Dados do RASI omitem violência contra polícias

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2023 foram registados “13 feridos com necessidade de internamento, 828 feridos ligeiros e 540 agressões sem ferimentos”.

© D.R.

Contudo, a Administração interna destacou mais de 1300 polícias agredidos, só entre janeiro e agosto de 2023, segundo o Diário de Notícias. Em paralelo, o Folha Nacional tomou conhecimento de dois casos de agressões contra polícias, no arranque desta semana, nomeadamente ao nível de agressões e ameaças – testemunhos que levam a crer que há mais ocorrências do que as registadas. No passado domingo, dia 23 de julho, um agente PSP ficou ferido, na sequência de desacatos no trânsito, em Belas/Sintra. O suspeito terá ameaçado e agredido o agente que se encontrava de folga, mas que se terá identificado como polícia.

Segundo fonte próxima da PSP, a agressão ocorreu após uma discussão no trânsito, na rua Eduardo Ferreira Pinto Basto, junto aos Bombeiros Voluntários de Belas, quando um homem de 40 anos começou por ameaçar e agredir o polícia. “O polícia foi agredido na face e nas costas”, revelou a mesma fonte.

O polícia foi transportado para o Hospital Fernando Fonseca, na Amadora, com ferimentos ligeiros. O suspeito foi detido e transportado para a 88.ª Esquadra.

Um outro caso, que aconteceu igualmente no passado domingo, dá conta de um polícia da PSP atropelado enquanto uma viatura circulava em contramão, em Odivelas.

“Um dos suspeitos estaria na posse de arma de fogo”, garantiu fonte próxima da PSP ao Folha Nacional.

Durante a abordagem, na Quinta de São José, em Odivelas, “o automóvel, que terá sido furtado em França, abalroou a viatura policial e atropelou um polícia.”

O agente atropelado ficou ferido na perna direita e incapacitado para o serviço. Após tratamento do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, já teve alta hospitalar.

Para o líder do CHEGA, André Ventura, estas ocorrências acontecem porque os “polícias perderam autoridade e capacidade de agir” e, por essa razão, defende que o país precisa de um “compromisso com os polícias, militares e bombeiros”.

“Hoje temos polícias com medo de usar as armas, medo de intervir quando estão em assaltos, quando estão a tentar parar rixas. Temos polícias que têm medo de agir porque sabem que o prejudicado ao fim do dia não vai ser o bandido, vai ser o polícia, com processos disciplinares, com perseguições, etc.”, acrescentou.

Sustentando que “nos últimos anos, militares e polícias perderam 23% de poder de compra”, Ventura salientou que “Portugal não pode prescindir de militares, polícias e bombeiros motivados, satisfeitos e dignificados na sua profissão”.

O presidente do CHEGA acusou ainda o Governo de ser aquele “que pior tem tratado” estes setores e voltou a prometer “equiparar o suplemento dado à Polícia Judiciária a todas as forças de segurança e aos guardas prisionais”. As negociações entre o Governo e os sindicatos, sobre a atribuição de um subsídio de risco, terminaram sem acordo depois de o Ministério da Administração Interna ter proposto um aumento de 300 euros no suplemento de risco da PSP e GNR, valor que seria pago de forma faseada até 2026.

 

Últimas de Política Nacional

Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.
André Ventura questionou esta terça-feira a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna, na sequência das acusações feitas pelo antigo secretário-geral Ricardo Carrilho. O presidente do CHEGA falou em suspeitas de pressões para a prática de ilegalidades, questionou a gestão de 26 milhões de euros destinados ao SIRESP e prometeu impedir que a comissão parlamentar de inquérito seja bloqueada.
O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”