Novo sistema de acesso a consultas e cirurgias viola direito à privacidade dos médicos

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou hoje que o novo sistema de acesso a consultas e cirurgias viola o direito à privacidade dos médicos, ao exigir que apresentem declarações de interesses e dos vínculos profissionais.

© D.R.

“Não estamos perante transparência nem combate à fraude, mas perante um mecanismo de intimidação e perseguição administrativa dirigido a quem assegura diariamente o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde” (SNS), lamentou o sindicato filiado na Federação Nacional dos Médicos (Fnam).

Em causa está o novo Sistema Nacional de Acesso a Consultas e Cirurgia (SINACC), que o SMN considerou que “não resolve os problemas existentes e coloca em risco um acesso justo, transparente e baseado” em critérios clínicos aos cuidados de saúde.

Em comunicado, o sindicato considerou que o SINACC, que veio substituir o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), “afasta os médicos das decisões sobre os seus próprios doentes”, ao permitir que decisões fundamentais sobre o acesso a consultas e cirurgias deixem de ser clínicas e passem a ser administrativas.

“O diploma não impede que conselhos de administração decidam encaminhamentos para o setor privado ou social com base em critérios de custo”, salientou a estrutura sindical, para quem isso significa que o doente “pode ser empurrado para o privado não porque é melhor para a sua saúde, mas porque é mais barato ou mais conveniente” para a gestão.

Além disso, o SMN alegou que o SINACC “parte ainda da desconfiança em relação aos médicos do SNS, impondo declarações públicas de interesses e vínculos, divulgadas em plataformas oficiais, expondo de forma desproporcionada a sua vida profissional e financeira e violando o direito à privacidade”.

O sindicato realçou ainda que “rejeita a demonização dos médicos, a violação da sua privacidade, a imposição de burocracia inútil e a substituição de critérios clínicos por critérios económicos”, alegando que o “SNS não se defende tratando os seus profissionais como suspeitos, nem entregando decisões de saúde à lógica do custo”.

Em 09 de janeiro, O Presidente da República promulgou este novo sistema de acesso às consultas e às cirurgias, reconhecendo aspetos positivos na reforma, mas levantando dúvidas sobre a sua aplicação, o enquadramento dos profissionais e a proteção de dados dos doentes.

O novo sistema, que vai permitir aos doentes acompanharem a sua posição na lista de espera e escolherem o hospital onde querem ser atendidos, foi aprovado pelo Governo no dia 24 de outubro de 2025.

Na altura, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou que o SINACC foi “criado a pensar no doente”, que vai poder acompanhar a lista de espera onde se encontra através da aplicação, do `site´ e do centro de contacto do SNS.

Um despacho publicado no final de janeiro determinou que os médicos não podem intervir em atos do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia em benefício de utentes ligados à sua atividade privada e devem apresentar anualmente uma declaração pública de interesses.

Esta declaração anual deve identificar todos os vínculos laborais, profissionais ou de remuneração com entidades convencionadas do setor privado e social e a sua ausência ou falsidade impedirá o médico de participar em atos clínicos, referenciações ou inscrições no SINACC.

Últimas do País

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a averiguar as alegadas mortes de doentes enquanto aguardavam cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, refere um processo hoje consultada pela Lusa.
A situação em Tomar "estabilizou" cerca de 100 dias após a tempestade Kristin, mas continuam a existir constrangimentos nas comunicações e na gestão florestal, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara, Tiago Carrão.
A administração fiscal avisou hoje que estão a circular mensagens de 'e-mail' e SMS fraudulentas em nome do fisco com o objetivo de roubar dados pessoais e bancários dos contribuintes.
Os responsáveis do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e da representação portuguesa da Organização Internacional de Migrações defenderam hoje em Lisboa que as nacionalidades dos autores e vítimas de crimes sejam divulgadas para combater a desinformação.
Um homem de 36 anos foi detido pela GNR por violência doméstica contra a ex-companheira e por dano, furto, resistência e coação, no concelho de Aljustrel, distrito de Beja, divulgou hoje aquela força de segurança.
O preço da garrafa de gás butano voltou a subir em abril e atingiu níveis recorde, agravando ainda mais os custos para milhões de famílias portuguesas.
José Sócrates voltou a recorrer aos tribunais, desta vez para tentar impedir a nomeação do advogado oficioso que lhe foi atribuído no âmbito do julgamento da Operação Marquês.
Cerca de 50 pessoas estiveram envolvidas numa violenta cena de pancadaria na noite de sexta-feira em Tomar, obrigando à intervenção da PSP e gerando momentos de tensão nas imediações de um estabelecimento de restauração e bebidas.
As prestações da casa voltaram a subir este mês e tudo indica que a tendência está longe de inverter. Pelo contrário, os sinais apontam para novos aumentos nos próximos meses, numa pressão crescente sobre o orçamento das famílias portuguesas.
Pelo menos uma pessoa ficou hoje ferida num incêndio numa habitação em Coimbra, segundo o Comando Sub-regional da Região de Coimbra da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).