Proposta da CIP de aumentos salariais “dá de um lado e tira do outro” do sistema de pensões

A UGT disse hoje que a proposta da CIP de aumentos salariais "dá de um lado e tira do outro", do sistema de pensões, e que nada impede os patrões de darem os aumentos que quiserem aos trabalhadores.

© Partido Socialista

“A CIP está a fazer publicidade à sua proposta, é natural. Se a CIP diz que está a dar mais do que aquilo que nós pedimos, que o dê, é fácil. Essa medida de que falam dá de um lado e tira do outro”, afirmou o secretário-geral adjunto da UGT Sérgio Monte, afirmando que a proposta implica menos financiamento para o sistema de pensões.
“Tira obviamente do lado das futuras pensões quando se diminui a TSU e vai uma parte do salário para um sistema que não sabemos bem o que é”, afirmou o também deputado do PS.

Sobre se a UGT irá rever a sua política reivindicativa e exigir aumentos salariais acima de 4,8% em 2024 (o valor inscrito no acordo de rendimentos, acordado entre confederações patronais e UGT), Sérgio Monte afirmou que a “UGT honra os seus compromissos como sempre fez” e que neste momento “não há motivos para renegociar ou rever pressupostos”.

“O mínimo [de aumentos salariais para 2024] é de 4,8%. Nada impede os patrões de dar mais, nada impede uma empresa de aumentar os trabalhadores em 20%, pode fazê-lo à vontade”, acrescentou.

A CIP propôs na semana passada ao Governo o designado `Pacto Social` com 30 medidas, entre as quais o pagamento voluntário pelas empresas do 15.º mês aos trabalhadores isento de contribuições e impostos.

A confederação patronal propôs ainda, em 2024 e 2025, um incremento salarial de 14,75% nos salários com redução temporária da Taxa Social Única (TSU). Desse valor, o aumento salarial seria de 4,75% e os restantes 10% iriam para um plano individual de reforma.

A CIP defende a criação de planos de reforma nas empresas com pagamentos isentos de TSU e IRS, provenientes desta medida extraordinária de liquidez para as famílias, de contribuições da entidade patronal, de dividendos pagos aos trabalhadores, de horas extraordinárias ou de horas de descanso adquiridas como descanso compensatório ou de férias anuais que excedam o período mínimo.

Hoje, em entrevista ao Público e à rádio Renascença, o líder da CIP, Armindo Monteiro, disse que a CIP está a propor aumentos de salários bem superiores às reivindicações da “mais radical das centrais sindicais”, a CGTP.

Questionado sobre se esse aumento proposto é feito à custa da Segurança Social, o `patrão dos patrões` negou afirmando que o que está a “propor é que parte deste aumento vá para a Segurança Social”.

Últimas de Economia

Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram lucros agregados superiores a cinco mil milhões de euros em 2025, ano em que CGD, BCP e Novo Banco registaram os maiores resultados das suas histórias.
Os preços dos combustíveis deverão sofrer uma forte subida na próxima semana, com o gasóleo simples a poder aumentar cerca de 25 cêntimos por litro e a gasolina simples 95 cerca de sete cêntimos.
Cerca de metade dos 22 mil pedidos de apoio para a reconstrução de casas devido ao mau tempo são dos concelhos de Leiria, Pombal e Marinha Grande, revelou hoje o coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes.
As dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico registaram um novo valor recorde de quase 3,1 mil milhões na União Europeia (UE) em 2025, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação voltou a descer em janeiro, após ter subido em dezembro pela primeira vez num ano, fechando o mês em 2,83%, disse hoje o Banco de Portugal.
Casas vazias do Estado podem ganhar nova vida e servir para responder à falta de habitação que continua a afetar milhares de famílias em Portugal. Essa é a proposta apresentada pelo CHEGA, que defende a recuperação e reutilização de imóveis públicos devolutos como resposta à atual crise habitacional que Portugal atravessa.
Portugal dispõe de reservas para 93 dias de consumo, num cenário de disrupção, indicou a ENSE, ressalvando que as importações nacionais não têm exposição a Ormuz nas quantidades de mercadorias adquiridas e transportadas.
A referência europeia para o preço do gás natural, o contrato TTF (Title Transfer Facility) negociado nos Países Baixos, subiu mais de 33% por volta das 09:40 (hora de Portugal Continental), justificado pela nova onda de ataques no Irão.
O índice de produção industrial registou uma variação homóloga de 1,2% em janeiro, 0,5 pontos percentuais (p.p.) inferior à observada em dezembro, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou cerca de 6,1 mil milhões de euros em janeiro, para 280.857 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).