O que hoje se vive em Portugal não é apenas uma crise política ou económica; é um colapso civilizacional imposto por uma classe dirigente traidora e complexada. Livremo-nos do espartilho do politicamente correcto e exponhamos a conexão viciosa entre três flagelos contemporâneos: a subserviência histórica, a frivolidade política e a falência dos serviços essenciais.
A candidatura bizarra de Manuel João Vieira à Presidência da República — o “candidato dos Ferraris e do vinho canalizado” — não é uma anedota, é o retrato cínico do nosso Estado. Vieira é a encarnação do niilismo político e a prova de que a República transformou a sua função mais solene num palco de pantomima.
O sistema dá-lhe palco porque ouvi-lo prometer o que é impossível é menos perigoso do que o “populismo” de intervenção que denuncia a traição das elites. Ao ridicularizar o patriotismo e o debate sério, Vieira serve os interesses de quem quer manter o status quo de mediocridade.
O pensador francês Alain de Benoist oferece-nos a sua chave para este entendimento: “Um indivíduo que não é encarado como pessoa… mas como um indivíduo fora das suas raízes e das suas tradições.”
Esta cultura de frivolidade e descompromisso é a mesma que permitiu a humilhação nacional protagonizada por Marcelo Rebelo de Sousa face ao Presidente de Angola, João Lourenço. Quando o angolano de alto gabarito se atreveu a classificar a presença multissecular de Portugal como uma mera “era de exploração e escravidão”, os portugueses esperaram a voz da honra. Mas em vez disso, obtiveram o silêncio cúmplice do Presidente Marcelo. A atitude deste, ao permanecer inactivo, validou a reescrita da História e abriu a porta à agenda perigosa de reparações financeiras a que a Esquerda complexada já acenava há algum tempo. O que se esperava era uma defesa, elegante, mas intransigente da Pátria.
O húngaro Viktor Orbán sublinha, ao seu estilo, esta necessidade de soberania inegociável: “O nosso povo tem o direito de decidir a sua vida e a sua História. Ninguém de fora tem o direito de nos dizer como devemos viver.”
Portugal aceitou assim, que uma potência estrangeira, com um registo de corrupção interna duvidoso, usasse a História como uma arma para a extorsão moral e financeira.A ligação entre a humilhação histórica e o espectáculo político reside na falência funcional do Estado. Num país fundido, a imagem das grávidas a dar à luz em ambulâncias, é o fenómeno que mais se repete alarmantemente, iluminando o sinal mais cruel desta traição.
Talvez não se trate apenas de falta de dinheiro; mas de uma perversa inversão de prioridades. O Estado, que tem recursos para subsidiar projectos ideológicos e manter uma burocracia sufocante, falha miseravelmente no seu dever mais sagrado de garantir um local seguro e digno para o nascimento de uma criança portuguesa. A maternidade, que deveria ser o “antídoto” para uma Nação envelhecida, é tratada como um incómodo logístico.
A líder francesa Marine Le Pen resume, à sua maneira, a indignação sobre esta desvalorização da soberania social: “É inaceitável que o nosso povo sofra de falta de cuidados de saúde e segurança enquanto o dinheiro público é desviado para satisfazer prioridades de terceiros ou caprichos ideológicos.”
Os partos em ambulâncias são o desfecho lógico de um país onde o Presidente se verga perante potências externas, onde a política pode parecer um “palhaço da intelectualidade” com tempo de antena, e onde as prioridades dos cidadãos são sacrificadas no circo político das incompetências ideológicas.