Zelensky confirmado na Conferência de Segurança de Munique

O presidente ucraniano participará na Conferência de Segurança de Munique nesta semana, confirmaram hoje os organizadores da cimeira, sublinhando a possibilidade de conversações com as autoridades dos EUA.

© Facebook de Volodymyr Zelensky

“Presumimos que as discussões [sobre a paz na Ucrânia] vão decorrer em paralelo” à reunião em Munique, na Alemanha, disse o presidente da Conferência, Christoph Heusgen, aos jornalistas.

A presença em Munique do enviado norte-americano para a Ucrânia e Rússia, Keith Kellogg, é para Heusgen “um indício” de que a conferência pode ser uma oportunidade para discutir os “contornos” de um plano de paz para a Ucrânia.

Zelensky disse na sexta-feira que Washington e Kiev estavam a planear “reuniões e conversas”, sem adiantar datas ou locais, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter colocado a possibilidade de um encontro com o líder ucraniano.

Na reunião em Munique vão participar também o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“Até ao momento, não foi expresso qualquer desejo por qualquer dos lados de que as autoridades russas (…) venham” a Munique, sublinhou Heusgen.

Para a cimeira em Munique foram convidadas organizações não-governamentais (ONG) da oposição, ativas na Rússia ou exiladas no estrangeiro.

A organização da Conferência disse esperar que a cimeira, que acontece entre sexta-feira e domingo, seja uma ponte para “o progresso em direção à paz na Ucrânia”.

O chefe de gabinete da Presidência ucraniana, Andrii Yermak, já havia indicado à agência de notícias Associated Press (AP), na quinta-feira passada, que a delegação ucraniana será liderada por Zelensky e vai apresentar a posição de Kiev sobre o fim da guerra e “uma paz longa e duradoura” com a Rússia.

A cimeira de Munique é um fórum regular para discussões globais sobre segurança internacional que assumiu um novo significado com o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

A conferência anual decorre num momento crucial para a Ucrânia, que se esforça por estabelecer uma relação com a nova administração dos Estados Unidos, o seu principal parceiro bilateral no esforço de guerra.

Durante a campanha eleitoral, o Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu pôr fim ao conflito no prazo de 24 horas, revendo esta promessa para seis meses após a sua tomada de posse, em 20 de janeiro.

No entanto, a Rússia e a Ucrânia continuam distantes nas suas posições, embora tenham assumido uma inédita postura de diálogo desde que Trump regressou à Casa Branca.

Na reunião de Munique, Yermak espera que a Ucrânia possa discutir as garantias de segurança que podem ser postas em prática para evitar a persistência de agressões por parte da Rússia.

O conselheiro presidencial ucraniano afirmou que não há uma data definida para um encontro entre Zelensky e Trump, mas reiterou que deve acontecer o mais rapidamente possível: “Estamos a trabalhar nisso”.

Yermak confirmou, porém, que o enviado especial de Trump para a Ucrânia e Rússia visitará Kiev após a Conferência de Segurança de Munique, no final de fevereiro.

Numa tentativa de pôr a nova administração norte-americana em dia, os ucranianos planeiam fornecer à Kellogg “informações completas e reais” sobre a situação no campo de batalha, os esforços de mobilização em curso e a entrega de armas e equipamento militar.

Na segunda-feira passada, Trump indicou que quer chegar a um acordo com a Ucrânia para ter acesso aos depósitos de terras raras do país como condição para continuar o apoio de Washington a Kiev.

A observação está em linha com elementos do “plano de vitória” de Zelensky, que apresentou aos seus aliados de Kiev, incluindo ao novo líder norte-americano no fim do ano passado.

Últimas do Mundo

O Grupo Parlamentar do CHEGA apresentou na Assembleia da República um voto de pesar pela morte de Henry Nowak, jovem britânico de 18 anos assassinado no Reino Unido, num caso que gerou forte indignação internacional.
Centenas de pessoas saíram às ruas de Southampton, no Reino Unido, após a morte de Henry Nowak, o jovem de 18 anos que morreu depois de ter sido esfaqueado e inicialmente tratado pelas autoridades como suspeito. Vickrum Digwa, de 23 anos, acabou condenado pelo homicídio do estudante.
A ministra do Interior britânica defendeu hoje uma investigação à atuação da polícia, no ano passado, por deter e algemar erradamente uma vítima de esfaqueamento, mas alertou para a manipulação política do caso.
Um executivo da empresa norte-americana Walt Disney Company, detido num aeroporto de Moscovo em janeiro, foi hoje condenado a dois anos e meio de prisão por um tribunal russo por posse e tentativa de contrabando de droga.
Um português de 26 anos morreu após uma violenta agressão numa rua espanhola, num caso que está agora a ser investigado pelas autoridades de La Rioja.
A Comissão Europeia multou hoje a chinesa Temu em 200 milhões de euros por não detetar devidamente produtos ilegais, referindo que encontrou à venda na plataforma brinquedos para bebés, joias ou carregadores com elevados riscos de segurança.
Os aeroportos europeus estão a registar esperas até 3,5 horas nos controlos fronteiriços em períodos de pico e antecipam um verão “particularmente difícil”, apontando falta de efetivos e falhas técnicas na implementação do novo sistema europeu.
O YouTube passará a detetar e a identificar automaticamente os conteúdos criados por inteligência artificial (IA), informou hoje a empresa que pertence à Google, que até agora dependia dos criadores do conteúdo para etiquetar os vídeos.
Uma onda de calor está a atingir a Europa, com temperaturas recorde para maio e alertas das autoridades em países como Espanha, França, Irlanda, Reino Unido, Áustria e República Checa.
A obesidade está a abrandar em países da Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas continua a aumentar de forma consistente em países de baixo rendimento, concluiu um estudo internacional com participação de investigadores da Universidade de Coimbra.