Montenegro não foi à cimeira internacional para jogar golfe com o dono da Solverde

A ausência do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, na cimeira internacional de Kiev, realizada a 24 de fevereiro para assinalar os três anos do início da guerra na Ucrânia, tem sido alvo de críticas por parte da oposição.

© Clube Golfe Economistas

A justificação oficial apontou para “questões de agenda”, mas a participação de Montenegro num torneio de golfe em Espinho, no mesmo dia, ao lado de Manuel Violas, empresário e proprietário do grupo Solverde, levanta dúvidas sobre as prioridades do ainda chefe do Governo.

O encontro em Kiev contou com a presença de sete líderes europeus, entre eles os primeiros-ministros de Espanha, Dinamarca, Estónia e Suécia, além dos presidentes da Letónia, Lituânia e Finlândia. A maioria dos restantes dirigentes participou por videochamada. No entanto, a ausência de Portugal gerou especulação. O Governo português afirmou que Montenegro participou remotamente, embora a sua imagem nunca tenha sido exibida na transmissão da cimeira.

O gabinete do primeiro-ministro justificou a situação com “problemas técnicos”, mas o facto de Montenegro ter estado presente no torneio de golfe, um evento que não constava da sua agenda pública, aumentou as críticas sobre a transparência e o alegado desinteresse na causa ucraniana.

O evento desportivo em Espinho, onde o nome do primeiro-ministro foi mencionado pelo Clube de Golfe dos Economistas, ocorreu apenas dois dias após a moção de censura apresentada pelo partido CHEGA ao Governo, tornando a polémica ainda mais sensível no panorama político nacional atual.

Recorde-se que o grupo Solverde pagava uma avença mensal à família de Luís Montenegro, no valor de 4.500 euros.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.