Oficiais de justiça iniciam hoje greve clássica

Facebook/sfjudiciais

O Sindicato dos Funcionários Judiciais inicia hoje uma “greve clássica”, paralisando totalmente até 05 de maio, o que “será muito mais prejudicial” do que a última greve, e admite estender a luta até julho.

“Aquilo que nós vamos demonstrar é que (…) a inação e reiterados comportamentos ilegais por parte do Ministério da Justiça vão ter uma resposta à altura dos funcionários judiciais e agora num modelo de greve clássica”, que é “muito mais prejudicial para os cidadãos”, disse à Lusa António Marçal, presidente do SFJ, a propósito da greve de 10 dias que hoje começa.

O prejuízo para os cidadãos será maior, explicou, porque apenas serão garantidos os serviços mínimos previstos na lei, deixando de se realizar qualquer outro ato.

“Por isso mesmo, nós estimamos que o impacto destas duas semanas de greve será um impacto muito superior ao que aconteceu na greve de dois meses, chamada greve atípica”, em que os funcionários judiciais garantiam um conjunto alargado de serviços e, em alguns casos, até conseguiram recuperar serviço que estava atrasado, disse.

O dirigente sindical referiu que, com a paralisação total, que implica perda de remuneração e ausência do local de trabalho, deixarão de ser praticados atos como notificações e citações, necessários à realização de diligências como inquirições e julgamentos, pelo que podem ser milhares as diligências e julgamentos que voltam a ser adiados com duas semanas de greve.

António Marçal coloca o ónus da resolução do conflito no Ministério da Justiça (MJ), a quem atribui a responsabilidade de dar resposta às reivindicações sindicais, nomeadamente o pagamento integrado no vencimento do suplemento de recuperação processual, que a ministra Catarina Sarmento e Castro remeteu para a implementação do novo estatuto dos oficiais de justiça, que está a ser trabalhado, e que o SFJ insiste que não necessita de qualquer regulamentação em estatuto para ser pago.

“[A greve decorre] até dia 05 de maio para já. Depois, durante a próxima semana, mantendo-se este silêncio ensurdecedor por parte do MJ e do Governo, será apresentada uma nova jornada de luta até 15 de julho, em que não serão só greves, haverá um conjunto de ações que irão ser levadas a cabo pelos trabalhadores até que efetivamente o Governo resolva trabalhar e resolver os problemas”, disse à Lusa.

O presidente do SFJ deixou ainda críticas à ministra da Justiça pelas afirmações repetidas de que “este é o ano dos oficiais de justiça”, numa referência ao programa plurianual de contratações e revisão de carreiras no setor anunciado por Catarina Sarmento e Castro.

António Marçal contrapôs que “o ano dos oficiais de justiça são todos os anos e todos os dias”, quando “ficam a trabalhar até mais tarde, por si e pelo colega que não está colocado”, ou acima da sua categoria profissional sem receber mais por isso.

“Se esse é o dia ou o ano do oficial de justiça então para esse festival nós já demos e exigimos é que a senhora ministra se deixe de chavões e comece a trabalhar em prol da justiça em Portugal”, afirmou António Marçal.

Para quinta-feira está agendada nova reunião no MJ, mas se o sindicato não obtiver respostas do Governo nesse encontro, no plenário de dia 28 irá “decidir o que fazer depois de 05 de maio”.

Últimas do País

Homem de 64 anos foi detido em flagrante pela Polícia Judiciária da Guarda com cerca de 36 mil ficheiros envolvendo menores de 14 anos. Já tinha duas condenações pelo mesmo crime e cumpria pena suspensa.
Lagosta, lavagante, ostras e vinhos 'premium' marcaram “reuniões de trabalho” da presidente Luísa Salgueiro, eleita pelo PS, pagas pela autarquia de Matosinhos. Faturas chegam aos dois mil euros e nomes dos participantes permanecem em segredo.
Autoridade de Supervisão de Seguros e Pensões admitiu hoje que é difícil dar uma resposta "tão imediata" aos quase 200 mil sinistros causados pelo mau tempo, escusando-se a avançar números sobre o que já foi pago.
Um sismo de magnitude 3,0 na escala de Richter foi sentido na madrugada desta quarta-feira nas ilhas do Pico e do Faial, informou o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).
O despiste de uma viatura ligeira contra uma instalação de gás provocou hoje a morte a dois ocupantes do veículo e um incêndio no centro de Coimbra, existindo pelo menos mais dois feridos, segunda fonte de proteção civil da região.
Mais de 13 mil crianças e jovens foram apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima nos últimos quatro anos, num contexto de agravamento da violência em que o abuso sexual mais do que duplicou neste período.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que altera o regime do Rendimento Social de Inserção (RSI) e cria uma nova prestação designada Rendimento Social de Sobrevivência (RSS), destinada a pessoas sem capacidade para trabalhar.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) estimou hoje que as investigações internas dos abusos, o apoio às vítimas e as compensações implicaram uma despesa total de três milhões de euros à Igreja em Portugal.
Dois suspeitos com antecedentes criminais foram detidos após assaltarem jovens de 17 e 19 anos com recurso a agressões e armas brancas. PSP recuperou parte dos bens.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem suspeito de ter ateado fogo a uma casa em Lousada, no distrito do Porto, na madrugada do dia 6 de fevereiro, anunciou esta terça-feira esta força policial.