Air France-KLM mantém interesse na TAP e apela a “estabilidade”

A Air France-KLM assegurou hoje que mesmo que a privatização da TAP seja adiada devido à crise política em Portugal mantém o interesse, mas pediu definição e estabilidade o mais rápido possível.

©TAP

“O facto de poder haver um atraso de seis ou 12 meses não me parece algo material, mas gostaríamos de ter visibilidade [definição do processo] o mais rapidamente possível”, referiu Ben Smith, presidente executivo (CEO) do grupo na conferência de imprensa no âmbito da apresentação dos resultados de 2024.

O responsável garantiu ainda que estão a acompanhar a situação em Portugal e esperam que “haja estabilidade” para poderem avançar com o processo.

O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu na quarta-feira eleições antecipadas em maio, no final de um dia em que o primeiro-ministro anunciou uma moção de confiança – já aprovada hoje em Conselho de Ministros – que tem chumbo prometido dos dois maiores partidos da oposição, PS e Chega, e que deverá ditar a queda do Governo na próxima semana.

Durante a conferência, Ben Smith admitiu ainda que estão interessados em comprar a participação de 20% na Air Europa detida pela IAG, dona da Iberia e também uma das interessadas na TAP.

“Há três ou quatro companhias aéreas que continuam a ser independentes, ou seja, que não fazem parte dos três grandes grupos europeus”, disse o responsável referindo-se à TAP, Air Europa e à finlandesa Finnair.

“A Air Europa é uma companhia aérea familiar, interessante. Tem uma rede diferente da TAP, não se centrando tanto no Brasil”, acrescentou.

Ben Smith confirmou que estão a olhar para a Air Europa, tal como para a TAP. “Não posso dizer qual é a companhia aérea que preferimos”, apontou.

Questionado sobre quais os motivos que colocam a Air France-KLM como melhor candidata para a compra da TAP, face à Lufthansa e IAG, Ben Smith não hesitou em apontar as relações com os governos de França e dos Países Baixos.

“Dos três grupos, na Europa, somos o único que trabalhou com sucesso com dois governos”, reforçou.

A Air France-KLM tem o Estado francês como maior acionista, com 27,9%, seguindo-se os Países Baixos com 9,13%. Da estrutura fazem parte também a francesa CMA CGM com 8,8%, a China Eastern Airlines com 4,58% e a norte-americana Delta com 2,8%.

“Temos dois governos na nossa estrutura acionista e a relação funciona bem. Temos as nossas estratégias alinhadas, e penso que isso é atrativo para o Governo português. Não posso falar por eles, mas penso que isso nos torna mais atrativos porque temos esta experiência de 20 anos”, acrescentou.

Na semana passada, numa visita a Portugal, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu uma “forma inovadora de casamento” entre a Air France e a TAP.

Na comitiva do presidente francês veio também o presidente executivo da Air France-KLM, que, em declarações à imprensa, já tinha afirmado que o grupo está pronto para apresentar o seu projeto à privatização da TAP, mantendo a marca e o ‘hub’ [plataforma de distribuição de voos], condições já divulgadas pelo Governo para a venda da companhia portuguesa.

O grupo fechou 2024 com lucros operacionais de 1,6 mil milhões de euros, uma queda de 6,4%, foi hoje divulgado.

Apesar da forte procura e do crescimento do turismo a nível global, os resultados anuais da Air France-KLM foram impactados pelas greves realizadas no início do ano e aumento de custos, tal como a Lufthansa, que também reportou uma queda de 18% dos lucros, justificada pelos mesmos motivos.

As receitas do grupo aéreo franco-neerlandês cresceram 4,8% para 31,5 mil milhões de euros, impulsionadas pelo aumento da capacidade de 3,6%, uma receita unitária estável e um aumento das receitas de manutenção de terceiros, de acordo com a apresentação dos resultados de 2024.

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