Bruxelas não antecipa impactos da crise política no investimento

Comissão Europeia disse hoje não antever impactos da crise política em Portugal no investimento no país, saudando a decisão de aprovar o Orçamento do Estado para 2024 (OE2024), apesar das eleições antecipadas de março do próximo ano.

© Facebook de Paolo Gentiloni

“Tomo nota do facto de que, apesar da crise que se vive em Portugal, as autoridades decidiram aprovar o orçamento antes das eleições e não creio que esta situação tenha impacto no investimento neste país”, disse o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni.

Falando em conferência de imprensa, em Bruxelas, no dia em que a instituição divulgou as previsões económicas de outono, o responsável europeu da tutela admitiu “ligeiras diferenças nestas estimativas em relação às projeções das autoridades portuguesas”.

“Por exemplo, para 2023, o crescimento do PIB que projetamos é idêntico ao projetado pelo Governo e ligeiramente superior à previsão do banco central português, [mas] para 2024, teríamos uma projeção ligeiramente inferior, como acontece em vários outros países”, referiu Paolo Gentiloni.

Além disso, “no que diz respeito à dívida em relação ao PIB, também temos uma ligeira diferença”.

“Espero que estejamos errados, porque gosto deste objetivo de descida inferior a 100% que as autoridades portuguesas tinham nos seus planos” para 2024, adiantou o comissário europeu.

A Comissão Europeia cortou hoje ligeiramente a previsão de crescimento económico de Portugal para 2,2% este ano, ficando em linha com o Governo, e para 1,3% em 2024.

Nas previsões económicas de outono, publicadas hoje, Bruxelas prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% em 2023, 1,3% em 2024 e 1,8% em 2025.

As previsões da Comissão Europeia comparam com as do Ministério das Finanças, que apontam para um crescimento de 2,2% este ano e 1,5% em 2024.

Portugal vai ter eleições legislativas antecipadas em 10 de março de 2024, marcadas pelo Presidente da República, na sequência da demissão do primeiro-ministro.

António Costa é alvo de um inquérito no Ministério Público (MP) junto do Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo que investiga tráfico de influências no negócio de um centro de dados em Sines terem invocado o seu nome como tendo tido intervenção para desbloquear procedimentos.

O MP considera que houve intervenção do primeiro-ministro na aprovação de um diploma favorável aos interesses da empresa Start Campus, responsável pelo centro de dados, de acordo com a indiciação.

No dia da demissão, Costa recusou a prática “de qualquer ato ilícito ou censurável”.

Últimas de Economia

A criação de novas empresas atingiu um máximo histórico em 2025, ano em que foram constituídas de 53.030 empresas, mais 3,1% que em 2024, de acordo com o Barómetro da Informa D&B divulgado hoje.
As compras nos centros comerciais com pagamento eletrónico cresceram 10% em 2025, com os fins de semana a representarem mais de um terço da faturação, indica um estudo realizado para a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC).
A taxa de desemprego aumentou, em novembro de 2025, para os 6,3% na zona euro e os 6,0% na União Europeia (UE), face aos, respetivamente, 6,2% e 5,8% do mesmo mês de 2024, divulga hoje o Eurostat.
O consumo do sistema elétrico nacional bateu recordes esta terça-feira, ultrapassando pela primeira vez os 10 gigawatts (GW), segundo dados da REN, numa altura em que uma grande parte do país estava sob aviso amarelo devido ao frio.
Apesar de milhares de jovens terem recorrido à garantia pública para comprar casa, só um banco precisou de ativar o apoio do Estado desde o início da medida.
O acesso ao subsídio social de mobilidade (SSM) nas viagens entre as regiões autónomas e o continente passa a estar dependente da situação contributiva e tributária do beneficiário, mas não é exigida a apresentação de documentação adicional.
A taxa de inflação anual da zona euro desacelerou, em dezembro, para os 2,0%, quer face aos 2,4% homólogos, quer comparando com a de 2,15% registada em novembro, segundo uma estimativa rápida hoje publicada pelo Eurostat.
A OCDE afirmou hoje que o mercado de arrendamento em Portugal “continua subdesenvolvido e fragmentado", com apenas 12% de famílias a declararem viver em casas arrendadas, e com os arrendamentos informais a poderem atingir até 60%.
As renegociações de crédito à habitação desceram em novembro para 414 milhões de euros, na primeira queda em cadeia desde junho, segundo dados hoje publicados pelo Banco de Portugal (BdP).
As novas tabelas de retenção na fonte do IRS que se vão aplicar aos salários e pensões de 2026 foram publicadas hoje no Portal das Finanças, refletindo a descida do IRS e garantindo isenção de tributação até aos 920 euros.