PJ diz que detidos em crimes de rapto e roubo em Viseu serão executantes

As cinco pessoas detidas por alegado rapto e roubo sobre um intermediário financeiro, que terão ocorrido na semana passada em Viseu, deverão pertencer a uma célula de executantes, continuando a investigação à procura dos mandantes, revelou hoje a Polícia Judiciária.

© Facebook da PJ

“A investigação vai ter de prosseguir, porque temos de perceber se existem mais suspeitos nesta matéria, designadamente mandantes. Acreditamos que esta é uma célula de executantes, considerando os conhecimentos que já conseguimos obter deles, dos quatro estrangeiros e da própria mulher”, revelou o diretor da Polícia Judiciária (PJ) do Centro.

Numa conferência de imprensa que decorreu ao final da manhã de hoje, em Coimbra, Avelino Lima explicou que o grupo de estrangeiros — um sul-americano e três europeus de países distintos e não comunitários — deslocaram-se a Portugal exclusivamente para “raptar a vítima e conseguir extrair proveitos financeiros a que tinha acesso”.

Já a função da mulher portuguesa era de articulação com os quatro primeiros detidos.

“Certamente também haverá mandantes, ou seja, partes interessadas, porque aquilo que era o objetivo desta organização, que veio cá fazer este crime extremamente grave, é recolher fundos de elevados valores. Temos de perceber quem são os mandantes deste acontecimento”, sustentou.

De acordo com o diretor da PJ do Centro, os detidos pretendiam roubar “valores muito elevados, na ordem dos milhões, seja com ativos financeiros, seja em moeda virtual, seja fundos”.

“Estamos a falar de uma quantidade enormíssima, que temos de perceber qual é a real dimensão e, acima de tudo, qual é a sua origem: de que fundos é que estamos a falar”, referiu.

À vítima de 42 anos, residente na zona de Viseu, “foi exigido a devolução de fundos”, essencialmente virtuais de moeda americana, que terão regras próprias para serem movimentados e “provavelmente podem ter sido esses desacordos que sujeitaram a esta intervenção musculada e criminosa deste grupo”.

“Falamos de algo muito incomum entre nós, não temos muito registo histórico deste tipo de acontecimentos: deslocar-se um grupo a território nacional para esta missão criminosa e, da forma como o fizeram, denotam uma capacidade pouco corrente em território nacional”, indicou.

Avelino Lima disse não ter dúvidas de que se trata de crime organizado, pela forma como foi feito, pelo conhecimento que tinham de como atuar, mas também pela velocidade com que tentaram fugir às autoridades.

O sequestro ocorreu no final do dia 19, com o intermediário financeiro a ser raptado quando chegava à sua residência, na zona de Viseu, tendo depois sido conduzido para um hotel na cidade de Viseu, onde “esteve sob coação e violência” até ao dia seguinte, em que se deslocou a uma instituição bancária e conseguiu alertar os funcionários, que chamaram a PSP.

“A vítima sofreu ofensas à integridade física que não foram incapacitantes, mas com elevada coação. Queremos crer que, se não tivesse corrido como correu, provavelmente as coisas poderiam correr bem pior para a vítima”, evidenciou.

Aos jornalistas, o diretor da PJ do Centro afirmou que a investigação decorre com a colaboração de autoridades policiais internacionais e que já foi possível apurar que o homem sul-americano “já tem um histórico de acontecimentos no país dele de origem”.

Sobre os europeus, que são de nacionalidades não comunitárias, também estão associados a crimes violentos e com um longo histórico.

Às cinco pessoas foi decretada a medida de coação de prisão preventiva, depois de primeiro interrogatório judicial.

Últimas do País

O número de pessoas com sintomas de intoxicação nas Caldas da Rainha subiu de 65 para 113, revelou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) Oeste, que continua a investigar a origem do problema.
Portugal aplicou quase 29 mil medidas alternativas à privação de liberdade em 2024, segundo estatísticas oficiais hoje publicadas pelo Conselho da Europa, sendo um dos países que mais aplica a suspensão de pena.
Diploma apresentado pelo partido de André Ventura defende a proibição da ocultação do rosto em espaços públicos, alegando que a medida reforça a segurança e facilita a identificação das pessoas.
O Hospital de Santa Marta, em Lisboa, ultrapassou os 500 transplantes pulmonares realizados, mas a escassez de dadores limita a atividade do único centro de transplantação pulmonar do país, 25 anos após o arranque do programa.
A GNR deteve três homens, entre os 21 e os 38 anos, por suspeitas de tráfico de droga e apreendeu cocaína, liamba, haxixe e canábis, nos concelhos de Reguengos de Monsaraz e Borba, foi hoje revelado.
Uma mulher de 48 anos foi detida por ser suspeita de ter ateado um incêndio no concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, que terá consumido cerca de 1,2 hectares de área florestal, revelou hoje a Polícia Judiciária.
Suspeito, de 32 anos, alegadamente intimidou um segurança com uma arma proibida. A rápida intervenção da PSP pôs fim à ameaça e levou à sua detenção.
Cerca de 1.500 pessoas juntaram-se hoje num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica em que exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros.
Mais de 70 concelhos do interior Norte e Centro do país e uma dezena do Alentejo e Algarve estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Responsável da repartição da Mealhada e três empresários foram detidos pela PJ. Investigação aponta para um esquema fraudulento de legalização de cidadãos estrangeiros.