CHEGA vai viabilizar comissão para acompanhar execução do PRR e PT2030

O CHEGA anunciou hoje que vai viabilizar a proposta do PSD para uma comissão de acompanhamento da execução do PRR e do PT2030, com a esquerda a criticar a iniciativa, por considerar que irá criar redundância entre órgãos parlamentares.

© Folha Nacional

O parlamento debateu hoje um projeto de resolução do PSD que propõe a criação de uma comissão eventual de acompanhamento da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do programa PT2030, com a deputada social-democrata Dulcineia Moura a defender que poderia “proporcionar uma supervisão e monitorização mais focada e especializada, com a dignidade institucional que lhe deve ser reconhecida”.

“Só através de uma comissão independente será possível acautelar a autonomia necessária que o assunto merece e que não seria alcançável através da constituição de uma subcomissão”, disse, acrescentando também que a 13.ª comissão parlamentar – dedicada ao poder local e coesão territorial, mas também encarregada do acompanhamento do PRR – prosseguirá os seus trabalhos, mas dedicar-se-á a questões como o ordenamento do território ou desenvolvimento regional.

Pelo CHEGA, o deputado Eduardo Teixeira criticou o Governo por ter “dedicado poucas linhas numa única página A4 sobre o tema dos fundos comunitários”, mas elogiou a proposta do PSD, considerando que irá permitir um maior escrutínio do parlamento.

“Viabilizaremos esta comissão para conter as tentações governativas, nesta aceleração necessária [dos fundos], de a sua aplicação ser maioritariamente para a administração pública e muito pouco tende a chegar à economia e às nossas empresas”, anunciou.

Também o deputado da Iniciativa Liberal (IL) Carlos Guimarães Pinto anunciou que o partido vai viabilizar a proposta do PSD, esperando que, “ao contrário do que aconteceu na legislatura passada, desta vez se foque não apenas nos casos de sucesso, mas também – e principalmente – no que falhou nos últimos 20 anos”.

Apesar dos elogios à direita, todos os partidos de esquerda criticaram a proposta do PSD, com o deputado do PS Jorge Botelho a afirmar que a finalidade desta comissão eventual pode ser assegurada no âmbito do plano de trabalhos da 13.ª comissão parlamentar.

“Lamentavelmente, tenta-se fazer crer que, com a criação desta comissão eventual, se está a dar mais relevância ao acompanhamento dos fundos comunitários, apesar de, em termos práticos, nada mudar”, criticou.

Este argumento foi também utilizado pela deputada do Bloco de Esquerda (BE) Joana Mortágua, que considerou “incompreensível esta necessidade de esvaziar as comissões que atualmente existem das suas funções, dos seus temas, para criar comissões paralelas ao lado”.

“Vão fazer exatamente a mesma coisa, só que talvez com mais um presidente, mais uns vice-presidentes, mais uns cargos para distribuir pelos grupos parlamentares”, acusou.

Também o deputado do PCP Alfredo Maia considerou que esta comissão introduziria “uma redundância, não só dispensável, mas também desaconselhável, dado o risco de ineficiência tanto da comissão pretendida, como de outras comissões, aliás permanentes”, argumentando que a 13.ª comissão já cumpre o propósito da proposta do PSD.

Esta opinião também foi partilhada pelo Livre, com o deputado Paulo Muacho a considerar que a iniciativa se inclui numa “estratégia de desvalorizar o parlamento”, impedindo que todos os partidos acompanhem os trabalhos das comissões constituídas, e criticou a direita por afirmar-se como “paladinos da necessidade de eficiência no setor público”, mas apoiarem a criação de mais órgãos parlamentares.

Pelo PAN, Inês Sousa Real disse que o partido vai acompanhar esta proposta, mas criticou que se esteja a retirar a capacidade de fiscalização de entidades como o Tribunal de Contas ou o IHRU sobre a execução do PRR.

Já o deputado do CDS-PP João Almeida disse que o partido vai votar favoravelmente a proposta, considerando que a matéria justifica a criação de outro tipo de comissão para uma análise “mais especializada”.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA entregou este domingo a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para impedir o enfraquecimento das competências do Tribunal de Contas (TdC) e manter o atual sistema de visto prévio sobre contratos públicos.
O presidente do CHEGA contestou a maioria de direita a reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade, apesar do chumbo do Tribunal Constitucional, defendendo que, em alternativa, deve ser realizado um referendo sobre esta matéria.
O CHEGA apresentou um projeto de lei na Assembleia da República para eliminar vários benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos, defendendo que não faz sentido existirem “privilégios” para estruturas partidárias enquanto os contribuintes enfrentam uma carga fiscal cada vez mais elevada.
Uma nova sondagem da Aximage revela que a maioria dos portugueses concorda com a proposta do CHEGA para baixar a idade da reforma. Segundo os dados divulgados, 69% dos inquiridos apoiam a medida defendida por André Ventura.
Luís Montenegro afirmou que a situação económica e financeira de Portugal está melhor do que a da Alemanha, declarações que estão já a gerar críticas e incredulidade nas redes sociais.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para reforçar os poderes das Polícias Municipais, permitindo clarificar legalmente a detenção de suspeitos em flagrante delito e a sua entrega imediata à PSP ou à GNR.
Álvaro Santos Pereira será ouvido na Assembleia depois de o CHEGA exigir esclarecimentos sobre compras travadas pelo Banco Central Europeu.
Ilídio Ferreira abandona o Partido Socialista e mantém mandato como independente. O pedido de desfiliação foi remetido a 25 de abril ao secretário-geral do partido.
O presidente do CHEGA, André Ventura, saudou hoje a promulgação, pelo Presidente da República, do decreto que altera a Lei da Nacionalidade e afirmou que esta legislação teve o "consenso possível".