Igreja Católica de Espanha assume reparação de centenas de vítimas de crimes sexuais

A igreja católica de Espanha vai assumir a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos não podem já ter resposta por via judicial, segundo um acordo assinado hoje entre a Conferência Episcopal e o Governo.

© D.R.

Em causa estão indemnizações económicas ou outro tipo de reparações simbólicas de vítimas de crimes sexuais no âmbito da Igreja católica em Espanha cujos casos serão processados e analisados através de uma estrutura da Provedoria de Justiça, revelou o presidente da Conferência Episcopal, Luis Argüello, e ministro da Justiça, Félix Bolãnos, em declarações aos jornalistas em Madrid, após a assinatura do acordo.

O parlamento espanhol decidiu em 10 de março de 2022 criar uma comissão presidida pelo provedor de Justiça, Ángel Gabilondo, para investigar, pela primeira vez de forma oficial, os abusos a menores no seio da Igreja Católica.

Num relatório apresentado em outubro de 2024, o provedor revelou terem sido recolhidos 674 testemunhos de abusos sexuais cometidos “no âmbito da Igreja Católica” em Espanha e apelou às instituições públicas para avançarem com formas de compensação das vítimas.

A comissão considerou válidos pelo menos 516 desses testemunhos.

O relatório da Provedoria de Justiça incluiu também o resultado de uma sondagem que estima que 1,3% da população adulta de Espanha foi vítima deste tipo de crimes, o que equivale a cerca de 445 mil pessoas.

Segundo a mesma estimativa, 0,6% dos abusos (envolvendo perto de 236.500 vítimas) foram cometidos por sacerdotes ou outros membros da Igreja Católica.

Na sequência deste relatório, o Governo espanhol aprovou no mesmo ano um plano para ressarcir as vítimas destes abusos e disse ter iniciado negociações com os bispos para ser a instituição a assumir os custos das indemnizações.

O objetivo do Governo espanhol é atender a casos de abusos sexuais que não tiveram resposta judicial, por serem antigos e já terem prescrito ou por dificuldade de obtenção de provas, explicou na altura o ministro da Presidência, Félix Bolaños.

Nas declarações que fez hoje, o ministro confirmou que o acordo alcançado abrange essas pessoas cujos casos não podem já ter resolução na Justiça e considerou que se trata de “saldar uma dívida histórica e moral” com “centenas de vítimas”.

O ministro reconheceu e elogiou o trabalho e “a luta” de décadas de associações de vítimas e de meios de comunicação social em Espanha “contra o silêncio e inação de todos ou quase todos”, levando a “destapar casos de centenas de abusos” e “a gerar uma consciência coletiva” para a necessidade de reparação destas pessoas.

O presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Luis Argüello, considerou, por seu turno, que este é mais um passo que dá a igreja para fazer justiça com as vítimas de abusos sexuais e lembrou que a Igreja Católica de Espanha criou também mecanismos próprios para a denúncia destes crimes e tem em marcha um Plano de Reparação Integral de Vítimas de Abusos (conhecido como PRIVA).

O acordo hoje assinado com o Governo vai “ampliar as possibilidades de reparação” de vítimas, abrindo uma “nova via de reparação com a colaboração do provedor de Justiça”, disse Luis Argüello.

Numa primeira reação, em 2024, a Igreja católica espanhola rejeitou e criticou os números do relatório do Provedor de Justiça, que considerou meras extrapolações, e disse que recusava contribuir para um fundo de indemnizações exclusivamente destinado a alegadas vítimas de abusos no seio das instituições católicas.

“A Igreja não pode aceitar um plano de discriminação da maioria das vítimas de violências sexuais”, disse na altura a Conferência Episcopal, num comunicado.

Últimas do Mundo

O número de insolvências de empresas na Alemanha atingiu em 2025 o nível mais alto dos últimos 20 anos (17.604), de acordo com uma análise divulgada hoje pelo Instituto Leibniz de Investigação Económica de Halle (IWH).
A igreja católica de Espanha vai assumir a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos não podem já ter resposta por via judicial, segundo um acordo assinado hoje entre a Conferência Episcopal e o Governo.
A justiça britânica aplicou penas de prisão a três residentes de Epping, em Essex, que, somadas, superam a condenação do imigrante ilegal responsável por crimes sexuais que desencadearam os protestos.
Os aeroportos europeus de Amesterdão, Bruxelas e Paris tiveram hoje de cancelar centenas de ligações aéreas, incluindo para Portugal, devido à queda de neve e vento, de acordo com as autoridades locais.
A secção do Ministério Público federal alemão responsável pelo combate às ameaças terroristas anunciou hoje que vai investigar a hipótese de terrorismo e sabotagem no apagão em parte de Berlim, ocorrido sábado.
Os agricultores da União Europeia (UE) terão ao seu dispor, no próximo quadro financeiro plurianual 2028-2034, um montante reservado de 293,7 mil milhões de euros, garantiu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Um ato de sabotagem contra a rede elétrica mergulhou bairros inteiros do sudoeste de Berlim no caos, afetando dezenas de milhares de pessoas, empresas e serviços essenciais. As autoridades alemãs falam agora num ataque deliberado reivindicado por um grupo extremista.
Mais de 150 residentes tiveram hoje de ser retirados de um complexo de habitação pública em Hong Kong, devido ao segundo incêndio a atingir um bairro social em dois dias.
O Governo português confirmou e lamentou hoje a morte da cidade portuguesa que foi desaparecida após o incêndio ocorrido numa Estância de Esqui em Crans-Mointana, na Suíça, na noite do fim de ano.
Milhares de residências no sudoeste de Berlim afetadas por um corte de quase 24 horas no fornecimento de energia elétrica recuperaram-no esta madrugada, enquanto as autoridades investigam uma possível sabotagem.