Prevalência do consumo de droga em reclusão mantém-se ou aumenta

A taxa de prevalência de consumo de droga em situação de reclusão estabilizou ou aumentou em 2023 e no caso dos centros educativos as raparigas apresentam padrões de consumos de droga e álcool de maior risco que os rapazes.

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Os dados constam do Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024 do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que agrega informação de inquéritos e barómetros feitos nos últimos anos em Portugal e na Europa sobre consumos e dependências, e que é hoje apresentado na Assembleia da República.

Segundo o relatório do ICAD, entre a população reclusa inquirida as taxas de prevalência de consumo de drogas são muito superiores às da população geral (63% dos reclusos já consumiram droga alguma vez na vida), e apesar da tendência de descida do consumo antes da reclusão, o mesmo não se verifica para o período durante a reclusão.

“Na atual reclusão, para a grande maioria das substâncias houve uma tendência de estabilidade ou aumento das prevalências de consumo recente e atual, sendo exceção a descida relevante do consumo de canábis”, lê-se no relatório.

Os dados de 2023 indicam que “32% dos inquiridos já consumiram alguma vez qualquer droga na atual reclusão” e 1% consumiu drogas injetáveis nesse período. É também de 1% a taxa de ‘overdose’ em reclusão, de acordo com os dados de 2023.

O inquérito realizado no mesmo ano junto dos jovens em centros educativos revelam que os consumos entre estes jovens começam mais cedo (em média aos 13 anos) do que entre outras populações juvenis, sendo também superiores as prevalências de consumos de risco, com a canábis a ser a droga mais consumida.

“Contrariamente ao que ocorre noutras populações juvenis, o grupo feminino apresentou prevalências de consumo de substâncias ilícitas mais altas (tal como em 2015) e um padrão de consumo de canábis de maior risco que os rapazes”, adianta ainda o ICAD.

Ainda assim, os dados entre 2015 e 2023 mostram “uma diminuição relevante” de consumos antes do internamento e “ainda mais significativa após o início do internamento”.

No que diz respeito ao consumo de álcool, a prevalência de consumo nocivo entre os reclusos também é superior à da população geral, com 29% a admitirem já ter consumido na atual reclusão.

“É de notar que 14% dos inquiridos declararam que já tiveram algum episódio de coma alcoólico fora da prisão e, cerca de 1% na atual reclusão, proporções superiores às de 2014”.

Cerca de 3% já tinham experienciado na atual reclusão o envolvimento em atos de violência e problemas financeiros relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas e 2% reportaram problemas graves de saúde relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas.

Entre os jovens internados em centros educativos, a idade média do início de consumo de álcool é de 12 anos e em 2023 cerca de 85% dos inquiridos já tinham consumido alguma vez bebidas alcoólicas, com esta faixa etária a dar preferência a bebidas espirituosas, ‘alcopops’ (misturas de baixo teor alcoólico), cervejas e vinhos.

“O grupo feminino apresentou prevalências de experimentação e de consumo recente de álcool antes do internamento superiores às dos rapazes, assim como do consumo ‘binge’ [consumo excessivo até ao descontrolo] e da embriaguez severa, ao contrário do ocorrido em 2015. Cerca de 41% dos inquiridos experienciou problemas relacionados com o consumo de álcool nos últimos 12 meses, sendo os mais referidos, o envolvimento em atos de violência e as situações de mal-estar emocional”, lê-se no relatório.

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