Yoon Suk-yeol ignorou oposição de três ministros a lei marcial

O presidente deposto sul-coreano ignorou a oposição de três ministros à declaração de lei marcial, no início de dezembro, de acordo com um relatório do Ministério Público consultado hoje pela agência de notícias France-Presse (AFP).

© Facebook de Yoon Suk Yeol

A acusação do ministro da Defesa, em funções durante o golpe de Estado e considerado um dos instigadores, revela que o então primeiro-ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o ministro das Finanças manifestarem reservas na noite de 03 de dezembro, antes de Yoon decretar lei marcial.

Yoon Suk-yeol surpreendeu o país com a declaração de lei marcial, enviando o exército para a Assembleia Nacional numa tentativa de a silenciar. No entanto, foi forçado a recuar, por pressão dos deputados e de manifestações populares.

Os três ministros expressaram preocupação com as consequências da decisão numa reunião convocada por Yoon Suk-yeol.

“A economia enfrentaria grandes dificuldades e eu receio um declínio da nossa credibilidade internacional”, declarou Han Duck-soo, primeiro-ministro em funções na altura.

Han desempenhou temporariamente as funções de presidente interino, depois de Yoon ter sido destituído pela Assembleia Nacional, a 14 de dezembro.

No entanto, foi igualmente afastado pelos deputados no dia 27, acusado de obstruir o processo de destituição contra Yoon Suk-yeol.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cho Tae-yul, declarou que a lei marcial iria “destruir as conquistas da Coreia do Sul nos últimos 70 anos”.

Por sua vez, o então ministro das Finanças e atual presidente interino, Choi Sang-mok, considerou que a medida teria “efeitos devastadores na economia e na credibilidade do país”.

“Não haverá retorno”, respondeu Yoon Suk-yeol, afirmando que a oposição, com maioria parlamentar, estaria a levar o país à ruína.

No discurso de proclamação da lei marcial, Yoon afirmou que pretendia “eliminar os elementos hostis ao Estado”.

Uma versão resumida deste relatório, consultada pela AFP em dezembro, explica que Yoon autorizou o exército a disparar para abrir os portões do parlamento na noite em que declarou lei marcial, o que não aconteceu.

Yoon Kab-keun, advogado do presidente deposto, declarou à AFP que “não há provas” de uma eventual rebelião, crime pelo qual Yoon Suk-yeol está a ser investigado.

Yoon aguarda a confirmação ou anulação da destituição pelo Tribunal Constitucional.

Últimas do Mundo

Os comboios suburbanos estão parados em toda a região espanhola da Catalunha por tempo indeterminado depois de um acidente na terça-feira em que morreu uma pessoa e cinco mortes com gravidade.
Federação Nacional dos Sindicatos de Explorações Agrícolas (FNSEA) espera mobilizar esta terça-feira até 700 tratores e 4.000 manifestantes em Estrasburgo.
Cerca de 1.520 milhões de turistas viajaram para o estrangeiro em 2025, um ano "recorde", segundo uma estimativa publicada hoje pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que destaca, em particular, um forte dinamismo em África e na Ásia.
O número de mortos no acidente de comboio em Adamuz (Córdova), Espanha, subiu de 40 para 41, disseram à agência de notícias espanhola EFE fontes próximas da investigação.
Mesmo com Espanha mergulhada no luto após a tragédia ferroviária que matou 39 pessoas em Adamuz, o Governo manteve esta segunda-feira a redistribuição aérea de imigrantes ilegais a partir das Canárias, transferindo mais de 180 pessoas para Madrid.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 111, com três desaparecidos e 98 pessoas feridas, segundo balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) consultado hoje pela Lusa.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla em inglês) alertou hoje para o risco de resistência antimicrobiana com o uso frequente de doxiciclina na profilaxia pós-exposição a doenças sexualmente transmissíveis.
Habitação mista criada para “promover a integração” acabou marcada por denúncias de violações, assédio sexual e violência. Queixas repetidas foram ignoradas e só anos depois houve detenções.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou hoje que até ao momento não há conhecimento de vítimas portuguesas a registar no acidente ferroviário no domingo em Córdova, Espanha, que causou pelo menos 39 mortos.
A afluência às urnas na cidade suíça de Lugano para as eleições presidenciais deste ano em Portugal é a ser maior do que nos anteriores atos eleitorais, apesar da crónica abstenção elevada, sobretudo numa eleição que exige voto presencial.