UTAO diz que receita de impostos diretos vai ser mais alta do que prevê Governo

A UTAO considera que a receita que o Estado irá arrecadar em impostos diretos, tanto em 2023 como em 2024, será maior do que prevê o Governo na proposta do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024).

© DR

Na apreciação final da Proposta de Orçamento do Estado para 2024, hoje divulgada, a UTAO diz que as previsões de receita pecam por defeito, referindo que “na tributação direta foram encontrados indícios de suborçamentação no conjunto dos impostos mais pequenos (todos menos IRS e IRC)”.

Diz ainda, sobre a tributação indireta, que também há indícios de suborçamentação na previsão do ISP – Imposto sobre Produtos Petrolíferos (tanto em 2024 como em 2023) “porque as medidas de desagravamento fiscal deste imposto no pacote inflação parecem estar sobreavaliadas”.

A UTAO estima, assim, que este ano a receita de impostos diretos será de mais 782 milhões de euros do que prevê o Governo e que em 2024 será de mais 681 milhões de euros.

“A diferença entre as previsões do Ministério das Finanças e a estimativa da UTAO aponta para uma subvalorização da receita de impostos diretos de 782 milhões de euros em 2023 e 681 milhões de euros em 2024”, lê-se no relatório.

Segundo a UTAO, a análise às previsões de receita do biénio 2023–2024 indica que há “uma perspetiva excessivamente conservadora na componente fiscal e contributiva”, ou seja, a estimativa é por baixo face às receitas que podem ser arrecadadas pelo Estado.

Já as previsões do IRS e do IRC “parecem estar coerentes com as suas bases macroeconómicas e as medidas de política”.

Na terça-feira da semana passada, na sequência do caso judicial que o relaciona com negócios de lítio e hidrogénio, o primeiro-ministro apresentou a sua demissão.

Numa comunicação ao país, na quinta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que vai dissolver o parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas, mas adiou o processo formal de demissão do Governo por decreto para permitir a aprovação e entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2024.

“A aprovação do Orçamento permitirá ir ao encontro das expectativas de muitos portugueses e acompanhar a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que não pára nem pode parar com a passagem do Governo a Governo de gestão ou mais tarde com a dissolução da Assembleia da República”, disse.

O relatório da UTAO hoje divulgado não faz referência à crise política e impacto desta nas finanças públicas.

Últimas de Economia

A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira, para máximos desde abril de 2025 no prazo mais curto.
A Comissão Europeia abriu hoje um processo a Portugal e a outros 11 Estados-membros por não terem estabelecido regras nacionais para sancionar quem viole um regulamento sobre combustíveis sustentáveis na indústria da aviação.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o saldo orçamental português será nulo este ano, passando para um défice de 0,1% em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje.
A taxa de inflação anual da zona euro deverá ter aumentado em 3,2% em maio de 2026, face aos 3,0% registados em abril, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.
Quase metade dos participantes num inquérito organizado pela consultora QSP identificam a subida de preços como o maior risco que as empresas enfrentam num futuro próximo.
Os portos da Madeira registaram a entrada de 129 navios de cruzeiro no primeiro trimestre desde ano, mais 24 do que no mesmo período do ano passado, indicou hoje a Direção Regional de Estatística (DREM).
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou cerca de 3.900 milhões de euros em abril, para 287.100 milhões de euros, segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP).
Os preços das casas em Portugal devem manter-se elevados, com a demora das medidas para estimular a oferta a produzir efeitos, existindo riscos associados à capacidade de pagar os créditos, principalmente com garantia pública, conclui a DBRS.
A prestação da casa vai subir em junho para créditos com taxa variável a três meses, seis meses e 12 meses, segundo adiantou a Deco Proteste.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quinta-feira e termina maio com a média mensal a subir de novo nos três prazos.