CHEGA viabiliza menos IRS e menos portagens já este ano

AD incapaz de cumprir promessas que fez “por razões orçamentais”

© Folha Nacional

“Nós estamos aqui pelos portugueses e não pelas politiquices”. Foi assim que o presidente do CHEGA, André Ventura, justificou a abstenção do partido, esta quarta-feira, à proposta do Partido Socialista (PS), sobre a redução do IRS até ao 6.º escalão.

Em causa, está a votação na especialidade do texto de substituição à proposta de redução de taxas inicialmente enviada ao parlamento pelo Governo, que decorreu na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP).

A proposta do PS reduz as taxas do IRS até ao 6.º escalão. Já a da Aliança Democrática (AD) previa uma redução das taxas marginais de IRS até ao 8º escalão.

Nós sempre fizemos política desta forma, é independentemente de ser o partido A ou o partido B, nós queremos é baixar os impostos às pessoas. É assim na política, nós queremos propostas que beneficiem os portugueses, venham do PS, da Iniciativa Liberal, ou do PSD”, vincou Ventura, deixando claro que, no entanto, neste caso, “não foi o CHEGA que votou a favor da proposta do PS, foi a Iniciativa Liberal e a extrema-esquerda”. 

Em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, à margem da campanha eleitoral para as europeias 2024, que acontecerá no próximo domingo, dia 9 de junho, o líder do CHEGA voltou a colocar os portugueses e o país em primeiro lugar e demarcou-se das acusações do presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, de ser uma “bengala” do PS ao afirmar que “o CHEGA tinha outra proposta” para a redução do IRS, que foi chumbada.

“Quem hoje se juntou foi o PS e o PSD para impedir que a proposta do CHEGA, que era muito mais vantajosa, pudesse entrar em vigor. Em qualquer caso, o Governo deve saber isto, que já deveria saber”, esclareceu.

André Ventura classificou também a proposta de PSD e CDS-PP como “anacrónica” e defendeu que foi o CHEGA que “permitiu que haja um desconto real, e não os dois cafés, ou os três cafés que a AD queria dar”.

Sublinhe-se que o CHEGA havia proposto, no programa eleitoral das legislativas 2024, introduzir duas taxas marginais de IRS: de 15% até aos 39.999 euros e de 30% a partir de 40.000 euros, com isenção de pagamento para quem receber até aos mil euros mensais; isentar os jovens até aos 35 anos de IRS até perfazerem um total de 100 mil euros de rendimentos desde o início da sua carreira; e isentar de IRS o designado “15.º salário”, sem quaisquer condicionantes.

Ventura salientou ainda que já sabia que ia “haver choradeira todo o dia”, pois “o Governo habituou-nos a doses de choradeira”. “O Governo devia chorar menos e governar mais, porque era assim que tínhamos evitado esta situação toda”, defendeu. O líder arrematou que o CHEGA é o “grande responsável pela descida dos impostos em Portugal”.

Pensar nos portugueses e no país sempre foi o mote do CHEGA. E outro exemplo disso foi o fim das portagens das ex-SCUT, uma proposta do PS, aprovada também graças ao CHEGA. Em maio, o CHEGA votou a favor a proposta socialista que eliminava as portagens nas ex-SCUT, pois “não chegou a acordo com o Governo para calendarizar uma redução gradual dessas portagens”.

André Ventura anunciou, na altura, que deu instruções ao Grupo Parlamentar do CHEGA para aprovar o diploma, por ter considerado que, caso o inviabilizasse, o partido “seria absolutamente incoerente consigo próprio”.

“O CHEGA defendeu em campanha eleitoral, de forma clara e explícita, o fim de todas as portagens. Era uma das propostas mais arrojadas. Foi o compromisso que fizemos: de trabalhar gradualmente para o fim de todas as portagens”, afirmou.

Assim, “o CHEGA viabilizou a descida imediata e o fim das portagens imediato nas ex-SCUT, por entender que uma proposta demasiado gradual e sem compromisso poderia ferir a expetativa dos portugueses, sentirem que têm um alívio real nas portagens”, anunciou.

Deste modo, o CHEGA tem demonstrado que não falta atrás com as promessas traçadas no programa eleitoral das legislativas. Ao contrário da Aliança Democrática que, desde que o Governo tomou posse, tem sido incapaz de cumprir as promessas que fez, durante a campanha eleitoral, “por razões orçamentais”.

Recorde-se que a 9 de novembro, no dia em que o Presidente da República anunciou que iria dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, na sequência da demissão do primeiro-ministro, o presidente do PSD, Luís Montenegro, afirmou que “com certeza” iria apresentar um orçamento retificativo se ganhasse os votos dos portugueses. Contudo, já se passaram cerca de dois meses, após a vitória, e ainda não há sinais de intenção de um retificativo.

Para além disso, as medidas que constavam no programa eleitoral da AD com maior impacto orçamental, como a redução de impostos, em IRS e IRC, ou o descongelamento da carreira dos professores, só vão começar a pesar nas contas a partir de 2025.

Sobre este assunto, o CHEGA já havia desafiado o Governo para um orçamento retificativo e uma “auditoria profunda ao Estado”. Em abril, o presidente do CHEGA pediu ao primeiro-ministro que apresente um orçamento retificativo “em nome da mudança e da reforma” e “em nome de Portugal”.

André Ventura confrontou Luís Montenegro com declarações suas quando disse que o Orçamento do Estado para este ano, apresentado pelo último Governo do PS, era “pipi” e “muito betinho, que parece que faz, mas não faz”.

“Eu não quero mesmo acreditar, de coração, que vai governar Portugal com orçamento de impostos máximos, serviços mínimos e que nada faz”, desafiou o líder do CHEGA.

André Ventura considerou que “este Governo tem medo de um orçamento retificativo, do Orçamento do Estado e da própria sombra porque assim se colocou, não criou uma solução de estabilidade e agora assume governar com o orçamento que PSD, IL e CHEGA votaram contra”.

Últimas de Política Nacional

O Ministério Público (MP) abriu um inquérito após denúncias de alegadas falsas assinaturas na lista de propositura da candidatura autárquica independente em Boticas, que foi rejeitada pelo tribunal e não foi a eleições.
O Ministério Público acaba de colocar um deputado socialista no centro de mais uma tempestade judicial: Rui Santos, ex-presidente da Câmara de Vila Real e atual deputado do PS, foi formalmente acusado de prevaricação e abuso de poder por alegadamente transformar a empresa municipal Vila Real Social numa peça de xadrez político ao serviço das suas ambições pessoais e partidárias.
A garantia é de Patrícia Almeida, mandatária nacional de André Ventura, deputada à Assembleia da República e militante fundadora do CHEGA. Para a dirigente, o recorde histórico de assinaturas “prova a força real do candidato” e mostra que “o país quer mudança e não teme assumir isso”. Patrícia Almeida assegura que Ventura é “o único capaz de defender os portugueses sem hesitações” e promete uma campanha firme, mobilizadora e “determinada a devolver Portugal aos portugueses”.
O oitavo debate das Presidenciais ficou hoje em suspenso. António José Seguro, candidato e antigo líder socialista, anunciou que não poderá marcar presença esta quinta-feira no duelo com João Cotrim Figueiredo, na RTP1, devido a um agravamento do seu estado de saúde.
No último dia do debate orçamental, André Ventura classificou o Orçamento do Estado como um documento “viciado e sem ambição”, acusando o Governo de manter a velha fórmula que, diz, tem destruído o país: mais impostos, mais burocracia e mais peso sobre quem trabalha.
Um despacho silencioso que entregou milhões ao Grupo Pestana e 22 escutas que ficaram na gaveta durante anos: dois episódios que voltam a colocar António Costa no centro de suspeitas políticas e judiciais.
O parlamento aprovou hoje o reforço da dotação orçamental do Tribunal Constitucional em 1,6 milhões de euros, por proposta do CHEGA, acedendo assim ao pedido feito pelos juízes do Palácio Ratton em audição parlamentar.
André Ventura deixou um recado direto ao país: Portugal deve condenar a Rússia, mas não enviará jovens portugueses para morrer na Ucrânia. O candidato presidencial exige clareza dos líderes políticos e garante que, se for eleito, evitará qualquer participação militar portuguesa no conflito.
O debate presidencial entre André Ventura e António José Seguro foi o mais visto da semana, superando largamente todos os restantes. No extremo oposto, o duelo entre Gouveia e Melo e João Cotrim de Figueiredo ficou no fundo da tabela, com a pior audiência registada.
André Ventura, presidente do CHEGA, marcou as comemorações do 25 de Novembro, defendendo o legado dos militares que travaram a deriva extremista e reafirmando que Portugal deve celebrar quem garantiu a liberdade e não quem tentou destruí-la.