Marcelo defende que Eça no Panteão é um ato de justiça evidente

O Presidente da República considerou hoje que poucos escritores portugueses estão tão vivos como Eça de Queiroz e defendeu que a trasladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional é um ato de justiça evidente.

© Facebook da Presidência da República

“A maior homenagem a Eça será, sem dúvida, reedita-lo, estudá-lo e, acima de tudo, lê-lo. Mas há atos de justiça, atos evidentes como esta transladação, mesmo não conhecendo as vontades do escritor sobre a matéria”, afirmou o chefe de Estado durante a cerimónia de concessão de honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz.

No início da sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que, “ao contrário de uma célebre frase acerca do terramoto de Lisboa, não é suficiente enterrar os mortos e cuidar dos vivos”, é preciso também “cuidar dos mortos, mesmo quando continuam vivos”.

“E quantos escritores portugueses estão tão vivos como Eça de Queiroz? Vivos porque os lemos de facto, por oposição a termos lido em tempos por dever escolar, em oposição a serem apenas um vago nome de rua ou de jardim? Quantos serão esses mortos a quem damos vida porque ainda os lemos?”, questionou.

Os “clássicos vivos”, prosseguiu, “distinguem-se porque os seus livros nunca ficaram indisponíveis, têm a qualquer momento peças representadas, poemas antologiados e declamados, são objeto de traduções, trabalhos académicos”.

Segundo o Presidente da República, entre eles estão “os trovadores, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Antero, Cesário, Pessanha, Pessoa, poucos mais”, a que acrescem “alguns contemporâneos temporalmente mais próximos, mas esses serão submetidos à prova dos séculos”.

Marcelo Rebelo de Sousa reforçou a mensagem de que esta cerimónia, uma “homenagem dos portugueses através dos seus representantes”, constitui “um justo reconhecimento”, mas que há que “cuidar sobretudo da obra de Eça – como faz a fundação, as editoras, a começar pela Imprensa Nacional, os críticos e os académicos, e a família”.

A Assembleia da República “decidiu por unanimidade” conceder honras de Panteão Nacional ao escritor, os herdeiros “concordaram por maioria” e o Presidente da República “aderiu por aclamação”, referiu.

O chefe de Estado elogiou “o escritor que Eça foi”, com traços como “uma ironia autoirónica, uma melancolia ligeira, uma elegância sem falhas, uma modernidade cosmopolita” e advogou que, “quanto à oportunidade, nem era necessário haver uma” para esta cerimónia, mas realçou que acontece por altura dos 180 anos do seu nascimento e dos 125 da sua morte.

Mais à frente, recordou que, “aquando das celebrações do centenário do falecimento de Eça, a mordaz e porventura um dia considerada também imortal Agustina Bessa-Luís comentou: Eça de Queiroz pedia para se reformar em Cuba se tivesse conhecimento das celebrações do seu centenário”.

“Claro que ficamos a pensar, com algum gozo, o que diria Eça de tudo isto: trasladação, Lisboa, chuva, posteridade, homenagens”, acrescentou.

A esse propósito, citou um excerto de uma carta de Eça a Oliveira Martins enviada de Paris em 1890: “Se vocês, todavia, homens poderosos, pudésseis arranjar aí um nicho ao vosso amigo de há tantos anos exilado, teríeis feito obra amiga e santa. Era necessário, primeiro, descobrir o nicho, e depois arranjar do nosso bom amigo rei que eu fosse plantado no nicho”.

“Em vez do rei, temos aqui reunidos Presidente, parlamento, Governo, os órgãos de soberania que os portugueses escolheram e que, nesta data, como muitos outros milhões seus amigos também, atribuem a Eça, não um nicho, mas uma última e condigna morada. É também assim que cuidamos dos vivos”, concluiu.

A Assembleia da República aprovou por unanimidade em janeiro de 2021 um projeto de resolução do PS para “conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa”.

A resolução aprovada em 2021 surgiu em resposta a um repto lançado pela Fundação Eça de Queiroz.

A trasladação foi contestada por seis dos 22 bisnetos do escritor, que recorreram à justiça para a impedir, recurso que foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Administrativo.

Eça de Queiroz morreu em 16 de agosto de 1900, aos 54 anos, em Paris, e foi sepultado em Lisboa. Em setembro de 1989, os seus restos mortais foram transportados do Cemitério do Alto de São João, na capital, para um jazigo de família no cemitério de Santa Cruz do Douro, em Baião.

Nascido na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, em 1845, foi autor de contos e romances, entre os quais “Os Maias”, que gerações de críticos e investigadores na área da literatura consideram o melhor romance realista português do século XIX.

A sua vasta obra inclui títulos como “O primo Basílio”, “A cidade e as serras”, “O crime do padre Amaro”, “A relíquia”, “A ilustre casa de Ramires” e “A tragédia da Rua das Flores”.

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