Confiança política entre UE e China minada pela posição de Pequim sobre a Ucrânia

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse hoje que a confiança política mútua entre a União Europeia (UE) e a China foi “minada” pela posição de Pequim sobre a guerra na Ucrânia.

© Facebook Josep Borrell

“Os europeus consideram que a China não está a usar a sua forte influência para persuadir a Rússia a parar com a agressão”, afirmou Borrell, num discurso proferido na Universidade de Pequim, parte de uma visita de três dias à China.

“É difícil de compreender [a posição da China]”, observou, perante centenas de estudantes chineses. “Aquilo que está a acontecer é simplesmente a agressão por um país mais forte contra um país mais fraco”, apontou.

O responsável máximo pela política externa europeia afirmou: “Precisamos que a China convença os europeus de que não está aliada à Rússia nesta guerra”.

As relações sino-europeias atravessam um período difícil desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.

A China afirmou ser neutra no conflito, mas mantém uma relação “sem limites” com a Rússia e recusou-se a criticar a invasão da Ucrânia. Pequim acusou o Ocidente de provocar o conflito e “alimentar as chamas” ao fornecer à Ucrânia armas defensivas.

Borrell explicou que a guerra fez da UE uma “potência geopolítica”.

“Isto significa que, na nossa visão do mundo, temos muito mais em consideração o poder militar e estratégico”, realçou.

O responsável europeu disse que a UE não teme um mundo multipolar e congratula-se com o facto de hoje a riqueza estar mais distribuída.

“O verdadeiro problema é que há mais atores, mas as regras estão ser menos observadas”, notou.

Borrell disse compreender a vontade das potências emergentes em reformar as instituições e agências internacionais, mas advertiu: “Se quisermos mudar estas instituições, temos de explicar porque razão queremos mudá-las e, mais importante, como as queremos mudar”.

“Sabemos que tem de haver reformas, porque muitas das regras foram adotadas quando muitos países ainda eram colónias, mas temos que trabalhar nas bases em que foram construídas”, frisou.

O responsável pela política externa europeia admitiu que a UE “não está em sintonia” com China em questões de Direitos Humanos.

“A China afirma que cada sociedade tem os seus próprios valores, mas também é verdade que os valores universais são válidos para todos os países”, disse.

“No Conselho dos Direitos Humanos da ONU, a China procura promover a ideia de que os direitos económicos são mais importantes do que os direitos políticos. Esta visão diferente leva-nos a uma rivalidade, que tem origem na falta de compatibilidade dos nossos valores, mas não significa hostilidade nem deve impedir-nos de trabalhar em conjunto”, descreveu.

Os ideólogos chineses acreditam que os valores liberais, em particular os Direitos Humanos fundamentais, permanecem proeminentes não porque sejam moralmente superiores, mas porque refletem o poder do Ocidente, que consideram estar em declínio. Segundo a sua visão, foi o poder dos Estados Unidos que permitiu a Washington ditar as regras que formam a base da ordem internacional e criar instituições internacionais que refletem e propagam valores “ocidentais”.

A questão dos Direitos Humanos é fonte frequente de tensão entre o Governo chinês e os países ocidentais. A ênfase em liberdades políticas individuais choca diretamente com a organização do poder político na China.

Para Pequim, “o direito ao desenvolvimento é o mais importante dos Direitos Humanos”.

O contrato social na China reflete essa premissa: o Partido mantém uma autoridade indisputada e os privilégios da elite dominante e, em troca, assegura a melhoria dos padrões de vida e elevação do estatuto global do país.

“Nós temos uma ideia diferente: pensamos que direitos políticos e económicos são igualmente importantes”, apontou Borrell.

Situada no norte da capital da China, a Universidade de Pequim é considerada uma das melhores instituições de ensino superior do país asiático.

Últimas do Mundo

O autor do ataque com carro a um mercado de Natal na cidade alemã de Magdeburgo que em dezembro de 2024 fez seis mortos e cerca de 330 feridos, foi hoje condenado a prisão perpétua.
Nove portugueses e lusodescendentes morreram na sequência dos dois sismos registados quarta-feira na Venezuela e que causaram centenas de vítimas, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
Quarenta e cinco por cento das cidades europeias bateram ou estão prestes a superar os máximos históricos de stress térmico durante a atual onda de calor no continente, indica um estudo publicado hoje pelo World Weather Attribution.
Mais de 100 voos foram cancelados hoje, à medida que duas tempestades tropicais se aproximam do Japão, tendo as autoridades recomendado a evacuação de certas zonas devido ao risco de inundações e deslizamentos de terra.
O Parlamento espanhol aprovou esta quinta-feira, por maioria absoluta de deputados, uma resolução em que pede ao primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, para se demitir ou, pelo menos, submeter-se a uma moção de confiança.
Anúncios com preços de dezenas de milhares de euros e descrições consideradas invulgares na plataforma para comprar e vender roupa pré-adquirida desencadearam uma onda de suspeitas de tráfico de menores nas redes sociais. O caso chegou às autoridades francesas, que decidiram abrir uma investigação.
Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas depois de dois fortes sismos terem atingido a Venezuela, declarou hoje a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
Espanha registou pelo menos 212 mortes "atribuíveis à temperatura" entre domingo e quarta-feira, coincidindo com a onda de calor que atingiu o país, de acordo com estimativas do Instituto de Saúde Pública espanhol Carlos III hoje conhecidas.
As autoridades francesas emitiram esta quinta-feira avisos de tempestades severas e ampliaram o alerta vermelho de calor para 72 dos 100 departamentos, um dia depois de França ter chegado aos 30ºC, a temperatura média mais alta da sua história.
Um sismo de magnitude 7,1, com epicentro junto à capital Caracas, atingiu hoje a Venezuela, adiantou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).