Baixa de Alcácer do Sal outra vez inundada com subida do Rio Sado

A Avenida dos Aviadores em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, voltou a ficar inundada hoje de madrugada, devido à subida do Rio Sado, que continua com um "nível muito elevado", disse a Proteção Civil.

© RUI MINDERICO/LUSA

O rio subiu esta madrugada como prevíamos e, tal como foi alertado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), não está a descer, continua com um nível muito elevado”, revelou à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio.

Por isso, durante a madrugada, “alagou um pouco a marginal do lado da câmara municipal, mas já baixou, e inundou a Avenida dos Aviadores até ao mercado municipal, subindo cerca de um metro, sem baixar”, precisou a mesma fonte.

De acordo com o comandante sub-regional da Proteção Civil, o rio “está a entrar” na baixa da cidade “pelo lado da Praça de Touros e a entrada das habitações e comércios [na Avenida dos Aviadores] está novamente inundada”.

“Quando subir a maré, a partir da tarde, com o pico a acontecer pouco depois das 16:30, prevê-se uma situação mais complexa”, com o “rio novamente a subir e galgar as margens e a inundação provavelmente a subir alguns metros”, alertou.

Segundo Tiago Bugio, neste momento, “a situação ainda não oferece perigo”, mas, de tarde, as autoridades “equacionam a retirada de pessoas” dessa zona da cidade, caso venha a ser necessário.

Também contactado pela Lusa, o vice-presidente da Câmara de Alcácer do Sal e vereador da Proteção Civil, António Grilo, confirmou que “está preparado um plano” para a retirada de moradores da zona, “mas não quer dizer que vá ser acionado”

“Temos equipas do município em toda a frente ribeirinha a informar residentes e comerciantes de que devem tomar medidas preventivas e preparar-se para outro cenário, tanto durante a tarde como de madrugada”, disse.

Cenário esse que “poderá incluir, eventualmente, a retiradas de pessoas”, admitiu.

O vereador disse que nos pisos térreos da frente ribeirinha existem sobretudo garagens e estabelecimentos comerciais, mas, de acordo com o plano preparado, caso seja necessário, poderão de ter de ser retiradas “cerca de 80 pessoas”

“Mas a percentagem com necessidade de ser realojada será residual, caso tenhamos que avançar, porque há muitos moradores que podem ficar noutros locais, como em casa de familiares”, disse, realçando que diversos privados e hotéis “já se disponibilizaram para receber pessoas”.

António Grilo confirmou que, com a baixa-mar, às 11:00, “não se verificou muita descida do rio”, pelo que, “quando a maré virar para a subida, o Sado poderá novamente transbordar e provocar inundações”.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

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