Supremo anula medidas de coação a três arguidos no processo de corrupção na Madeira

O Supremo Tribunal de Justiça anulou as medidas de coação agravadas aplicadas pela Relação de Lisboa no processo de corrupção da Madeira, considerando que os factos invocados não sustentavam qualquer limitação à liberdade dos arguidos. Pedro Calado e dois empresários regressam ao simples Termo de Identidade e Residência.

© D.R

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) anulou as medidas de coação agravadas impostas pela Relação de Lisboa aos principais arguidos do processo de corrupção na Madeira, determinando que Pedro Calado, antigo presidente da Câmara do Funchal, e os empresários Avelino Farinha e Custódio Correia fiquem apenas sujeitos a Termo de Identidade e Residência.

Segundo o Correio da Manhã (CM), o processo envolve suspeitas de corrupção, fraude fiscal e outros crimes económicos. Em janeiro de 2024, os arguidos tinham saído do Tribunal Central de Instrução Criminal sem qualquer limitação adicional à liberdade. Um ano mais tarde, porém, a Relação de Lisboa decidiu agravar as medidas de coação, obrigando Pedro Calado e Avelino Farinha a entregar o passaporte — ficando as deslocações ao estrangeiro dependentes de autorização judicial — e impondo a Custódio Correia a obrigação de comunicar previamente qualquer mudança de residência.

Essa decisão foi agora revertida. De acordo com o mesmo jornal, num acórdão datado de 17 de dezembro, os juízes conselheiros Vasques Osório, Ernesto Nascimento e Jorge Gonçalves criticaram duramente a atuação da Relação, considerando que o tribunal não procedeu a uma análise adequada dos factos nem à respetiva qualificação jurídica.

O STJ sustenta que, se essa análise tivesse sido feita com o devido rigor, a Relação “ter-se-ia apercebido de que os factos considerados como fortemente indiciados eram atípicos”, uma vez que os mesmos tinham sido classificados pelo juiz de instrução como não indiciados.

O Supremo aponta ainda a falta de fundamentação clara na decisão da Relação, sublinhando que não foi devidamente explicado como se passou da inexistência de indícios relevantes para a aplicação de medidas restritivas da liberdade dos arguidos, conta o CM.

A crítica foi partilhada pelo próprio Ministério Público junto do STJ, que também defendeu a anulação do acórdão da Relação de Lisboa. Para o MP, apesar de ser legítima a simplificação processual, a decisão recorrida não permitia compreender por que razão foram considerados indiciados factos que tinham sido anteriormente afastados pelo juiz de instrução.

Com esta decisão, o Supremo Tribunal de Justiça repõe a situação inicial dos arguidos e deixa um sinal claro: o agravamento de medidas de coação exige fundamentação robusta, clara e juridicamente sustentada — não bastam presunções.

Últimas de Política Nacional

André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.
Miguel Guimarães, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e atual deputado do PSD, é visado por acusações que incluem alegados gastos excessivos, abuso de poder e corrupção passiva.
O CHEGA queria que o Governo português promovesse junto da União Europeia a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Mas PSD, PS, Livre e Bloco de Esquerda votaram contra.
A concelhia social-democrata corta com Luís Jesus e Alexandra Moura e acusa os dois eleitos de desrespeitarem as orientações do partido.
O CHEGA levou ao Parlamento a descida do IVA dos combustíveis de 23% para 13%, IVA Zero num cabaz de bens alimentares essenciais e o fim das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Nenhuma das propostas passou. PSD, PS e CDS-PP juntaram os votos contra nas duas medidas fiscais.
André Ventura defendeu esta quinta-feira, no Parlamento, uma redução da carga fiscal sobre os combustíveis e acusou o Governo de não responder ao aumento do custo de vida.
O CHEGA aceita as duas limitações impostas por Aguiar-Branco e desbloqueia a comissão parlamentar de inquérito. Ventura mantém as críticas à decisão, mas garante que não deixará cair a investigação aos mandatos do antigo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Autarquia liderada pelo socialista Gonçalo Lopes repartiu trabalhos semelhantes de gestão florestal por cinco procedimentos, todos abaixo do limiar europeu. Dois ficaram a poucos milhares de euros dos 216 mil e, em quatro concursos, as empresas tiveram apenas cerca de 36 horas para apresentar propostas.
O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.