Colégios privados de ensino especial exigem verbas que garantam escola a 500 crianças

Pais, professores, diretores, funcionários e familiares de alunos de colégios privados de ensino especial estão a manifestar-se esta segunda-feira, em Lisboa, para exigirem um reforço de verbas que garanta a escola a 500 crianças e jovens.

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“Tempo a esgotar-se para 500 crianças”, “Não queremos as escolas a fechar, mas sim a funcionar” ou “Inclusão sem recursos é exclusão disfarçada” são algumas das mensagens escritas em cartazes pelas dezenas de pessoas que estão desde as 10:00 concentradas em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, num protesto marcado pelo som de buzinas.

Segundo o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular (AEEP), as escolas de ensino especial privado podem ter de encerrar em breve, deixando quase 500 crianças e jovens sem resposta, caso a tutela não atualize o valor atribuído por aluno.

Em causa está o futuro de cinco colégios da zona de Lisboa que foram a resposta para centenas de famílias que não encontraram solução na escola pública, como foi o caso da família Valente.

Presente na manifestação, Amílcar Valente contou à Lusa que o neto Gustavo começou por frequentar uma escola pública em Lisboa, onde foi vítima de ‘bullying’.

O rapaz, hoje com 15 anos, conseguiu uma vaga no colégio Bola de Neve e “tudo mudou”, contou o avô do menino com autismo.

No entanto, a verba de 651 euros por aluno atribuída pelo ministério mal chega para pagar salários e estes colégios “estão em rutura financeira”, acrescentou o presidente da AEEP, Rodrigo Queiroz e Melo, também presente no protesto.

“Os valores não são atualizados há vários anos. Recebem 651 euros, mas o valor não pode ser inferior a 1000 euros. Resultado: Quem está a pagar tudo isto são os funcionários, que não são aumentados”, disse à Lusa Rodrigo Queiroz e Melo.

Isabel Beirão, diretora do Colégio Eduardo Claparede, confirmou a difícil situação financeira que a sua escola atravessa, um dos cinco colégios em risco de fechar as portas.

“Temos 84 crianças, 30 professores, terapeutas, auxiliares educativos. A nossa prioridade é pagar salários e já esgotámos todas as nossas verbas. Há uma degradação das condições físicas do Colégio que tem 72 anos de existência”, lamentou Isabel Beirão, que em 2022 teve a promessa da tutela “que os valores seriam revistos”.

“Mas nada aconteceu até hoje e estamos no limite. Se não houver uma atualização entraremos novamente em colapso financeiro”, alertou.

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