mercados internacionais, apesar da instabilidade, com o setor a exportar 90% da sua produção.

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“Nós temos a expectativa de que o ano de 2025 seja de consolidação do calçado português nos mercados internacionais”, afirmou o porta-voz e diretor de comunicação da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seu Sucedâneos, Paulo Gonçalves, em declarações aos jornalistas, na feira de calçado MICAM, que decorre em Milão.

De acordo com a associação, o setor já exporta mais de 90% da sua produção para praticamente todo o mundo, não estando assim dependente de um único mercado, o que considerou ser “altamente vantajoso” para a indústria nacional.

Ainda assim, Paulo Gonçalves lembrou que o mercado internacional está “profundamente instável” e que os dois últimos anos foram conjunturalmente difíceis para a fileira da moda e, em particular, para as empresas portuguesas.

A APICCAPS diz assim ser impossível fazer previsões para os próximos meses ou sequer para os próximos anos.

Em 27 de julho, a União Europeia e os Estados Unidos chegaram a um acordo comercial que prevê a imposição de tarifas aduaneiras de 15% sobre os produtos europeus.

Para a associação, este acordo pode ser vantajoso para Portugal, tendo em conta que os grandes ‘players’ internacionais vão estar sujeitos a tarifas mais altas, como a China, que vai pagar 30%.

Por sua vez, a Índia vai ter uma tarifa de 50%, à semelhança do que vai acontecer com o Brasil, enquanto a do México será na ordem dos 25%.

“Na cena competitiva e internacional nós até ficamos relativamente bem posicionados, agora também não escondemos que se as empresas, nomeadamente, asiáticas, tiverem mais dificuldades de exportar para os EUA, podem fazer-nos concorrência noutros mercados estratégicos”, apontou Paulo Gonçalves.

O porta-voz da associação dos industriais de calçado disse ainda que Portugal funciona, muitas vezes, como “um tubo de ensaio”, uma vez que o país faz opções arrojadas na escolha dos seus sapatos e dos produtos que são utilizados para a sua fabricação.

Contudo, avisou que é preciso “fazer pedagogia” junto dos consumidores, explicando que o facto de o calçado ter materiais reciclados não quer dizer que seja mais barato.

Ainda assim, apontou que o consumidor faz hoje escolhas mais conscientes – compra menos, mas opta por calçado “mais amigo do ambiente” e há ainda quem regresse ao passado, recuperando os sapatos.

Já no que se refere aos apoios para as empresas, Paulo Gonçalves referiu que, na transição entre quadros comunitários, as ajudas são “mais burocráticas e mais lentas”.

Apesar disso, em termos da promoção comercial externa, em 2023-2024, 80% dos incentivos já foi pago às empresas.

A APICCAPS espera agora que, até ao final do mês, as ajudas de 2025 estejam regularizadas.

O Governo português assegurou hoje, em Milão, que vai acelerar e desburocratizar o apoio às empresas, nomeadamente para a internacionalização, e afirmou que os casos de fraude são pontuais.

A feira MICAM, que celebra 100 edições, conta com mais de 1.000 marcas e espera cerca de 42.000 visitantes.

No certame estão 42 empresas portuguesas.

Segundo os dados disponibilizados pela APICCAPS, no primeiro semestre de 2025, as exportações portuguesas de calçado aumentaram 3,7% em valor para 843 milhões de euros.

Entre janeiro e junho, foram exportados 36 milhões de pares, mais 5,4%.

Em 2024, as exportações do ‘cluster’ do calçado atingiram 2.147 milhões de euros.

No ano passado, Portugal produziu 80 milhões de pares de sapatos, sendo que 68 milhões de pares foram exportados, no valor de 1.724 milhões de euros.

O calçado português foi, neste período, comercializado em mais de 170 países e o Belize foi o mais recente destino.

O Plano Estratégico do Cluster do calçado prevê um investimento de 600 milhões de euros até 2030.

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