Diretor de medicina crítica demite-se e acusa ULS Alto Minho de desrespeito

O diretor do Departamento de Medicina Crítica (DMC) da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), Pedro Moura, demitiu-se do cargo invocando "falta de alinhamento estratégico" e "múltiplas situações de desrespeito institucional", foi hoje divulgado.

© D.R.

Numa comunicação enviada à administração da ULSAM e aos profissionais de saúde, a que a agência Lusa teve hoje acesso, Pedro Moura, diz que aquelas “atitudes” da Direção Clínica (DC), em conluio com o restante conselho de administração [da ULSAM] estão na origem da “demissão de diretor de DMC e dos outros cargos inerentes à função”, com efeitos a partir de segunda-feira.

Contactada pela Lusa, a administração da ULSAM refere ter aceitado O pedido de demissão do diretor do DMC, agradecendo “o trabalho desenvolvido no exercício das suas funções”.

“O funcionamento do departamento encontra-se assegurado, estando a ser garantida a normal continuidade da prestação de cuidados aos utentes. Nesta fase, não existem mais informações a prestar”, acrescenta.

Na comunicação, com data da última segunda-feira, Pedro Moura, explica que o “projeto” que pretendia implementar na DMC começou a ser colocado em causa, no verão de 2025, com “a substituição da diretora do Serviço de Urgência (SU) por um elemento da sua confiança com a desafetação absurda desse serviço do DMC, com riscos evidentes da perda do circuito do doente crítico, tão importante para os doentes, bem como para a manutenção da idoneidade formativa do Serviço Medicina Intensiva (SMI)”.

Em novembro do ano passado, alega Pedro Moura, face à “perda de apoio à direção do SMI, originando a demissão do seu diretor criou uma crise inaceitável num serviço que estava pacificado há cerca de um ano e meio”.

O médico diz ter sido alvo de “múltiplas situações de desrespeito institucional (…) por exemplo com a ausência de ‘feedback’ aos múltiplos projetos apresentados como um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) para o doente crítico, reestruturação do SU/SMI ou a aplicação de Inteligência Artificial (IA) no DMC”.

Pedro Moura aponta ainda “as dezenas de ’emails’ não respondidos e também os projetos planeados para a Medicina Crítica em que não foi ouvido”.

A “falta de alinhamento estratégico culminou com a nomeação, este mês, de “um outro elemento para a direção do SMI com um projeto diferente” do de Pedro Moura e cujo teor desconhece.

“Acrescendo o facto de apenas ter sido informado pela circular 17/2026, sem nenhum outro contacto por parte do júri (telefónico, e-mail ou sequer publicação na página dos concursos da ULSAM)”, frisa o médico.

Pedro Moura refere ser médico “no Hospital de Santa Luzia de Viana do Castelo há 28 anos” e que a sua prática sempre se pautou pela urbanidade e respeito por todos”.

“Privilegiei sempre a aquisição das competências necessárias às funções desempenhadas e dediquei-me com afinco aos doentes e à instituição, muitas vezes à custa de esforço pessoal e familiar, com custos elevados para a minha própria saúde, não podendo nunca ser acusado (honestamente) de falta de compromisso com a ULSAM e com o DMC/SMI”, sublinha, acrescentando que estará “sempre, disponível para colaborar com a ULSAM, se assim for ajustado às pretensões da gestão de topo”.

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