Investigadores portugueses, alemães e finlandeses querem ajudar socorristas a salvar mais vidas

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A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai estudar o desempenho dos socorristas durante a ressuscitação cardiopulmonar com o objetivo de aumentar a taxa de sobrevivência das vítimas que são assistidas, foi hoje divulgado.

O estudo liderado pela FMUP junta investigadores portugueses, alemães e finlandeses.

“Sabemos que as manobras de reanimação, sobretudo as compressões torácicas, são decisivas na sobrevida do doente. Feitas de forma adequada, no local adequado, com o posicionamento das mãos correto e com a frequência e profundidade adequadas, têm uma implicação direta na sobrevivência do doente”, disse a professora da FMUP e investigadora responsável do projeto, Carla Sá Couto.

À Lusa, a docente explicou que “há fatores intrínsecos e extrínsecos que influenciam a qualidade das compressões” e serão esses os fatores em estudo.

“Um dos fatores mais importante é a fadiga do reanimador e a fadiga pode estar associada com a força que está a ser exercida ao longo de bastante tempo, porque as reanimações podem durar cinco, 10, 20 minutos e às vezes mais, como com o posicionamento. É importante haver a troca de reanimador ao fim de mais ou menos dois minutos. Vamos testar estas hipóteses”, acrescentou.

Com recurso a simuladores, e usando como amostra médicos, enfermeiros e paramédicos com experiência em Suporte Básico de Viva e reanimação, os investigadores pretendem “ajudar os socorristas a salvar (ainda) mais vidas”.

A primeira reunião operacional do projeto decorreu na sexta-feira, no Porto, e o estudo deverá estar concluído no início do próximo ano.

A recolha de dados nos três países decorrerá de maio a julho.

O objetivo é partilhar recomendações com a comunidade científica que ajudem a aumentar a taxa de sobrevivência das vítimas.

“Vamos ver ao fim de quanto tempo é que o reanimador se sente cansado quer fisicamente, quer ele verbalizando. A verbalização é uma avaliação subjetiva, mas também vamos monitorizar com sinais fisiológicos. Por outro lado também sabemos que o posicionamento do reanimador ao lado da vítima também tem influência na fadiga porque um mau posicionamento pode, ao fim de alguns minutos, tornar as compressões pouco eficazes”, descreveu a investigadora.

Assim, o estudo será também focado na influência do posicionamento ao lado da vítima.

De joelhos no chão (posição comum em casos pré-hospitalares), ao lado da cama, em cima de um banco ou em cima da cama (situações comuns em casos intra-hospitalares) serão algumas das opções estudadas.

A escolha destes três países – Portugal, Alemanha e Finlândia – prende-se com o facto de os investigadores envolvidos já se conhecerem de outros projetos, bem como porque todos usam o mesmo equipamento de simulação e porque os finlandeses e alemães têm um grupo profissional, os paramédicos, que os portugueses querem analisar.

“Em Portugal não temos paramédicos e era interessante acrescentar esse grupo à amostra do estudo. Nós juntamos os médicos e os enfermeiros”, explicou Carla Sá Couto.

Em Portugal o estudo vai decorrer na FMUP em colaboração com o Núcleo de Simulação Clínica da faculdade, com docentes e colaboradores desta instituição, bem como do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

Na investigação será usada eletromiografia para monitorizar as fibras musculares dos socorristas, bem como simuladores que, na prática, são manequins de corpo inteiro que têm sinais vitais e frequência cardíaca.

“Vamos tentar perceber se a noção que a pessoa tem é coerente com os dados fisiológicos porque a pessoa pode não estar a ter noção de que está fatigada, mas já não ser eficaz nas compressões. Muitas vezes, ao fazer as compressões, quando ficamos cansados, não deixamos que o peito retorne à sua posição basal, isso impede que o peito se preencha com sangue e as compressões não são eficazes”, concluiu a docente.

Este projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com cerca de 50 mil euros e pela Fundação Laerdal (Noruega) com cerca de 21,5 mil euros.

São também parceiras duas universidades europeias: a ARCADA University of Applied Sciences – Arcada Patient Safety and Learning Center (Finlândia) e o Institut für Notfallmedizin und Medizinmanagement (Institute for Emergency Medicine and Management in Medicine) – Klinikum der Universität München (Alemanha).

Além de Carla Sá Couto, como investigadora responsável, e de Marc Lazarovici, da Universität München, como corresponsável, participarão Christoffer Ericsson, da ARCADA, Abel Nicolau e Pedro Marques, da FMUP.

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