Habitação: Acabou o arrendamento forçado e apoios vão ser alargados.

O decreto-lei do Governo que revoga o arrendamento forçado das habitações devolutas e alarga os apoios extraordinários às famílias para pagamento da renda e de créditos à banca foi hoje publicado em Diário da República.

© DR

No decreto-lei n.º 43/2024, o Governo (PSD-CDS/PP) justifica a medida como uma forma de “assegurar o direito de propriedade privada, previsto no artigo 62.º da Constituição da República Portuguesa”.

A decisão de revogar o arrendamento forçado das habitações devolutas — uma das medidas mais polémicas do programa Mais Habitação, aprovado pelo anterior executivo socialista — já tinha sido elogiada pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, considerando que aquela possibilidade “alarmou o mercado e retirou muita confiança aos pequenos, médios e grandes investidores”.

Já a Associação Nacional de Proprietários tinha criticado a manutenção da taxa agravada de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sobre as casas consideradas devolutas, referindo tratar-se de um “imposto espoliativo”, que não tinha em conta “o porquê do estado inabitável ou degradado em que se encontra a maioria dos 700.000 locais considerados vagos”.

Em paralelo, o Governo liderado por Luís Montenegro anunciou a criação de um regime legal para “injeção semiautomática de imóveis devolutos” públicos no mercado, para habitação ou “outros fins públicos relevantes”.

Segundo informação prestada na altura do anúncio, em 27 de maio, caberá aos municípios, de “forma voluntária”, identificar os imóveis públicos devolutos ou subutilizados e apresentar depois ao Estado, através da Estamo (empresa de capital exclusivamente público que tem por missão a gestão, venda, arrendamento e promoção de ativos imobiliários não estratégicos), um projeto de utilização “para um fim público que caiba dentro das atribuições do município e possa ser colocado em fruição pelas pessoas”.

Na opinião do Governo, o novo regime, de iniciativa de base local, permitirá acelerar a utilização de milhares de imóveis públicos do Estado que estão atualmente sem utilização.

O decreto-lei hoje publicado cria também apoios extraordinários às famílias para pagamento da renda e da prestação de créditos à banca.

O executivo recorda que “uma quantidade significativa de contratos de arrendamento celebrados até 15 de março de 2023 foram cessados por iniciativa dos respetivos senhorios e sucedidos pela celebração de novos contratos, com o mesmo objeto e as mesmas partes”.

Segundo as regras antes em vigor, os arrendatários deixavam, nesses casos, de poder beneficiar dos apoios extraordinários para pagamento da renda, o que este Governo quis corrigir.

Assim, o regime passa a estender-se “a todos os locatários com contratos de arrendamento em vigor” após 15 de março de 2023 que possam comprovar que o contrato de arrendamento anterior cessou por iniciativa do senhorio e diz respeito ao mesmo imóvel e às mesmas partes.

Os arrendatários em causa terão que se candidatar ao apoio e, para tal, devem recorrer à “comprovação pela Autoridade Tributária”, à qual os contratos têm de ser obrigatoriamente comunicados.

O Governo recorda que se trata de uma “medida temporária e excecional, prevista até dezembro de 2028”, num valor que poderá ascender aos 200 euros mensais, pago pela Segurança Social.

Como a Lusa escreveu em 18 de junho, a reposição do apoio à renda perdido pelos inquilinos que se viram obrigados a fazer novos contratos para o mesmo espaço habitacional não vai ter efeitos retroativos.

Justificando as alterações às medidas aprovadas pelo anterior executivo, o Governo realça que o objetivo é, “no curto prazo […], incentivar a oferta, reforçar a confiança no mercado de arrendamento, fomentar a habitação jovem e assegurar a acessibilidade no setor da habitação”.

O decreto-lei entra em vigor a partir de quarta-feira, 03 de julho.

Últimas de Economia

Os 60 membros do Governo que está a alterar as leis do arrendamento declaram 436 imóveis, avaliados em quase 23 milhões de euros. Marisa Garrido, secretária de Estado da Administração Pública e que recebeu 12 milhões de euros em suplementos quando dirigia os Recursos Humanos da RTP, lidera a lista com 62 propriedades. Luís Montenegro surge logo a seguir, com 55 imóveis declarados.
Quase cinco mil milhões de euros continuam por recuperar. Montante cobriria o orçamento anual do Ensino Superior, Ciência e Inovação e grande parte das despesas do Ministério da Economia.
Venda de ouro confiscado pelas autoridades faz disparar receitas públicas, com valores quatro vezes superiores aos registados dois anos antes.
Aumento salarial promete mais dinheiro ao fim do mês, mas a subida dos preços deverá reduzir para metade a melhoria real do poder de compra.
Sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN indica que mais de 80% dos portugueses concordam com a redução dos impostos sobre os combustíveis, medida defendida pelo CHEGA e rejeitada por PS e PSD no Parlamento.
BPN e Banif desapareceram há anos, mas continuam a pesar nas contas públicas. O Governo prevê gastar 334 milhões de euros em 2027, enquanto permanecem por recuperar mais de 8,6 mil milhões de euros em apoios do Estado.
O preço por litro de gasóleo deverá subir 4,5 cêntimos, segundo estimativas do Automóvel Club de Portugal (ACP).
Arrendamento regista uma subida superior a 76% em apenas cinco anos, segundo o Jornal de Notícias.
Grupo alemão poderá pagar 1.201 milhões de euros por 49,9% da TAP, que dispõe de 1.222 milhões em liquidez.
Em 2025, em Portugal, "mais de 500 mil pessoas viviam com menos de 482 euros por mês", considerada uma situação de pobreza preocupante, anunciou hoje Paula Cruz, da EAPN Portugal – Rede Europeia Anti Pobreza.