Cunhado de Leitão Amaro investigado por burla milionária em Angola

O Ministério Público angolano quer Ricardo Leitão Machado como arguido por suspeitas de burla qualificada em negócios avaliados em centenas de milhões de dólares. O empresário é cunhado do ministro da Presidência e está no centro de uma investigação que atravessa Angola, Portugal e os Estados Unidos.

© Folha Nacional

O Ministério Público de Angola pediu formalmente à Procuradoria-Geral da República a constituição como arguido de Ricardo Leitão Machado, empresário e cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, no âmbito de uma investigação por suspeitas de burla qualificada.

Em causa estão dois negócios realizados em Angola através da empresa Aenergy: a venda de carruagens para os caminhos de ferro de Luanda e o fornecimento de turbinas ao Ministério da Energia. Segundo as autoridades angolanas, existem indícios de irregularidades graves associados a estas operações.

A investigação é revelada pela revista Sábado, que traça o percurso empresarial de Ricardo Leitão Machado em Angola, onde o próprio afirmou ter acumulado uma fortuna estimada em 450 milhões de dólares. Num dos processos, relacionado com a venda de turbinas, as diligências ultrapassaram fronteiras e envolveram também o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com documentação que inclui trocas de mensagens consideradas comprometedoras para o empresário.

Nos últimos anos, Ricardo Leitão Machado canalizou investimentos para Portugal, adquirindo unidades hoteleiras em Idanha-a-Nova e a Herdade do Vale Feitoso, além de investir na criação de cavalos. Um tribunal chegou a bloquear cinco milhões de euros, embora uma falha no sistema informático do Millennium BCP tenha permitido a movimentação do montante, situação que levou o empresário a apresentar queixa.

O nome de Ricardo Leitão Machado não é estranho ao sistema judicial, sublinha a revista Sábado. Em 2014, foi acusado de burla qualificada ao Fundo Florestal Permanente. O processo terminou com o pagamento de cerca de 300 mil euros e uma condenação por falsificação de documentos.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA levou ao Parlamento a descida do IVA dos combustíveis de 23% para 13%, IVA Zero num cabaz de bens alimentares essenciais e o fim das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Nenhuma das propostas passou. PSD, PS e CDS-PP juntaram os votos contra nas duas medidas fiscais.
André Ventura defendeu esta quinta-feira, no Parlamento, uma redução da carga fiscal sobre os combustíveis e acusou o Governo de não responder ao aumento do custo de vida.
O CHEGA aceita as duas limitações impostas por Aguiar-Branco e desbloqueia a comissão parlamentar de inquérito. Ventura mantém as críticas à decisão, mas garante que não deixará cair a investigação aos mandatos do antigo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Autarquia liderada pelo socialista Gonçalo Lopes repartiu trabalhos semelhantes de gestão florestal por cinco procedimentos, todos abaixo do limiar europeu. Dois ficaram a poucos milhares de euros dos 216 mil e, em quatro concursos, as empresas tiveram apenas cerca de 36 horas para apresentar propostas.
O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.